"A grandeza e identidade do Benfica têm de falar muito mais alto do que um jogador"
Na antevisão ao Benfica -Estoril desta segunda-feira, 31 de agosto, da 4.ª jornada da Liga Betclic , Marco Silva vincou a ambição das águias de serem dominadoras e conquistarem os três pontos à boleia do fervoroso apoio dos Benfiquistas.
Em conferência de imprensa realizada no Benfica Campus, o treinador destacou a importância do regresso dos Benfiquistas às bancadas do Estádio da Luz em jogos da Liga, enaltecendo o apoio que têm dado à equipa e a influência que podem ter para tornar o Estádio da Luz num "palco muito difícil" para os adversários.
Pela frente, Marco Silva espera um Estoril organizado, com qualidade individual e jogadores capazes de criar perigo, sobretudo do meio-campo para a frente.
Além da análise ao encontro, por entre várias questões relacionadas com o mercado de transferências, o técnico revelou que João Palhinha estará entre os convocados e explicou o que o médio pode acrescentar à equipa.
Ainda sobre a chegada do reforço proveniente do Bayern Munique, Marco Silva sublinhou que a candidatura ao título do Benfica tem de ser assumida de forma natural pela grandeza e identidade do Clube, e que nunca estará condicionada pela chegada de novos jogadores.
O Estoril joga amanhã [segunda-feira] no Estádio da Luz à procura de vencer pela primeira vez no Campeonato. Tendo isso em conta, que tipo de desafios espera por parte do Estoril? E, se me permite, coloco-lhe também a pergunta se vai ser possível amanhã os Benfiquistas verem pela primeira vez o João Palhinha em ação pelo Benfica. Amanhã vai ser possível aos Benfiquistas estarem num jogo no Estádio da Luz para o Campeonato pela primeira vez quase em setembro. Isso é que é a grande novidade e que é algo estranho. Essa é a primeira referência, não indo pela questão do João [Palhinha] ou outro jogador qualquer. Estamos quase em setembro e vai ser a primeira vez que os adeptos do Benfica vão poder ver a equipa a jogar para o Campeonato no Estádio da Luz, porque nos retiraram isso no primeiro jogo. Pela primeira vez em Portugal isso aconteceu e foi connosco. Fomos pioneiros nesse aspeto, se assim se pode dizer. Em relação à questão do João, está nos convocados. Amanhã perceberão se vai jogar, se não vai jogar, se vai ser utilizado. Estamos cá nós para gerir e tomar as decisões como sempre. Eu percebo a questão e em relação aos nossos adeptos também. Estarão lá como sempre e têm sido espetaculares nesse sentido de apoiar a equipa sempre e de fazer do Estádio da Luz aquilo que nós queremos realmente, que nos sentimos em casa e que seja um palco muito difícil para os nossos adversários. Compete-nos a nós, como equipa, fazê-lo e depois os nossos adeptos têm feito a parte deles sem dúvida absolutamente nenhuma. Em relação ao Estoril, um jogo difícil, como são todos, não há que esconder. Jogamos em casa, queremos ser fortes, queremos ser dominadores, queremos ganhar o jogo. Como é lógico, falou dos resultados que eles têm tido, mas estamos no começo da temporada e naturalmente querem reagir. Têm aos poucos também vindo a acrescentar alguns jogadores que têm chegado à equipa, com um treinador também novo. Demora o seu tempo sempre nesse aspeto e espera-nos uma equipa organizada, como é normal nas equipas do Vasco [Matos] e uma equipa que depois tem qualidade, com os jogadores da frente sempre com muita qualidade. Vai ser um jogo que, naturalmente, queremos ser dominantes, mas é uma equipa que do meio-campo para a frente tem vindo a demonstrar nos últimos anos – e não vos estou a dar novidade nenhuma – que é uma equipa que tem sempre muita qualidade individual, tem jogadores muito capazes no momento com bola de ferirem o adversário e naturalmente compete-nos a nós, quer com bola, quer sem bola, estar ao nosso melhor nível para conseguirmos os três pontos, que é o nosso objetivo.
Enfrenta o Estoril, um clube que conhece bem. Que memórias é que tem do seu início como treinador? E de que forma é que o jogo de amanhã é especial também para si?
Muito especial, muito especial. Sendo o mais honesto possível, talvez seja o jogo mais especial para mim, ou o adversário mais especial para mim, se assim posso dizer, porque foi lá onde tudo começou: onde terminou a minha carreira como jogador, onde tudo começou como treinador. Foram muitos anos naquela casa e anos em que me senti realmente em casa. É um clube que foi especial, continua a ser especial e será especial para o resto da minha vida, onde eu tenho muita gente ainda que conheço bem, com quem tive ligações. E o futebol e a nossa vida são um pouco isso, são as memórias que ficam, são as ligações que criamos, independentemente de no futebol – e vocês sabem bem, vocês são os primeiros a levar muitas vezes as conversas para esse lado – o resultado ser o mais importante, ser o que fala mais alto, ser o que tem mais impacto. Para nós que estamos deste lado, acaba por ter também, mas tudo o resto que está por trás disso é o que vai ficar para a vida: são as ligações, são as memórias que temos juntos. E não há dúvida que é um clube muito especial, que são pessoas especiais para mim. Amanhã, depois do apito inicial, isso acaba um pouco e depois, no final do jogo, vêm outra vez algumas memórias. Não vai ser a primeira vez que irei defrontar o Estoril como treinador adversário, já aconteceu, portanto não há aquela questão da primeira vez. Mas não deixa de ser um clube muito especial para mim, com pessoas especiais, em que conseguimos dar àqueles adeptos e àquela gente memórias muito boas.
"Jogamos em casa, queremos ser fortes, queremos ser dominadores, queremos ganhar o jogo" Marco Silva
Tem-se falado nos últimos dias da possível saída de Leandro Barreiro para a Arábia Saudita. Leandro Barreiro tem sido no meio-campo, pelo menos desde que o Marco é o treinador, quase titular indiscutível. Que impacto teria a saída de Leandro Barreiro e se, de alguma forma, vai tentar evitar que essa saída aconteça?
Eu não tenho nenhuma informação de que possa estar perto algum tipo de saída do Leandro. Respondendo o mais diretamente possível à sua questão, o mercado está aberto e eu disse-vos aqui, há poucos dias – tenho falado convosco praticamente de três em três dias –, que, independentemente das nossas intenções, quer para possíveis entradas ou saídas, era tudo muito claro, estava tudo muito claro na nossa cabeça. Mas é impossível dizer-vos a 100% o que irá acontecer num sentido ou noutro. E, neste momento, é o que eu lhes posso dizer: não é 100% garantido que isso não irá acontecer, mas eu não tenho, indo diretamente à questão, porque eu não gosto de estar a individualizar quer possíveis jogadores para entrar ou não, nenhum feedback que possa [indicar] que algo está perto de acontecer. Percebo as notícias que possivelmente vocês têm dado. Também não tenho conhecimento do que vocês têm dado em relação a esse aspeto. Estamos totalmente focados no jogo de amanhã, que é o mais importante para nós. Para mim, como treinador, e para os jogadores também. O Leandro [Barreiro] está completamente focado naquilo que é a sua função. Como vocês sabem, porque vocês também o conhecem bem, é um jogador muito focado, um excelente profissional que temos nesta casa, que dá sempre tudo pela camisola. E, como falou, também tem jogado bem, tem estado claramente a ser um jogador muito importante para nós. Na ausência do Fredrik [Aursnes], ainda mais, porque são jogadores que jogam, independentemente de serem jogadores diferentes, numa posição em que nós iremos utilizar um ou outro a maioria das vezes. E tem estado muito bem, a dar à equipa aquilo que nós sabemos que ele pode dar, com e sem bola. Estamos muito satisfeitos com ele.
Marinakis [presidente do Olympiacos] – certamente um dirigente que conhece bem – disse, e estou a citá-lo, que "pagámos a cláusula do [Gustavo] Puerta e ele não vem, quer ir para o Benfica". Pergunto-lhe muito diretamente sobre Puerta: é um jogador que quer? Sabe se há algum movimento no mercado para que o médio colombiano chegue ao Benfica? E, também dentro desta lógica do mercado, perceber se disse ao Presidente do Benfica que há algum jogador, no seu entender, que é inegociável.
Em relação aos jogadores inegociáveis, vocês sabem a realidade do futebol português, percebem perfeitamente qual é a realidade dos clubes em Portugal. É difícil entrarmos por esse caminho, que há jogadores inegociáveis. É óbvio que, como vocês sabem, chegando ao Benfica, começámos a falar do plantel, daquilo que seria a nossa estrutura como equipa, e havia jogadores, se possível, que não queríamos perder. Não o treinador Marco Silva, mas nós, como Clube, não queríamos perder, e estávamos em sintonia em praticamente tudo, independentemente de estarmos a começar um processo. E, como vocês sabem, muitas vezes é o que está no papel, e a ideia que nós temos num começo, e depois começando a trabalhar com os jogadores, algumas coisas vão mudando, vamos tendo mais certezas, vamos tendo algumas dúvidas, faz parte. Esta é a nona semana, acho, que estamos no Benfica, e naturalmente tem sido um processo de pré-temporada um pouco diferente, que não nos tem permitido treinar tanto, mas, ao mesmo tempo, tem-nos dado a possibilidade de ver os jogadores em mais jogos oficiais também. Há aqui as duas questões, não tão positiva uma, mas outra mais positiva, vê-los em competição, e em situações que só a competição dá, quer para analisarmos, quer para os conhecermos cada vez melhor. Mas, indo diretamente à segunda parte da questão, os jogadores que nós não queríamos perder, não quer dizer que sejam totalmente inegociáveis, porque vocês sabem que alguns jogadores até têm cláusula de rescisão. Portanto, irmos por esse caminho, acaba por ser um caminho perigoso, e uma palavra perigosa de se usar. Em relação à questão do Puerta, ou outro jogador qualquer, não sendo nosso jogador, eu não vou entrar por aí. Comento os nossos jogadores. Falou, e bem, que é um dirigente que eu conheço bem, uma pessoa com quem eu tenho uma relação de amizade, mas, neste caso, não vou entrar por aí, não vou comentar jogadores que não são nossos.
"[Os adeptos] Estarão lá como sempre e têm sido espetaculares nesse sentido de apoiar a equipa sempre e de fazer do Estádio da Luz aquilo que nós queremos realmente, que nos sentimos em casa e que seja um palco muito difícil para os nossos adversários" Não sendo injusto com os treinadores do SC Braga e do Sporting, quando o João Palhinha por lá passou, eu penso que o Marco [Silva] foi o treinador que melhor rendimento conseguiu tirar do João Palhinha. O que eu lhe perguntava era, primeiro, como é que ele chegou, em que condições? E o que é que ele pode dar a esta equipa do Benfica?
Sim, as condições em que chegou, o João [Palhinha], como vocês sabem, independentemente da indefinição em relação ao futuro dele, num princípio, foi sendo utilizado em grande parte da pré-temporada. Até porque, normalmente, clubes como o Bayern [Munique] e outros clubes que têm muitos jogadores que estiveram no Campeonato do Mundo, têm jogadores a chegarem um pouco mais tarde e ele foi sendo muito utilizado, principalmente numa digressão que fizeram – não sei precisar qual foi o país. Depois numa fase terminal, ou seja, quando as equipas se começam a preparar mais, deixou de ser utilizado em jogos de treino, ou seja, há ali um começo que está em competição, pré-competição, um período pré-competitivo, depois deixa de ter jogos de preparação, mas em termos de treino, o feedback que temos e os dados que recebemos foi que ele esteve sempre a treinar, independentemente de não estar a ser utilizado nos últimos jogos de treino. Teve ali um interregno nos últimos três ou quatro dias, que nós tentámos depois recuperar. Quando viajámos para jogar o nosso jogo na Dinamarca, como vocês sabem, ele ficou cá a trabalhar com elementos da nossa equipa técnica, a tentar recuperar aqui algum do tempo perdido. Indo diretamente à questão, não tem ritmo de jogo oficial, teremos de lhe ir dando aos poucos, mas em termos de condição física, é um jogador que, como vocês sabem também, não tem tido grandes lesões ao longo da carreira. É um jogador que tem uma condição física que facilmente vai atingir patamares que são necessários para jogar como nós queremos e à intensidade que nós queremos e à intensidade que o João [Palhinha] tem de jogar, mas só com mais treino com a equipa e com mais jogos é que poderá lá chegar. Em relação ao rendimento que tirámos dele nas duas épocas que teve na Premier League, foi uma experiência nova para ele, uma experiência num futebol que se enquadra muito bem naquilo que são as características individuais do João e, naturalmente, jogando àquele nível – independentemente de ter vindo de um grande clube português para a Premier League –, jogando àquela intensidade, praticamente de três em três dias, faz os jogadores naturalmente evoluírem e atingirem outro tipo de patamares. Adaptou-se bem, teve o rendimento que teve, vocês sabem também. Agora é o momento de ele voltar a Portugal e continuar com esse mesmo rendimento. Em relação àquilo que nos pode oferecer, é um jogador com um perfil claramente de 6, nós temos usado também o Enzo [Barrenechea] nessa posição, são dois jogadores um pouco diferentes. Independentemente do perfil ou da posição onde jogam e o que vão dar à equipa naquele momento, em termos de posicionamento não vai diferenciar de um para o outro, porque é a nossa ideia e a identidade que queremos para a equipa. Depois têm características diferentes. Um jogador um pouco mais técnico, um jogador um pouco mais agressivo, depende depois dos momentos do jogo e qual for o jogo e o plano para o jogo que nós podemos utilizar da forma como acharmos melhor quer um, quer outro. Um jogador também muito forte na bola parada, quer defensiva, quer ofensiva, portanto é um jogador que nos dá características diferentes naquela posição. E deixar aqui bem claro, independentemente dessa questão, e há que ser justo também, realçar aquilo que tem sido a evolução do Enzo [Barrenechea] desde o princípio da temporada, aquilo que tem sido a evolução que tem tido jogo após jogo. E está bem claro nos últimos jogos que o Benfica fez, a forma como jogámos, a forma como fomos dominadores e a forma como em muitos momentos também não oferecemos muito ao adversário. Sei que se tem falado muito da questão dos golos e da forma como sofremos um ou outro golo, mas na realidade, e mais uma vez o último jogo foi um bom exemplo disso, não demos muito ao adversário e isso passa muito por posicionamentos que nós queremos para a equipa e aquela posição é fundamental. O Enzo [Barrenechea], nesse aspeto, tem tido exibições muito boas.
"Realçar aquilo que tem sido a evolução do Enzo [Barrenechea] desde o princípio da temporada, aquilo que tem sido a evolução que tem tido jogo após jogo. E está bem claro nos últimos jogos que o Benfica fez, a forma como jogámos, a forma como fomos dominadores e a forma como em muitos momentos também não oferecemos muito ao adversário" Mesmo antes de o João Palhinha chegar, e agora depois de ele chegar, há muitas opiniões que dizem que o João Palhinha era a peça que faltava para o Marco Silva pôr o Benfica a jogar o estilo de futebol que pretendia e para ser verdadeiramente candidato. O que eu lhe pergunto é se concorda com essa opinião, que o João Palhinha era a peça que lhe faltava para implementar o estilo que pretende no Benfica, e se o Benfica é hoje mais candidato ao título depois da chegada do João Palhinha?
O Benfica, como clube, tem de assumir-se sempre como candidato ao título, independentemente dos jogadores que tenha ou não. Isso aí, eu percebo a questão, que qualquer equipa das três, ou quatro, que lutam ou que podem lutar pelo primeiro lugar ou pelos primeiros lugares em Portugal, todas elas, no papel, têm de ser candidatas ao título. Isso não há que fugir e, quando estamos nesta casa, não há que pensar de outra forma, não há outra possibilidade, e não pode ser um jogador que vá alterar aquilo que é a história, que é a grandeza deste clube e aquilo que são as ambições deste clube. Acho que, para mim, isso é claro e a resposta é muito fácil: dizer que não faz sentido irmos por essa questão em relação ao João ou a qualquer outro jogador que chegou ou que possa chegar. A grandeza, a identidade do Benfica, o seu historial, só por si, têm de falar muito mais alto do que só um ou outro jogador. Em relação ao que as pessoas comentam ou dizem, é a opinião das pessoas, eu não vou entrar por aí. Eu disse, quando me perguntaram na semana passada aqui [na antevisão do Aarhus-Benfica] da equipa de sonho, eu estou muito satisfeito com a forma como os jogadores têm trabalhado. Os jogadores têm estado com uma mentalidade clara, em termos de abertura para novas ideias e para aquilo que nós pretendemos para a equipa. Têm evoluído, não só na nossa forma de jogar e no entendimento daquilo que nós queremos, mas fisicamente a equipa também está a atingir patamares com os quais nós estamos satisfeitos para a forma como queremos jogar. E só se consegue isso com jogadores que estejam abertos para isso e há que realçar aquilo que eles têm feito. Mas perguntaram-me da equipa de sonho e, em relação à sua pergunta, eu vou-lhe dizer de outra forma: é impossível qualquer treinador que se sentasse nesta cadeira, numa janela de mercado já meter tudo perfeito e estar tudo, irmos aqui e começar a embandeirar em arco e coisas desse género. Para o Benfica, como vocês sabem, tem sido um mercado em que nós temos tentado estar ativos o máximo que conseguirmos. Tentar não perder alguns jogadores que são importantes para nós e, naturalmente, alguns perdemos por questões que, lá está, não são controláveis, que, por muito que nós queiramos manter alguns jogadores, nem sempre isso é possível. Por muito que nós queiramos ir buscar outro tipo de jogadores, nem sempre isso é possível. Nós temos de estar bem cientes daquilo que é a realidade do futebol português, daquilo que é a realidade do Benfica. Um ano sem Champions, e vocês sabem que tem um impacto – vocês falam disso – naquilo que é a nossa capacidade, ou não, de reter talento ou de ir buscar fora também. Portanto, tudo isso tem um impacto muito grande e eu ia estar aqui a ir por caminhos ou a embandeirar em arco e dizer que é tudo uma perfeição. Vocês sabem que o futebol não é assim tão fácil e, numa primeira janela de mercado, desde que chegámos ao Benfica, colocar isso já no patamar e as peças já estão todas lá e está tudo perfeito... não vou por aí. Nós temos de ser humildes o suficiente para percebermos os desafios que temos à nossa frente, mas confiantes também para percebermos que temos um plantel que tem de ter as condições para lutar por títulos nesta casa, porque só assim é que faz sentido.
"Nós temos de ser humildes o suficiente para percebermos os desafios que temos à nossa frente, mas confiantes também para percebermos que temos um plantel que tem de ter as condições para lutar por títulos nesta casa, porque só assim é que faz sentido" Nos últimos cinco jogos, o Kamiński não foi utilizado em três e, nos outros dois jogos, jogou menos de 20 minutos. Custou 17 milhões, obviamente que as expectativas são elevadas tendo em conta o preço. O processo de adaptação está a demorar mais do que seria esperado?
Eu vou-lhe fazer duas perguntas: quanto é que custou o Lukebakio, 20 milhões? Quantos minutos jogou nos últimos três jogos? O [Richard] Ríos quanto é que custou também? Quantos minutos jogou nos últimos jogos? E podia dizer mais. Posso dizer também jogadores que custaram um pouco menos. Eu estou aqui para tomar decisões para a equipa que eu acho que são as melhores para jogar a cada fim de semana ou a cada jogo a meio da semana. Esse é o meu papel enquanto treinador e tomo as decisões. Não quero individualizar para a questão do Kamiński. Foi um jogador que acabou de chegar, começou a jogar, depois deixou de jogar, e eu dei-lhes aqui explicações para ser muito claro quando perguntaram em relação – não sei se foi consigo – ao porquê de ele não estar a jogar. Fui muito claro: isto é competição entre os jogadores e quando há jogadores na posição que estão muito bem talvez vocês estejam à espera que eu tire o Prestianni para meter o Kamiński. O Prestianni tem estado a jogar um pouco mal e vocês, se calhar, estão à espera que eu tire o Prestianni da equipa para colocar o Kamiński. Se calhar é isso que vocês esperam da minha parte. Enquanto treinador do Benfica, eu vou sempre tomar as melhores decisões para aquilo que eu acho que é o próximo jogo.
Gostaria de perguntar-lhe pelo sorteio da fase de liga [da Liga Europa], que já se realizou, conhecer as suas expectativas em relação aos adversários – particularmente, em relação ao AC Milan, de Rúben Amorim – e se este sorteio permite ao Benfica consolidar a ambição de passar diretamente à próxima fase?
Independentemente de qual fosse o sorteio, essa era a nossa ambição e não iríamos alterar absolutamente nada daquilo que eram os nossos objetivos antes do sorteio. Depois de vermos o sorteio, e podia ter sido outro qualquer, nós não iríamos alterar aquilo que era o nosso objetivo. Aquilo que nós queremos é claramente estar na próxima fase e ir para uma fase a eliminar. É esse o objetivo. Naturalmente, equipas boas. No pote 1 e no pote 2 equipas com mais qualidade, faz parte, e depois equipas diferentes, de campeonatos diferentes também. Na altura certa iremos analisar convosco um a um e dar-vos o feedback do que é que esperamos de cada jogo. Saltou à vista claramente a primeira equipa que falou pelo historial que tem, pela grandeza que tem também, mas nós vamos encarar todas da mesma forma, com o objetivo de fazer o máximo possível de pontos para estarmos na próxima fase e podermos passar a uma fase a eliminar.
"Passo a passo, a equipa tem melhorado. Eu acho que do primeiro para o segundo jogo existiram logo melhoras e depois, estando num clube desta dimensão, os resultados ajudam a que os jogadores cresçam também, que os jogadores percebam melhor aquilo que é a nossa identidade" O Benfica tem apresentado uma identidade diferente daquilo que vinha apresentando no final da época passada. Pode dizer-se que é uma identidade à Marco Silva, obviamente, porque é o treinador, mas, acima de tudo, este Benfica está a crescer pelos resultados ou por aquilo que tem vindo já a ser identificado e trabalhado dentro do espírito que pretende?
Eu acredito que sejam vários fatores, não há só um. Sem resultados no futebol é difícil, depois, agregar a confiança e ganhar a confiança que é preciso para os jogadores poderem desfrutar e poderem expressar aquilo que são as suas qualidades individuais ao serviço do coletivo, da equipa. Essa é a grande questão. Independentemente de tentarmos fazer as coisas bem, termos uma boa dinâmica, termos a qualidade ou identidade que queremos para a equipa, se depois não estiver alicerçado em resultados, é difícil haver uma continuidade. Depois, começa a haver algumas dúvidas ou a não haver certezas e é importante que nós, quando entramos dentro do campo, tenhamos certezas daquilo que queremos. Depois, podemos ou não conseguir. O adversário pode-nos ou não permitir. Mas é importante termos certezas daquilo que são os caminhos que queremos e da forma como queremos lá chegar, e queremos defender e queremos estar no jogo, em todos os momentos do jogo. E acho que os resultados ajudam a isso. É óbvio que eu me lembro perfeitamente da forma como começámos. Eu disse, na última quinta-feira, após o jogo [com o Aarhus]. A forma como começámos a época, num jogo difícil para nós, e eu também disse, com uma equipa que possivelmente não íamos utilizar muitas mais vezes como onze titular, por vários condicionantes que tinha, mas por muito do que aconteceu. Eu também sabia que possivelmente um ou outro jogador ainda podia sair daquele onze, naturalmente, quando vos falei. Mas, passo a passo, a equipa tem melhorado. Eu acho que do primeiro para o segundo jogo existiram logo melhoras e depois, estando num clube desta dimensão, os resultados ajudam a que os jogadores cresçam também, que os jogadores percebam melhor aquilo que é a nossa identidade. Era importante para nós termos um impacto na massa adepta pela forma como encaramos os jogos – depois, o resultado será uma consequência disso –, como queremos jogar, como demonstramos a nossa identidade e é tudo uma conjugação de fatores da parte mental, da parte da confiança, da parte da identidade da equipa. E, naturalmente, nós estamos aqui para tentar ter os resultados que queremos e, depois, respeitar aquilo que é a nossa identidade enquanto equipa, aquilo que nós queremos para a equipa e a nossa identidade enquanto clube também.













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