"O Benfica dominou o jogo todo"
Marco Silva mostrou-se satisfeito com a forma como a equipa do Benfica se apresentou no embate com o Estoril, no qual conquistou os 3 pontos (2-1), num duelo de "domínio total das águias", referente à 4.ª jornada da Liga Betclic, disputado na segunda-feira, 31 de agosto, no Estádio da Luz.
Antes de responder às questões dos jornalistas na sala de imprensa, Marco Silva enalteceu, em entrevista rápida à BTV, a paciência e a capacidade do Benfica para encontrar soluções perante a organização defensiva do Estoril, que chegou a apresentar uma linha de 6. O treinador considerou inteiramente justo o triunfo encarnado, embora tenha lamentado mais um golo sofrido num encontro em que o adversário criou escasso perigo.
"Nós tentámos colocar quantos mais jogadores podíamos, não de uma forma excessiva também, na linha do adversário. Nós, durante a semana, fomo-nos preparando para uma possível linha de 5. Acabou, por alguns momentos até, se vocês analisarem, por ser uma linha de 6, muito mais do que uma linha de 5. O Leandro [Barreiro] a ser marcado por trás e a jogarem praticamente com uma linha de 6 na defesa, a dar completamente largura, a tentar, ao mesmo tempo, contrariar alguns movimentos nossos entre lateral e central, mas também no um contra um, principalmente no nosso corredor esquerdo. Foram conseguindo isso. Nós temos de ter a capacidade e a paciência para jogar este tipo de jogos. Não é que todas as equipas o irão fazer, mas o Estoril decidiu fazer e nós sabemos que essa é uma organização, muitas vezes a jogarmos praticamente nos últimos 30 metros, e é importante a bola circular rápido. Eu acho que encontrámos, em alguns momentos, mesmo por dentro, alguns jogadores, quer o Sudakov, quer o Prestianni, em alguns momentos. Não tanto o Rafa no corredor direito, mas principalmente no corredor esquerdo, com o Dahl a chegar como terceiro homem e criámos algumas situações. Na minha opinião, a chave estava muitas vezes no Dahl vir como terceiro homem no corredor esquerdo, foi dali que fomos criando alguns problemas. A vitória da nossa equipa é totalmente justa, acho que não há dúvidas para ninguém. Preferíamos que tivesse sido sem sofrer um golo como sofremos... O adversário praticamente fez dois remates enquadrados e faz um golo. Este princípio de temporada tem sido positivo, a equipa está a crescer, mas tem sido um bocadinho a nossa história: os adversários praticamente não criam nada e acabam, numa ou noutra situação em que vão à nossa área, fazer golo. Tem sido um pouco isto, mas a realidade é que a nossa equipa fez 2 golos e criou mais. Não foi um jogo em que criámos mais de 10, 15 oportunidades, como muitas vezes temos criado, ou situações de perigo, como temos criado, mas, mesmo a ganharmos por 2-0, o Estoril não abdicou da organização que tinha, não quis subir mais o seu bloco para tentar pressionar-nos. Jogou praticamente sempre em 30 metros, mesmo a perder 2-0 e, nestes momentos, nós temos de ter paciência e evitar o mínimo de risco para não lhes dar aquilo que eles procuravam: um contra-ataque. É isso que temos de ir fazendo e não ter problemas em ter a bola. Acima de tudo, é fazê-la circular de uma forma mais intensa para poder encontrar os espaços que queremos", analisou.
No plano individual, Gonçalo Moreira voltou a merecer minutos e Marco Silva clarificou o enquadramento que idealiza para o jovem jogador. Pelas suas características, o técnico vê-o essencialmente em zonas interiores, como terceiro médio ou segundo avançado. "Sim, será sempre naquela posição. Não o vemos de todo como um ala. As características que queremos para os alas, tirando o Rafa, que é um pouco diferente de todos os outros, são de jogadores que normalmente têm de ter capacidade de aceleração, [capacidade de] um contra um, esse tipo de aspetos. Não é muito o perfil do Gonçalo. O seu espaço, acredito que, quer ao nível da equipa B, onde tem jogado, quer quando tem este tipo de oportunidades connosco, será sempre um jogador para ser um terceiro médio ou segundo avançado, num 2-1 ou num 1-2, como temos vindo a jogar. E será muito mais por aí do que noutra posição", esclareceu.
João Palhinha estreou-se de águia ao peito e acabou por permanecer mais tempo em campo do que inicialmente estava previsto. Satisfeito com os primeiros sinais dados pelo novo médio do Glorioso, Marco Silva ressalvou que há ainda um processo de crescimento físico e de assimilação das dinâmicas coletivas pela frente. "Em relação ao João, não era previsto que jogasse tanto tempo, até pelas boas exibições que o Enzo [Barrenechea] tem vindo a ter. Por isso mesmo começou novamente o jogo. O João vai melhorar muito fisicamente em relação ao que tem neste momento, mas, acima de tudo, naquilo que é o entendimento do que é a nossa forma de jogar. Independentemente de me conhecer bem, vai ter de melhorar muito, perceber bem os caminhos, conhecer melhor os colegas, perceber, em alguns momentos, a forma como o adversário nos vem pressionar. Tem de perceber a forma como nós nos vamos posicionar também, onde queremos levar o jogo. E ele vai ter tempo. A próxima semana é boa para nós, porque depois começamos a jogar outra vez de três em três dias. Esta semana vai ser boa para isso, para ele perceber melhor e conhecer melhor a identidade da equipa e os seus colegas também. Mas acaba por ser uma estreia positiva, em alguns momentos sentiu-se aquilo que ele pode dar. Com bola, naturalmente, vai ter de entender melhor e perceber os caminhos que nós queremos para chegar às zonas mais ofensivas", perspetivou.
Com o resultado apertado na reta final, o Estádio da Luz fez-se ouvir em uníssono. Marco Silva enalteceu a reação dos Benfiquistas e a influência que o apoio vindo das bancadas teve na equipa para segurar 3 pontos que considera particularmente importantes.
"Sem dúvida. Não é que o Estoril tenha criado mais alguma oportunidade após o 2-1, mas um 2-1, a 10 minutos do fim, cria sempre alguma ansiedade no estádio e sentiu-se isso no momento. Mas depois tiveram uma reação à Benfica, como têm de ter. Sentiram que o Estoril acreditou e eles fizeram com que os nossos jogadores acreditassem ainda mais. E, se havia alguma dúvida naquele momento do que é que poderíamos ou não fazer, apesar de não ter de haver dúvidas, nós tínhamos de continuar a ser a equipa que tínhamos sido até ao momento. Os adeptos fizeram a parte deles e bem, criaram o ruído e o envolvimento com a equipa que era necessário naquele momento. Eles sabem perfeitamente que vai haver momentos em que vamos ganhar de uma forma confortável e outros, como hoje aconteceu, em que o resultado não foi tão dilatado, mas são 3 pontos importantes para nós. Era muito importante para nós ganharmos, depois de mais um jogo na última quinta-feira. Agora, é descansar, preparar uma semana de 3 jogos e 9 pontos em disputa para nós", enalteceu.
| Três pontos num jogo de controlo total | ||
| "O Benfica dominou o jogo todo. É óbvio que sofremos um golo perto dos 80 minutos e que faz o Estoril acreditar um pouco. O Estoril faz, durante o jogo todo, 2 remates, faz 4 remates no total, 2 remates enquadrados com a baliza. Temos vindo a ganhar jogos e temos vindo a crescer como equipa, mas tem-nos acontecido muitas vezes esta situação, praticamente num remate à nossa baliza, numa situação, acabam por fazer golo. Foi o que aconteceu hoje novamente. 75, 80 minutos de um controlo total do jogo contra uma equipa a jogar nos seus últimos 30 metros. Respeitou claramente aquilo que é a nossa qualidade e a forma como temos vindo a jogar. Alterou para uma linha de 5. Percebo que, no princípio da época, não tem jogado possivelmente porque também não tinham jogadores suficientes na linha defensiva para o fazer. Hoje alterou para uma linha de 5. Em alguns momentos, praticamente a jogar com uma linha de 6, porque mesmo o Leandro [Barreiro] foi marcado por trás. E, em muitos momentos, praticamente com uma linha de 6, a dar a largura total para quebrar um pouco aquilo que têm sido os nossos movimentos entre lateral e central. E o nosso um contra um no corredor também. E nós tomámos conta do jogo. Não criámos aquele número de oportunidades que temos vindo a criar, mas parece-me que criámos as suficientes ainda para marcar mais golos. Fizemos um golo num bom momento para nós, já com a 1.ª parte a ir para os últimos minutos. E depois, mesmo a seguir ao golo, acabámos por ter mais duas oportunidades claras para fazer ainda antes do intervalo o 2-0. Fizemos o 2-0 e o jogo está completamente controlado pela nossa equipa. No momento em que eles marcam, acaba por lhes dar algum alento. Acabámos por controlar o jogo, como falou, cerrar os dentes. A equipa acabou por se organizar e acabou por controlar o jogo até ao final. Três pontos importantes para nós. Era importante para nós, no primeiro jogo com os nossos adeptos em casa, no Estádio da Luz, ganhar. Foi o que conseguimos fazer. Agora é descansar e preparar a próxima semana, com mais 3 jogos numa semana para nós e 9 pontos em disputa." |
| "Palhinha vai-se adaptar ao que nós queremos" | ||
| "Em relação ao Enzo [Barrenechea], foi uma entrada forte e até foi uma entrada dele. Depois há ali um choque com o jogador, fica meio condicionado e acaba por ter mais um choque e estava com muitas dificuldades para continuar no jogo. E precipitou-se aquilo que era a possível estreia ou não do João [Palhinha] no jogo de hoje. Sinceramente, não esperávamos que fosse tão cedo durante o jogo, mas, por essa mesma razão, ele estava nos convocados. E, se fosse necessário, iria acabar por entrar. Ainda está a conhecer muito o que são os seus colegas, as dinâmicas da equipa. Independentemente de me conhecer bem a mim e algumas dinâmicas, naturalmente, em alguns momentos pedimos coisas diferentes. E ele vai precisar do seu tempo, principalmente com bola, para perceber o que é que nós queremos e o que é que nós pretendemos em cada momento. Sem bola, acabou por dar à equipa, em alguns momentos, aquilo que ele pode dar e que é diferente, em termos de perfil, de outros jogadores que temos para a posição. Mas, em relação ao Enzo [Barrenechea], tinha começado o jogo novamente muito bem e estava bem no jogo. O João [Palhinha] deu continuidade. Diferente perfil, mas deu continuidade com a sua capacidade de reagir, a sua capacidade e agressividade, no bom sentido, naquele momento. Com bola vai melhorar de certeza e vai-se adaptar àquilo que nós queremos e à nossa identidade. E, principalmente, os colegas também começarem a percebê-lo, ele começar a perceber os colegas, vai demorar o seu tempo. Mas, pronto, aconteceu com mais minutos hoje do que era previsto. Mas foi bom, acabou por ser bom para ele perceber também e sentir o estádio. Perceber o que as pessoas esperam dele. Percebeu-se pela sua entrada e é sempre bom para um profissional e para um jogador sentir isso. Em relação ao Enzo [Barrenechea], não falei ainda com o Departamento Médico, mas parece-me que não seja nada de grave. Apesar do choque, que foi forte, não me parece que seja nada de grave." | ||
| "Uma estreia positiva" | ||
| "Não vou fazer comentários sobre o Homem do Jogo. É uma decisão de quem a tomou. O João [Palhinha] teve uma estreia positiva, numa situação em que ele ainda tem pouco conhecimento dos colegas. Também pela sua experiência, acabou por perceber bem aquilo que era preciso em alguns momentos do jogo. Não tem vindo a trabalhar no posicionamento que hoje demos, no começo do jogo, ao Enzo [Barrenechea] sem bola e depois, posteriormente, ao João [Palhinha] também. Adaptou-se bem. No princípio, naturalmente, algumas indecisões, mas depois, com o desenrolar do jogo, já não se viu tanto. E teve uma exibição positiva, como outros atletas também tiveram uma exibição individual positiva. Para nós, o mais importante é sempre o coletivo. Acabou por ser uma exibição positiva, não exuberante, definitivamente não exuberante, mas uma exibição positiva da nossa equipa. E fica ali um bocadinho o gosto menos... não tão bom quando sofremos o golo e cria alguma instabilidade, mas mais nada. O Estoril também não criou. Três pontos para nós importantes." | ||
| "Sudakov é titular porque eu decido" | ||
| "Sudakov mantém-se a titular porque eu, como treinador do Benfica, decido que ele tem sido o titular naquela posição. Compreendo a sua análise. Eu não vejo só o comportamento e aquilo que são as exibições de um jogador naquela posição só nesse aspeto, que são os números de que me falou. Independentemente... não sei se foi há 8 dias, se foi há mais, que eu disse aqui que é uma posição em que tem de apresentar números, sem dúvida. Quando se joga como terceiro médio ou segundo avançado, ou o que lhe quiserem chamar, mais um terceiro médio numa equipa que tem um caudal ofensivo enorme, e falou do número de golos grande que tem tido, é importante haver impacto nos golos. Não tem acontecido. Hoje acabou por acertar na barra também, não tem sido muito feliz nesse aspeto. Mas não é só por aí. E, respondendo à questão, é titular porque eu decido. E, se eu tenho decidido, é porque ele tem dado sinais durante a semana de que pode ser o titular. Já vos falei várias vezes, eu não quero estar sempre a bater na mesma tecla. O Rafa pode ser um jogador de corredor interior, um jogador para jogar mais naquela posição 10, muito mais que um duplo pivô do que propriamente como um terceiro médio. Duplo pivô e depois ele à frente, numa situação diferente, poderá ser uma situação que iremos utilizar. Podemos, como já fizemos em alguns momentos de alguns jogos, experimentar também com o Prestianni. Fizemos hoje com o Gonçalo [Moreira]. Estamos à procura de soluções diferentes do Sudakov, se assim eu entender começar os jogos dessa forma. Não temos um jogador... não estou a dizer que temos um jogador de perfil igual, mas não têm de ser todos iguais, porque muitas vezes é melhor ter jogadores também de perfis diferentes para nos darem coisas diferentes. Até hoje temos decidido que tem sido o Sudakov a começar naquela posição." |
| Reagir à adversidade "ainda mais forte" | ||
| "Não é por sofrermos um golo que tem de se criar uma ansiedade tremenda ou que a equipa tem de criar ansiedade em si mesma. Não é positivo, tínhamos o jogo todo controlado, mas não é por isso que temos de alterar alguma coisa. E, possivelmente, naquele momento ainda temos de ser mais fortes do que estávamos a ser até então. É o momento de nós assumirmos aquilo que é a nossa qualidade. Sofremos o golo e é um golo em que mantínhamos o resultado positivo para nós, mas, possivelmente, teríamos de ir à procura do terceiro, mas, acima de tudo, não sofrer. Não senti a equipa a recuar totalmente ou coisa do género. Senti o Estoril a acreditar um pouco mais, simplesmente isso. E é importante para nós percebermos que, se acontecer algo no jogo que nos faça não estar tão confortáveis, é o momento de reagirmos ainda mais forte, sermos ainda mais equipa e reagirmos mais forte. Naturalmente, criou-se ali um ambiente, o estádio também sentiu, mas há que realçar depois a reação dos adeptos. Foi uma reação importante. Naqueles últimos três, quatro minutos, claramente senti os adeptos a colarem-se à equipa, a puxarem pela equipa. Isso foi bem audível naquele momento e isso é o que eu retiro muito mais. Independentemente de algumas reações dos adeptos à entrada do João [Palhinha], naturalmente é um jogador que apreciam muito e queriam ver no Benfica. Portanto, é sempre importante, muito mais do que para mim, mas é muito importante para os jogadores sentirem este carinho, porque serão sempre melhores, terão mais confiança sentindo o carinho que os adeptos têm por eles. Para mim, fica muito mais na minha retina aquilo que foi a reação do estádio no momento em que o Estoril faz... não logo após o momento, mas nos últimos 5 minutos, a forma como o estádio reagiu, como começaram as bancadas a puxar pela equipa novamente. E acabou por ser muito importante. Isso é o que eu retiro realmente do jogo e aquilo que foi a postura da nossa massa adepta." | ||
| Dahl e a "chave do jogo" no corredor esquerdo | ||
| "É um jogador inteligente, e eu concordo: tem vindo a subir, não só fisicamente, como é normal no princípio da temporada, mas, acima de tudo, por aquilo que nós queremos que ele dê à equipa. Em alguns momentos, pela projeção que estamos a dar ao Bah no corredor contrário, sempre muito projetado, e depois, numa primeira fase de construção, na forma como o usamos e, como disse bem, poder partir de uma linha mais atrasada para depois ser o terceiro homem a chegar no nosso triângulo do corredor. E a chave, na 1.ª parte, eu senti que estava muito por ali. Não fomos tão acutilantes no corredor direito, faltou-nos um pouco mais daquilo que têm sido as nossas combinações no corredor direito. O Estoril, como eu disse, acabou por marcar quase individualmente o Leandro [Barreiro] e fez uma linha de 6. Tentou bloquear bastante aquilo que são as nossas dinâmicas no corredor. Conseguimos mais vezes pelo corredor esquerdo e muito pelo terceiro homem que foi aparecendo, que foi o Dahl, numa linha mais atrasada. E estava aí a chave do jogo, na minha opinião. Sempre que conseguimos quebrar o médio-ala da linha de quatro médios do Estoril, ele conseguiu depois criar a superioridade juntamente com o Sudakov e o Prestianni. E fez um jogo positivo. Esteve perto por duas vezes, numa boa finalização de fora da área, boas situações. Mesmo uma situação, numa reação após um canto ou um livre, cria uma situação pelo corredor direito. Mais um jogo positivo. Está a entender cada vez melhor aquilo que pretendemos quando está mais baixo e mais subido no terreno. E depois, naturalmente, tendo extremos que conseguem tirar os jogadores da frente, conseguem ser fortes num um contra um, ele, vindo numa linha mais atrasada, vai acabar por criar a superioridade que nós queremos. E concordo, um jogo bastante positivo do Dahl." | ||
| El Karouani: "Não é jogador do Benfica, ainda não vou responder" | ||
| "Eu não vou entrar por aí, porque o jogador não é oficial, ainda não está anunciado pelo Benfica. E eu, como sempre tenho feito... esperem mais uns dias, podem fazer essa pergunta daqui a alguns dias e terei todo o gosto em responder em relação a essa situação. Não é jogador do Benfica ainda, não vou responder." |













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