"Fomos nós que perdemos"
Contundente, José Mourinho considerou que o Benfica "mereceu perder" o embate com o SC Braga (1-3), após uma "1.ª parte horrível" no jogo da meia-final da Taça da Liga, disputado nesta quarta-feira, 7 de janeiro, no Estádio Dr. Magalhães Pessoa.
Antes de abordar o encontro em conferência de imprensa, o treinador do Benfica analisou as incidências do desafio na zona de entrevistas rápidas à Sport TV e à BTV.
"Peço desculpa ao SC Braga e ao Carlos [Vicens], eu não consigo dizer que o SC Braga mereceu ganhar. Eu tenho é de dizer que o Benfica mereceu perder, que é uma coisa diferente. Fomos nós que merecemos perder, fomos nós que fizemos uma 1.ª parte horrível, com exceção dos primeiros 5 minutos, onde até entrámos bem, criámos uma excelente oportunidade para marcar. Mas a partir do momento em que o João Pinheiro assinalou a grande penalidade, que depois se viu que era fora da área, a partir desse momento, em vez de haver um clique positivo no sentido de não é penálti, continuamos com o resultado em 0-0, acho que houve um clique inexplicável de negatividade, de nervosismo, de qualidade horrível em posse de bola, com perdas de bola absolutamente incríveis, perdas de bolas com sucessivos contra-ataques, com o Zalazar a explorar bem a profundidade no lado direito, com um segundo golo absolutamente inaceitável – e obviamente não inaceitável por parte do Otamendi, que já tinha um cartão amarelo e não poderia acabar com a ação –, mas uma 1.ª parte horrível a todos os níveis: do ponto de vista mental e do ponto de vista técnico. Depois, com tantos erros técnicos, obviamente que também parece que há erros de análise tática – que na minha opinião não é isso que aconteceu –, mas uma 1.ª parte horrível a todos os níveis, inaceitável numa meia-final de uma competição, inaceitável em qualquer circunstância. Eu diria inaceitável nem que estivéssemos a fazer um jogo de pré-época com um dos nossos vizinhos, o Seixal ou Amora, no nosso centro de estágio. Na 2.ª parte, exatamente o oposto – inexplicável também –, com uma equipa que foi corajosa, foi agressiva, começou a ganhar duelos, começou a jogar, começou a meter o SC Braga completamente encostado às cordas. Nós acreditámos, ao intervalo falámos perfeitamente sobre isso, era importante o primeiro golo, e depois a partir daí continuar a apertá-los mais – que foi aquilo que nós fizemos. Depois o terceiro golo, mais uma vez, é um golo absolutamente inexplicável. Quando as minhas equipas estão à procura de virar resultados, refiro sempre: 'OK, OK, temos de virar, mas para virar não podemos cometer erros defensivos.' Com o 1-2 e não muito difícil de virar – estava ali –, fazemos as substituições do Ivanovic e do Cabral [Sidny] para tentar dar mais profundidade, por um lado, e por outro lado mais presença na área, e depois, de uma bola parada longe da área – praticamente, acho eu, encostado à linha lateral –, sofremos o terceiro golo, que no fundo é a cereja no topo do bolo, no sentido de quem merece perder voltou a fazer qualquer coisa para perder", disse.
José Mourinho revelou uma conversa no balneário "num tom crítico e calmo" sem "portas pelo ar" no final do encontro e frisou que "houve performances individuais absolutamente inaceitáveis". "Houve rendimentos individuais muito baixos e que depois se traduzem numa performance coletiva, na 1.ª parte, muito fraca", acrescentou. O técnico dos encarnados criticou ainda a expulsão de Otamendi por acumulação de cartões amarelos. "Não tenho a certeza se João Pinheiro [árbitro do encontro] será assim com todos os capitães das equipas que ele arbitra. Tenho muitas dúvidas de que ele seja assim. Parecia quase vontade de o Otamendi ser expulso [por parte de João Pinheiro], se calhar é bom para o currículo dele expulsar um campeão do mundo quando uma equipa está a perder, quando os jogadores estão um bocadinho desequilibrados emocionalmente. Acho que os árbitros têm de ter uma maneira de olhar... uma coisa é o insulto, outra coisa é a discussão. Expulsar um jogador com um jogo que está praticamente acabado, e nas circunstâncias em que foi, parece-me completamente descabido", defendeu.
José Mourinho confia que os jogadores "possam tirar o melhor de si próprios" nos embates que se seguem, nomeadamente a partir do desafio frente ao FC Porto, na próxima quarta-feira, 14 de janeiro, nos quartos de final da Taça de Portugal, no Estádio do Dragão. "De que os jogadores estão tristes, eu não tenho dúvidas, como é que eles vão reagir a essa tristeza, eu já tenho as minhas dúvidas. Sei como é que eu reajo à tristeza. Tenho algumas dúvidas sobre como é que os jogadores vão reagir, mas vamos trabalhar forte e vamos tentar dialogar com eles, que foi uma coisa que hoje não fizemos. Hoje foi um monólogo, depois do jogo eles não entraram em conversa, não houve diálogo. Entrar em diálogo com eles nos próximos dias e tentar discutir os quartos de final no Dragão, e depois os dois jogos de Champions que temos até ao final do mês. E dar continuidade à nossa luta no Campeonato, sabendo que daqui a duas jornadas, se não erro, há um FC Porto-Sporting, em que obrigatoriamente alguém ou os dois irão perder pontos, e nós, se não perdermos, aproximamo-nos", frisou.
ANÁLISE EM QUE HÁ Unanimidade "Eu acho que há jogos em que as pessoas veem o jogo com olhos diferentes. Cada um vê à sua maneira, e não há unanimidade naquilo que cada um observou. Acho que este é dos jogos em que haverá unanimidade. Acho que é fácil aquilo que tu dizes [um jogo com duas partes distintas], acho que é aquilo que dizemos todos. A 1.ª parte é má demais, inexplicavelmente, para uma equipa que entrou bem. Entrámos bem, a pressionar, a ganhar bola, a criar imediatamente uma grande situação de golo. E depois, inexplicavelmente, com o penálti assinalado, que depois foi anulado pelo VAR, e que devia ser um momento de um boost positivo, que é uma equipa que eventualmente tem um penálti contra, e depois não tem, a partir daí houve um colapso. Do ponto de vista técnico, um desastre. Os jogadores a cometerem erros, do ponto de vista técnico, absolutamente incríveis. Há um período ali de 5 minutos em que três diferentes jogadores ali na zona do meu banco fazem três passes horizontais com bolas perdidas em bloco baixo, quase na zona frontal da nossa área. Cometemos erros incríveis sob o ponto de vista técnico. Depois, do ponto de vista volitivo, emocional, débeis; os duelos, as primeiras bolas, as segundas bolas, débeis. E uma 1.ª parte em que de negativo foi tudo. Não consigo encontrar nada de positivo na 1.ª parte, com exceção dos primeiros 5 minutos. Na 2.ª parte as coisas mudaram completamente, e a todos os níveis. É uma 2.ª parte em que o SC Braga, que é uma equipa que joga bem, que gosta de ter a bola, que gosta de esconder a bola, nunca o fez, em que o Benfica pressionava, roubava, pressionava, roubava, e jogava, e jogava, e jogava, e inexplicavelmente esta é uma 2.ª parte completamente diferente. Agora, se você me disser, que eu acho que você não vai dizer, mas imaginemos que você dizia que a 1.ª parte é do SC Braga, a 2.ª é do Benfica, se calhar o resultado justo era um empate. Eu digo: não. Quem joga tão mal como nós fizemos na 1.ª parte merece perder. E para mim era muito mais fácil chegar aqui e dar os parabéns ao SC Braga e ao Carlos [Vicens], e era muito mais fácil para mim dizer 'nós não conseguimos porque o SC Braga foi muito forte'. Eu peço desculpa ao SC Braga, mas não consigo dizer. Não foi o SC Braga que ganhou, fomos nós que perdemos."
MANU ILIBADO" O Manu teve uma das lesões mais graves no futebol. Estava num processo de crescimento gradual. Fez o jogo com o Farense, que foi o seu primeiro jogo, depois um jogo contra o Estoril, em casa, onde nós tivemos pouca correria e muita posse de bola. Nós sabíamos que havia algum risco com o Manu. Não por culpa própria, mas por culpa da sua situação. Não me referia [na flash interview, quando disse que houve performances individuais inaceitáveis], obviamente, ao Manu. Confesso que a equipa na 2.ª parte foi mais forte sem Manu, mas não é Manu a causa da nossa 1.ª parte tão pobre."
PERGUNTA SEM RESPOSTA
"Pois é, boa pergunta [Os jogadores não perceberam a importância desta meia-final para a temporada do Benfica?], e eu não lhe consigo responder. Se você me fizesse a pergunta: como é que eu pessoalmente encarei o jogo, como é que eu me preparei para o jogo, se você me fizesse essa pergunta, eu dir-lhe-ia que como todos, se calhar um bocadinho mais, mas como todos. Eu estive com os jogadores no balneário a fazer uma coisa que eu normalmente não faço, que é falar depois do jogo. Normalmente, não falo. Obviamente, não senti da parte deles recetividade para o diálogo, obviamente que a tristeza é muita, e ninguém quis entrar em diálogo comigo, portanto acaba por ser um monólogo, onde eu ponho exatamente este tipo de perguntas. Mas não quero acreditar que um jogador do Benfica está nervoso por jogar uma meia-final da Taça Allianz, não quero acreditar, porque senão não é jogador para o Benfica, não é possível, do mesmo modo que também não quero acreditar que olharam para o jogo de um modo sobranceiro, de um modo leve. Também não quero acreditar. Não consigo encontrar resposta para essa situação, honestamente não consigo."
COMPARAÇÃO COM O JOGO DE BRAGA
"Na Pedreira, pouquíssimos [erros]. A diferença da 1.ª para a 2.ª parte foi que o Sudakov, o Aursnes e o Barreiro começaram a mostrar-se muito mais para o jogo, começaram a ligar o jogo muito mais, na 1.ª parte estavam demasiadamente altos, e os nossos jogadores em posse encontravam um vazio para ligar o jogo; na 2.ª parte começaram a baixar, começaram a apanhar jogo entre as linhas, e a girar, e a deixar correr, e a girar, e a atacar o último terço, que no fundo foi aquilo que nós fizemos hoje na 2.ª parte. Nós preparámos este jogo bem e preparámos no sentido de o SC Braga fará o mesmo ou eles tentarão modificar alguma coisa porque a 2.ª parte foi muito difícil para eles lá na Pedreira. Constatámos que a única diferença foi o central Lagerbielke, que jogou, e o Víctor Gómez não jogar, depois Grillitsch ou Gorby não muda grande coisa, mas a abordagem deles a chegarem ou não chegarem aos nossos jogadores entre as linhas foi exatamente igual. Que foi, na 2.ª parte, aquilo que nós fizemos. Encontrámos muita vez Prestianni, encontrámos muita vez Barreiro, portanto não houve grande diferença. Porque é que não correu bem neste jogo? Eu não gosto muito dos ses nem do hipotético, mas, lá está o se de que eu não gosto, se não há o 3.º golo, isto não acabava 1-2. O SC Braga meteu-se todo lá atrás, começa a entrar Paulo Oliveira, começa a entrar Víctor Gómez, o SC Braga percebeu aquilo que percebeu na Pedreira, que era: na 2.ª parte, eles estavam em grande dificuldade. E estavam em grande dificuldade. Depois o 3.º golo aparece, e acabam com o jogo. Depois o João Pinheiro também mostrou os músculos que não se mostra a todos os capitães de equipa, mas mostrou-se ao nosso. E expulsa, e obviamente que acaba com o jogo, mas a 2.ª parte é nossa. Eu recuso-me é a dizer que merecíamos o empate e ir aos penáltis, recuso-me a dizer porque a 1.ª parte é absolutamente horrível, e a 2.ª parte do SC Braga não é horrível. A 2.ª parte do SC Braga é uma 2.ª parte difícil. Foi difícil para eles de nos aguentarem. Mas não foi horrível. A única coisa que foi horrível é uma coisa que é rotineira no Campeonato português, que eu criticava muito no Campeonato turco e venho encontrar em Portugal a mesma coisa, que são os guarda-redes a não terem o mínimo de dignidade, o mínimo de profissionalismo, o mínimo de respeito por aquilo que é o jogo, porque eles sabem perfeitamente que, quando o guarda-redes está lesionado, o jogo pára, e não há jogo, e estamos a exagerar. E o João Pinheiro, uma das poucas coisas boas que ele fez hoje foi ter dado o amarelo ao guarda-redes mais ou menos ao minuto 30, mas depois, quando eles começam com os 5, 4, 3, 2, 1 nos dedos, e nunca deixam aquilo acabar, e nunca marcam pontapé de canto, e nunca penalizam, os guarda-redes hoje em dia em Portugal, e não só em Portugal, têm muito controlo sobre a dinâmica do jogo."
TRABALHAR NO MÁXIMO DAS Potencialidades "[Depois de arrasar aqui os jogadores...] Acha que arrasei? Acha que critiquei muito? [Como convencer os adeptos do Benfica a acreditarem nesta equipa antes do jogo com o FC Porto sem Otamendi?] Como é que eu convenço? Eu acho que não tenho de convencer, eu acho que não se trata de convencer, eu acho que se trata de trabalhar sempre no máximo das nossas potencialidades. Falo por mim próprio, e já que você falou de críticas aos jogadores... Não foram críticas que você falou, disse outra palavra, um bocadinho mais forte, arrasar jogadores, que não foi essa a minha intenção, nem acho que o fiz, foi simplesmente constatar uma coisa que aconteceu. Se eu agora chegasse aqui e dissesse 'Na 1.ª parte, os jogadores foram fantásticos', o que é que você dizia? 'Ó míster, ó Mourinho, você está completamente choné.' O que é que você quer? Quer que eu seja honesto e sério, ou quer que eu venha para aqui vender histórias da Carochinha, como muitos treinadores gostam de o fazer ou fazem? Eu não consigo fazê-lo, eu tenho de ser honesto nas minhas análises. Agora, que é difícil jogar no Porto, é difícil. Que é difícil jogar sem Otamendi e muito provavelmente sem o António Silva, é difícil. Que é difícil não ter Enzo [Barrenechea] e ter Manu, que esteve um ano parado e que agora está a recuperar, é difícil. Mas temos de lutar, temos de trabalhar. Não há folga por não termos jogo neste fim de semana. Não há nada mais que não seja conversarmos sobre aquilo que foi hoje e tentarmos preparar o próximo jogo da melhor maneira possível e acreditar que o podemos fazer. Esta foi a primeira derrota que nós tivemos em Portugal nesta época. A 1.ª parte é também a pior performance que nós tivemos. Mas é o que nós temos, vocês viram, por exemplo, o banco que nós tínhamos hoje é um banco cheio de miúdos, praticamente sem minutos na equipa principal. Quer dizer, uma equipa que não tem Bah toda a época, que não tem Manu. Imagine este banco hoje com o Enzo em campo, o Manu no banco, o Bah, o Bruma. Nós temos tido agora o António, nós temos tido problemas, e é uma realidade. Agora, a minha natureza enquanto pessoa e enquanto treinador é nunca desistir e não permitir que aqueles que estão comigo desistam. E acho que ao intervalo tivemos sucesso nesse sentido. Consegui levantar uma equipa que parecia morta, que parecia que o jogo tinha acabado, e vamos tentar obviamente fazer isso para o jogo com o FC Porto, e depois do FC Porto virá o Rio Ave, e depois do Rio Ave virá a Juventus. Penso eu que é assim."
PREPARAR O MELHOR POSSÍVEL O JOGO COM O FC PORTO
"[Ida ao Dragão] Não, desculpe lá, ida ao Dragão, temos conferência de imprensa, a não ser que não façamos conferência de imprensa para a semana. Se vocês quiserem fazer já a conferência de imprensa para o jogo do Dragão, fico muito contente, e já não fazemos na terça-feira. Olhe, nós hoje, pensando que jogaríamos a final, porque somos otimistas sempre na nossa preparação, não vamos para casa e vamos para o Seixal. Os jogadores vão dormir no Seixal, e amanhã [quinta-feira] há trabalho, e depois de amanhã há trabalho, só que não há jogo de sábado. Não há final sábado. Não havendo final de sábado, o nosso próximo jogo é o jogo com o FC Porto na próxima quarta-feira. Portanto, a partir de agora, vamos chegar ao Seixal, cada um vai para os seus quartos, desejo que os jogadores durmam tão bem quanto eu, ou seja, não dormirem, é aquilo que eu lhes desejo, não durmam como eu não vou dormir, e pensem muito como eu vou pensar, e depois amanhã começarmos a conversar, que foi uma coisa que não aconteceu no balneário. No balneário foi um monólogo, e o monólogo a mim não me entra, gosto de dialogar com os jogadores, conversarmos sobre a diferença entre a 1.ª e a 2.ª parte, e prepararmos o melhor possível o jogo do Porto, obviamente sem Otamendi, muito provavelmente sem António Silva. De certeza absoluta sem o Enzo, e por aí fora, com todas as dificuldades que teremos, mas vamos lá, e vamos lá a pensar que podemos ganhar o jogo."
DESAGRADO DOS ADEPTOS COMPREENDIDO
"[Entende o desagrado dos adeptos?] Claro que sim, sem dúvida. Quando o jogo acaba, vitória ou derrota, saio sempre, não gosto de ficar em campo. Acaba o jogo, ganhei, perdi, vou embora, portanto não tive essa perceção, mas consigo imaginar perfeitamente o desagrado dos adeptos. Os adeptos alimentam-se da alegria das vitórias, não se alimentam de uma boa reação, de uma boa 2.ª parte e de – seguramente os que estavam aqui e os que estavam em casa – estarem naquela ânsia de que o 2-2 parecia muito próximo de chegar, não é isso que os alimenta. Alimentam-se de bons resultados, e eu, muito honestamente, a 1.ª parte é uma 1.ª parte muito má, aliada à derrota, a 1.ª parte é muito má, portanto acho absolutamente normal que os adeptos tenham assobiado todos nós, porque, no fundo, eu acho que os assobios nunca são direcionados para quem falhou um golo, para quem cometeu um erro, acho que os assobios são nossos."














Equipa de chacha. Em dois jogos com o Braga, não ganharam um. Perdedores, por se terem habituado a perder e por não terem nervo nem alma para reagir, sentir a obrigação para com a camisola que envergam e o clube que não lhes falta com o ordenado a horas e lhes dá as melhores condições de trabalho. Falar em apoio, como já li em alguns comentários, pela porrada que apanham em campo? Ela faz parte do jogo, como os acidentes no trabalho de qualquer um daqueles benfiquistas que não ganham para pagar as contas normais da vida, para viver com dignidade.
ResponderEliminarEquipa com uma defesa que frequentemente mete medo, e um guarda-redes que só joga bem (quando joga) entre postes, que abusa da técnica dos guardiões de futsal numa baliza três vezes mais larga e que é um susto quando sai.
Equipa onde o jogo nas alas é um martírio ver (Ah, Zé Augusto, Simões!…), os médios nem defendem nem atacam «à Benfica», e na linha avançada há Pavlidis e mais nada.
E no entanto, esta não é uma equipa qualquer - quase todos são jogadores nas respetivas seleções. E alguns, recentemente contratados por fortunas, já tiveram a arrogância de afirmar que os seus sonhos passam por jogar «num grande da Europa». Fico confundido com esta petulância de quem ainda não mostrou nada ou coisa pouca no clube que agora lhes paga (e bem). Se não sabem que jogam num dos maiores clubes do mundo (pelo número de adeptos e por um historial glorioso cá dentro e na Liga dos Campeões, a culpa é de quem dirige o clube – não dão informação e não mostram vídeos para que os que chegam fiquem a saber onde estão?
Duas palavras para o treinador. Não gostei, quando comecei a ouvir falar no Mourinho. E explico a minha apreensão: o que é normal e usual na decadência, quando já dura há muitos anos, é ela continuar. E prossigo apreensivo com esta contratação (que os benfiquistas, eu incluído, não puderam deixar de ver como trunfo eleitoral), dado que a equipa não joga nada, mesmo quando ganha. Os benfiquistas querem jogo «à Benfica», que significa, para quem não sabe ou anda equivocado, jogo positivo, que empolga, agressivo, de ataque, de muitos remates e golos. Ora, o que temos, há tempo demasiado, são joguinhos (não compreendo como há ainda tantos com paciência para ver aquela coisa), um jogar para não perder, bola ao lado, bola atrás, atrasos para um guarda-redes que se atrapalha a despachar a bola com os pés (quantos golos sofridos à conta disso?), dois/três remates à baliza em cada parte, vitórias à tangente, derrotas com equipas e treinadores que custam tostões. Isto não pode ser o SLB, desculpem lá.
Mais duas para o presidente. O que estamos a viver – esta desilusão, este ver a nossa principal equipa a jogar mal há tanto tempo, a perder repetidamente – deve-se aos planeamentos sucessivos feitos em cima do joelho e às sucessivas contratações feitas à pressa e com pouco cuidado, Rui Costa.
Há muita coisa a mudar para esta crise ser ultrapassada. E não há nada melhor para que isso aconteça, do que a nossa principal equipa entrar nos eixos, isto é, «jogar à Benfica».