"Temos de ser muito sérios e muito rigorosos"
Na antevisão do Omonia-Benfica desta quinta-feira, 22 de outubro, jogo da 3.ª jornada da fase de liga da Liga Europa Marco Silva vincou a ambição de conquistar os três pontos e destacou a importância do rigor num embate marcado pela titularidade de Echeverri e pelas baixas de Barreiro e Jhon Durán.
Na antevisão one to one, à BTV, o treinador das águias abordou os sete dias entre a receção ao Celtic e a deslocação a Chipre, revelando que estes foram aproveitados para recuperar rotinas, trabalhar aspetos coletivos e gerir o desgaste depois de uma pausa internacional que retirou vários jogadores ao trabalho diário da equipa e de dois compromissos (Vitória SC e Celtic) disputados num curto espaço de tempo.
"Acaba sempre por ser positivo. Perto de 16/17 jogadores, durante praticamente três semanas, não estiveram connosco. É óbvio que muitos deles estiveram em competição, mas é sempre diferente. Perdem-se alguns hábitos de treino, perdem-se alguns hábitos que, para nós, são importantes naquilo que é o dia a dia, naquilo que é a nossa preparação. E depois tivemos dois jogos em quatro ou cinco dias. A equipa respondeu bem, com duas boas exibições, sendo no Estádio da Luz ainda melhor, porque temos o extra que nos empurra para a frente e que nos deu aquilo de que necessitávamos nos jogos. E a equipa também ajudou a que o ambiente fosse bom. E os sete dias acabam por ser bons nesse aspeto. Tivemos uma pausa a seguir ao jogo com o Celtic e depois uma boa semana de trabalho até hoje, que nos permitiu estarmos novamente juntos, trabalharmos alguns aspetos que, para nós, são importantes. Alguns estiveram bem ou muito bem nos últimos jogos, mas há outros que não estiveram tão bem. E permite-nos ter tempo de trabalho, dar o descanso necessário aos jogadores, a recuperação necessária também e preparar da melhor forma o jogo que aí vem", explicou.
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A profundidade do plantel encarnado tem permitido introduzir alterações sem comprometer a resposta competitiva, mas Marco Silva alertou que o atual número de indisponíveis reduz a margem de escolha para o embate de Nicósia.
"Houve uma semana limpa, normal, para podermos trabalhar. O que aí vem será um calendário muito carregado mesmo para nós. Infelizmente, em algumas posições não será tão fácil, porque, neste momento, temos cinco, seis jogadores fora que, naturalmente, eram jogadores que poderiam começar o jogo, assim eu o decidisse amanhã [quinta-feira]. Estamos a falar de muitos daqueles jogadores que começaram, por exemplo, o jogo com o Milan, alguns começaram o jogo também com o Celtic e não estarão presentes amanhã [quinta-feira], infelizmente para nós. Em termos de soluções, não teremos tantas para poder rodar. Mas o foco é este jogo, é o mais importante. E, se tivermos de fazer alguma rotação na equipa, é sempre com o objetivo de termos a equipa fresca e, ao mesmo tempo, conseguirmos ter a equipa também fresca para o jogo seguinte. Mas não há que pensar muito à frente, sinceramente, senão vamos perder aquilo que é o mais importante para nós, que é o jogo seguinte. Pensar no jogo de amanhã [quinta-feira], ambição total no jogo e nos três pontos", vincou.
Destacando as duas vitórias do Omonia nas duas primeiras jornadas da fase de liga da Liga Europa, o treinador do Benfica garantiu que o adversário chega a este jogo com argumentos que merecem total respeito.
"Em primeiro lugar, a dimensão que tem no seu país. No seu Campeonato, é a equipa de maior dimensão, a equipa que tem um historial maior também, com uma massa adepta fervorosa. Recebendo uma equipa grande europeia, naturalmente esperamos um ambiente normal neste tipo de jogos para a equipa da casa. Uma equipa que ganha dois jogos a começar a fase de liga da Liga Europa tem de ser uma equipa com qualidade. Nós analisámos, tivemos esse cuidado de analisá-la bem. Uma equipa que, no seu primeiro jogo em casa, fez uma exibição muito boa com o Celta de Vigo, uma equipa de qualidade da Liga Espanhola, e receberam-na e ganharam com justiça. Uma equipa que mostrou nesse jogo qualidade com bola, uma boa qualidade na sua organização ofensiva. E depois ganhou mais um jogo fora de casa. E não se ganham jogos nas competições europeias fora de casa de uma forma fácil. Portanto, tem seis pontos, é porque tem qualidade para isso, tem demonstrado essa qualidade. E nós temos de ser muito sérios, muito rigorosos e, acima de tudo, mostrar aquelas que têm sido as nossas grandes características: a ambição que metemos em todos os jogos, a nossa qualidade, a nossa organização, para podermos estar preparados para disputar o jogo no máximo que conseguirmos, para ganhar", perspetivou, antes de seguir para a conferência de imprensa no adidas Benfica Campus.
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Antes de mais, tentar perceber como é que está a situação de Leandro Barreiro e de Jhon Durán, se conta com eles, se estão em dúvida. Eles não treinaram hoje [quarta-feira]. E, relativamente a isso, também do lado estratégico do jogo, se, por exemplo, Jhon Durán não estiver disponível, se é quase obrigatório, entre aspas, utilizar o Pavlidis como titular. Nesse sentido, vai fazer ou não muitas rotações na equipa em relação ao último jogo?
Em relação aos jogadores que estarão fora, a acrescentar àqueles de que vocês já têm vindo a ter conhecimento, não há muito a acrescentar. O Banjaqui não estará presente. O Enzo [Barrenechea] também não. O Kamiński está mais perto, mas também não estará presente para o jogo. E, nos dois últimos casos, a questão do Leandro [Barreiro], que estará de fora também, e o [Jhon] Durán. Ou seja, é um número elevado. Infelizmente para nós, num momento importante e de densidade competitiva que vai aumentar bastante após a última paragem. Tivemos agora os últimos dois jogos com uma semana completa e limpa para preparar o jogo com o Omonia. E, depois, serão praticamente jogos de três em três dias. É importante ter a profundidade suficiente para podermos tomar as decisões que achamos as melhores para a equipa em cada momento em que iremos competir. Em algumas posições, não há que escondê-lo, não será tão possível como foi em semanas anteriores. É a realidade. Num momento particularmente denso em termos de jogos, não a iremos ter. Estamos cá nós para arranjar soluções. Alguns jogadores estão preparados e terão de ser mais sobrecarregados. É o que é. Em relação à outra questão do avançado, quem é que irá jogar ou não, se será o Pavlidis, amanhã [quinta-feira] irão ver, mas acho que são conclusões fáceis para vocês tirarem. Se iremos rodar mais ou menos, terão de esperar por amanhã para saber qual será a nossa decisão em termos da equipa que irá começar contra uma equipa de qualidade, uma equipa que, percebo, não tem o nome de outras, mas que começou muito bem a Liga Europa e, por isso mesmo, tem seis pontos, como nós.
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"O jogo é importante para nós. No que tivermos de fazer de rotação, acredito que a equipa irá responder bem, como tem respondido nos outros jogos em que o temos feito"
Marco Silva
No meio-campo, agora sem Leandro Barreiro – também já não tinha Enzo Barrenechea – fica mais complicada esta gestão, agora com este jogo e depois, na segunda-feira, logo com o Santa Clara, uma das equipas que têm melhor pontuação na Liga? Acha que pode ter alguma consequência ou, na sua cabeça, já pensou o que é que vai fazer nos próximos tempos?
Já pensei no que é que vamos fazer amanhã [quinta-feira]. Independentemente de ter algumas horas até ao jogo e podermos tomar algumas decisões, continuar a analisar e decidir o que será melhor, as decisões para amanhã estão mais ou menos tomadas. Uma ou outra alteração que podemos fazer, mas, em relação ao resto, não. Basta vocês pensarem que, há nem 48 horas, o Leandro [Barreiro] estava na minha cabeça para jogar e amanhã não irá jogar. Portanto, não adianta muito estar a fazer aqui muitos desenhos para aquilo que serão os próximos jogos, porque depois poderemos ter algumas novidades pelo meio e acaba por sair furado esse plano. Portanto, o jogo de amanhã, sim, é o mais importante para nós. Queremos ter uma equipa minimamente fresca nesse jogo. Não escondemos, e não vou estar a dizer que não é importante o que virá a seguir. Eu disse há pouco que a densidade será enorme e será muito intensa até à próxima paragem. Mas o jogo de amanhã é importante para nós e, no que tivermos de fazer de rotação, acredito que a equipa irá responder bem, como tem respondido nos outros jogos em que o temos feito. Temos feito, de uma forma regular, alguma rotação em algumas posições em que, para nós, é importante fazê-lo. Se calhar, para amanhã, em algumas não será possível. Falou da zona do meio-campo. Quando temos algumas lesões em jogadores importantes para nós, acaba por ser mais complicado. Estamos a falar do Leandro [Barreiro], que é um jogador que tem sido muito importante para nós. O Enzo [Barrenechea] teve um começo muito bom e a competitividade entre ele e o João [Palhinha], tendo sempre o Manu também, acaba por ser boa para os dois, acaba por ser boa para mim, para nós enquanto equipa, para mim enquanto treinador. Não tendo o Enzo já por um bom período e agora com o Leandro, fica difícil. É uma oportunidade também para outros jogadores jogarem, possivelmente para alguns jovens da nossa formação que têm estado connosco a trabalhar estarem com a equipa. E esse será o caminho que temos de percorrer.
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"De uma forma geral, a equipa tem mostrado aquilo que é a identidade. Tem jogadores que 'compraram' claramente a ideia daquilo que lhes foi apresentado. Temos sentido que a equipa está a ir no caminho certo"
No jogo com o FC Porto, o Marco disse que a única resposta que o Benfica tinha de ter era continuar a trabalhar para ter a identidade que quer. Depois da goleada frente ao Celtic, disse que pareceu fácil, mas de fácil não teve nada. O Marco não é de muitos sorrisos. O que quero saber, ao dia de hoje, é: qual foi o jogo do Benfica que já fez Marco Silva sorrir, por sentir que foi o jogo em que o Benfica foi mais aquilo que Marco quer que seja?
Sinceramente, em muitos dos jogos que já jogámos. Em muitos. Não consigo dizer só um. Falou de um jogo, por exemplo, em que nós perdemos e que nos custou bastante perder. E, na primeira meia hora, sinceramente, eu vi e gostei muito do Benfica que esteve naquele jogo. Sem dúvida absolutamente nenhuma, de tudo aquilo que nós demonstrámos. E a palavra que eu tenho usado muitas vezes convosco é uma palavra de que eu gosto, que é a identidade. Disse claramente aquilo que é a identidade que nós queremos para a nossa equipa, para o nosso clube, quando se está a jogar um jogo de futebol. Portanto, é difícil dizer só um. Nós tivemos jogos muito bons, alguns resultados expressivos e, em alguns desses resultados, a exibição até nem foi tão completa. Olhando mais para aquilo que foi recente, a primeira meia hora com o Vitória SC foi de grandíssima qualidade, após uma paragem grande para as seleções. Mesmo de grande qualidade. Nós tivemos a primeira parte com o Celtic de grandíssima qualidade também, de uma forma completa. E depois temos oscilado, em alguns momentos, com algumas coisas que nós temos de melhorar. Não lhe vou precisar só um jogo. De uma forma geral, sinto que a equipa continua a melhorar. Há um caminho longo para percorrer ainda, um caminho de muita melhoria, para sermos consistentes, termos a capacidade de, não sendo fácil, não oscilar tanto entre primeiras partes de grande nível e depois, em alguns momentos, deixar o jogo partido. Coisas que, para nós, enquanto equipa técnica, são muito importantes. Mas, de uma forma geral, dizer que a equipa tem mostrado aquilo que é a identidade. Tem jogadores que compraram claramente a ideia daquilo que lhes foi apresentado desde a primeira hora. Compraram, entre aspas, como é lógico. Temos sentido que a equipa está a ir no caminho certo. Estamos só nos primeiros meses da temporada. Muito para melhorar, sem dúvida. Um caminho longo a percorrer. Olhar jogo a jogo, perceber o que é que cada jogo nos pede e ter as respostas para isso mesmo.
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"De vez em quando dou-vos uma novidade. Posso avançar essa mesma: irá começar amanhã o jogo, o Claudio [Echeverri]. Estou muito otimista com a resposta que poderá dar"
Pergunto-lhe como é que um treinador evita, talvez, algum relaxamento da equipa amanhã [quinta-feira], porque o adversário, lá está, pode não parecer um grande nome desta Liga Europa e o Benfica já tem seis pontos. Pode haver, eventualmente, algum relaxamento da equipa? E também em relação a Echeverri: ele tem saído bem do banco, Marco Silva tem-no lançado a partir do banco. Quando é que acha que ele está preparado para ser titular?
De vez em quando dou-vos uma novidade. Posso avançar essa mesma: irá começar amanhã [quinta-feira] o jogo, o Claudio [Echeverri]. Tem entrado muito bem, como disse. Independentemente de não ter ido à seleção naquele período, porque veio de uma pré-época em que praticamente não competiu, aquelas duas semanas, duas semanas e meia connosco aqui, mesmo só tendo seis, sete jogadores, acabaram por ser importantes para ele, para melhorarmos a sua condição física e o entendimento daquilo que é o nosso jogar e a forma como queremos estar com e sem bola. E foi muito importante para ele. Mas, mesmo antes disso, ele tinha dado, nos poucos minutos que tem tido dentro de campo, respostas com que eu, sinceramente, tenho ficado bastante satisfeito. Não nos podemos esquecer de que é mais um jovem. Nós temos vindo a falar muito aqui do Prestianni e de outros jogadores. Estamos a falar de mais um jovem de 20 anos que, nos jogos, tem entrado sempre com uma grande personalidade e que tem conseguido fazer isso. E agora é perceber a resposta. Estou muito otimista com a resposta que poderá dar, mas é perceber a resposta começando um jogo a titular, porque tem características muito próprias que nós apreciamos e que, em posições mais adiantadas, podem fazer a diferença. Em relação ao estarmos mais relaxados ou não, não há como estar num clube... Primeiro, da forma como nós trabalhamos, não há permissão para isso. Se alguma vez sentir que está a acontecer, compete-me a mim, em primeira instância, não deixar que isso aconteça. Por vezes, não é tão fácil entrar na cabeça dos jogadores como nós queremos, mas compete-me a mim primeiro. Ninguém me tem dado sinais disso, sinceramente. E, sendo justo com este grupo de trabalho, ninguém me tem dado sinais disso. Se nós tivermos de abanar de vez em quando, também o fazemos. E não há que o fazer... Sinceramente, a este nível é quase impossível isso acontecer. Quando nós podemos estar um pouco mais calmos, vocês, da vossa parte – não diretamente vocês, vocês fazem o vosso papel também –, nos últimos três, quatro dias, as notícias que foram saindo do Benfica foram um bocado para não deixar que isto esteja tão calmo assim. Senti que, nos últimos quatro, cinco dias, nós vendemos jogadores, metemos jogadores à venda, contratámos, recomprámos jogadores, agarrámos jogadores... Foi um pouco de tudo. Sem Campeonato durante o fim de semana, e foi um pouco de tudo o que aconteceu durante quatro dias com o Benfica. Portanto, o Benfica nunca é um clube que pode estar... Eu não quero também, não quero que esteja relaxado de todo. Mas acabam por ser notícias, sinceramente, algumas delas sem fundamento absolutamente nenhum. Mas é o que é, é a realidade, é o vosso trabalho e nós respeitamos. Apesar de, sinceramente, uma delas ter acabado por ser dura e um pouco injusta para o Trubin. Quando, num dia, vimos trabalhar e a capa de um jornal é "Vende-se Trubin", parece que estamos a falar um bocado aqui de mercadoria. Para já, é uma notícia... Não sei se irá, se iremos renovar, se irá ser vendido daqui a alguns anos ou não. Mas é uma notícia que me parece, a mim, um bocado dura para um jogador que não tem feito mal a ninguém. Tem tido sempre um comportamento muito profissional desde que está no Benfica, independentemente de jogar muito bem, jogar menos bem, estar a jogar a titular ou o treinador não o meter a jogar a titular, que tem sido o caso em alguns momentos desde que eu cheguei ao Benfica. O seu profissionalismo tem sido muito grande. E ver uma capa daquelas no jornal, num momento até em que ele tinha jogado um jogo e possivelmente irá jogar o jogo de amanhã... Do Benfica não saiu de certeza, porque, se saísse, era muito pior. Todas as conversas que temos tido com a Direção são no sentido contrário até. Portanto, acaba por ter um efeito que não é justo para um jogador de futebol. Uma coisa é tirarem-se conclusões: o Trubin está a jogar menos, se calhar o Benfica vai olhar para isto ou vai olhar para aquilo. Outra coisa é pegar-se numa capa de jornal e meter-se "Vende-se Trubin". Isso, a mim, parece-me muito injusto para ele. Mas, respeitando quem deu a notícia, porque é o trabalho deles também, a mim pareceu-me injusto e compete-me também fazer aqui um bocado esta defesa do jogador. Ele sabe o que nós pensamos, jogando ou não. Mas parece-me que é justo fazê-lo. E, por isso, não há relaxamento. Nós não permitimos, vocês também não permitem e é a grandeza do Benfica.













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