"O nosso pensamento tem de ser Farense, Farense, Farense"
Na antevisão ao Benfica-Farense, da 27.ª jornada da Liga Betclic, Bruno Lage insistiu na necessidade de manter foco total no presente e na conquista dos 3 pontos frente aos algarvios, no jogo aprazado para as 20h15 desta quarta-feira, 2 de abril.
"Farense, Farense, Farense" – foi desta forma que o treinador do Benfica vincou o estado de espírito para o duelo no Estádio da Luz.
"O jogo mais importante da época é o Farense. Porquê? Porque é o próximo. E lamento, mas neste momento eu não consigo ter outro discurso que não seja este, porque é o meu foco. Tem de ser a minha energia para fazer o trabalho da forma como eu trabalho. Porque o nosso trabalho é para os Benfiquistas, é para ganhar títulos", disse.
Destacando a evolução da equipa nos últimos encontros, Bruno Lage revelou que o coletivo está cada vez mais confortável relativamente à dinâmica de jogo, e garantiu que os eleitos para enfrentar o penúltimo classificado do Campeonato estão unidos e preparados para dar uma firme resposta em campo.
"Há um conjunto de tempo e de qualidade de trabalho que nos está a levar a esta consistência, e a minha principal função é garantir esse patamar de exigência. E isso garante-se da forma como treinamos, na exigência que queremos ter – independentemente de quem jogue – de jogar em equipa, com a qualidade com que estamos a jogar", referiu.
Na conferência de Imprensa realizada nesta terça-feira, 1 de abril, no Benfica Campus, o comandante encarnado também abordou outros temas, como a gestão de Tomás Araújo e a "enorme satisfação" pelo regresso de Tiago Gouveia à competição ao serviço da equipa B, após recuperar de uma lesão sofrida em agosto.
Que tipo de jogo e de adversário é que espera nesta quarta-feira? Antes de mais, é a nossa postura e o nosso foco completamente no jogo de amanhã. Amanhã, o nosso pensamento tem de ser Farense, Farense, Farense. Preocupar-nos com aquilo que temos de fazer no jogo e com aquilo que controlamos. Depois, cabe-me, enquanto treinador, garantir que a equipa jogue o jogo que perspetivamos, de acordo com a qualidade dos nossos jogadores e da nossa equipa. Sinto que o Farense, apesar de nos últimos resultados não ter pontuado tanto, é uma equipa com grande dinâmica, com resultados sempre muito apertados – 1-1, 1-0, 2-1. Por isso, temos de estar no nosso melhor. Nos últimos jogos tem apresentado uma linha de 5, por vezes com 3 centrais, por vezes com 2 laterais e um jogador, que conheço muito bem, como o Rony [Lopes], a juntar-se à linha defensiva e a fazer a linha de 5. Por isso, uma equipa, também, com uma qualidade muito forte nas transições, os 3 homens da frente são muito fortes, são tecnicamente muito evoluídos, tem gente que remata, também, muito bem. Por isso, em suma, é isto: completamente focados naquilo que controlamos e no nosso jogo. Antecipando já algumas das vossas questões – eu sei que isto é um discurso que, por vezes, se torna repetido –, o nosso foco tem de ser no jogo de amanhã, naquilo que é o Farense. E tanto digo aqui como digo dentro do balneário: é Farense, Farense, Farense.
Tendo em conta este jogo e as situações de Di María e de Florentino, jogadores que estão à bica, como se costuma dizer, e a questão de Tomás Araújo, com os problemas físicos que tem apresentado, vai fazer algum tipo de gestão? O seu foco é o Farense, mas depois há um jogo importante, o clássico, com o FC Porto...
Sim, mas escolher e decidir o melhor onze para vencer amanhã [quarta-feira]. Não é só o Tomás, e hoje em dia, a jogar de 3 em 3 dias, há sempre um ou outro jogador que tem de jogar com um toque, com uma mazela. É entendermos qual o melhor onze para apresentar amanhã, para vencer o jogo. E, nos últimos 2 meses, temos optado por isso, fazendo algumas alterações naquilo que entendemos ser o nosso posicionamento inicial, em função da dinâmica, e em função também daquilo que são os espaços que pretendemos encontrar para criarmos as nossas oportunidades de golo. Vai ser em função disso, olhar para aquilo que descrevi, para a dinâmica do Farense, olhar para a nossa equipa, para o momento de cada um, e garantir que a equipa faça um jogo de acordo com a sua qualidade e com a qualidade dos nossos jogadores.
"[Onze] Olhar para aquilo que descrevi, para a dinâmica do Farense, olhar para a nossa equipa, para o momento de cada um, e garantir que a equipa faça um jogo de acordo com a sua qualidade e com a qualidade dos nossos jogadores"Bruno Lage
Falou aqui na semana passada que, na sua opinião, há 4 candidatos ao título. Se calhar, nesses 4, dividia ao meio, há 4 candidatos e 2 favoritos, se quisermos assim. Olhando para os jogos deste fim de semana, considera e reconhece que o Benfica é, por esta altura, dos 4 primeiros classificados, aquele que pratica melhor futebol?
Não, não é só olhando para os jogos deste fim de semana, é olhando também para aquilo que são os jogos no final do Campeonato. Por isso é o que eu digo que são as 4 equipas que são candidatas. Relativamente a ser favorito ou não, nós temos de fazer o nosso trabalho. Nós temos de pôr a exigência, que é: no nosso clube, nós temos de ser favoritos, e, de acordo também com a exigência dos nossos adeptos, nós temos de jogar um futebol de qualidade. Há algum tempo eu falava nisso, na busca dessa consistência. A equipa tem apresentado essa consistência. Independentemente de quem jogue, a equipa tem apresentado boa dinâmica, e cabe a mim, enquanto treinador, garantir isso, sempre, dos nossos jogadores. Por vezes, essa é a nossa tarefa, fazer grandes jogadores jogarem em equipa e garantir que eles estejam sempre a top, que consigam fazer as coisas, que fazem bem, de forma consistente.
O presidente do FC Porto disse há 2 dias que o jogo da época para o FC Porto é o jogo com o Benfica. Eu pergunto-lhe se o jogo da época do Benfica é o clássico da próxima jornada. E também disse aqui, há poucos dias, que Lourenço Coelho, Rui Costa e também Rui Pedro Braz estavam a planificar a próxima temporada. Eu pergunto-lhe se foi esquecimento ou foi intencional não ter mencionado o seu nome.
Farense. O jogo mais importante para nós é o Farense. O mais importante da época é o Farense. Porquê? Porque é o próximo. E lamento, mas neste momento eu não consigo ter outro discurso que não seja este, porque é o meu foco. Tem de ser a minha energia para fazer o trabalho da forma como eu trabalho. Porque o nosso trabalho é para os Benfiquistas, é para ganhar títulos. Eu tenho de me concentrar – eu os meus jogadores – ao máximo naquilo que é o jogo com o Farense. E a segunda parte é novamente Farense. Quando me perguntam determinados assuntos sobre a próxima época, aqui estou eu, a dar a minha opinião, quer de planeamento, quer eventualmente na opinião técnica ou tática de algum jogador, ou em alguma circunstância, estou cá. Mas o compromisso tem de ser 100 por cento com o jogo de amanhã, com o próximo jogo, com o jogo do Farense.
"Independentemente de quem jogue, a equipa tem apresentado boa dinâmica, e cabe a mim, enquanto treinador, garantir isso, sempre, dos nossos jogadores"Do ponto de vista emocional, qual é a mensagem que passa, neste momento, para os jogadores, tendo em conta que é o jogo contra o penúltimo classificado, e logo a seguir vem o jogo contra o FC Porto? Sente que pode haver, até do ponto de vista dos atletas, por vezes, a tentação de tirar o pé num determinado lance, a gerir o esforço, tendo em conta o jogo do próximo domingo, que pode ser decisivo na luta pelo título?
Não há, porque, da forma como treinamos, não damos a possibilidade de que isso aconteça. Por isso é que eu vos disse, e desculpem-me por repetir, cabe a mim enquanto treinador garantir que eles façam bem as coisas, de uma forma consistente. E a forma como temos treinado é com essa exigência. Em termos de consistência – que procurávamos –, temos dois meses em que a equipa está a crescer, está com dinâmicas, os jogadores a entenderem cada vez mais aquilo que nós queremos. Ainda na última conferência falámos também daquilo que é, por exemplo, a adaptação de um jogador como o Zeki [Amdouni] – que vem do Burnley, uma equipa que joga para determinados objetivos –, de chegar a uma equipa com a grandeza do Benfica, que joga para outros objetivos. Enfim, há um conjunto de tempo e de qualidade de trabalho que nos está a levar a esta consistência, e a minha principal função é garantir esse patamar de exigência. E isso garante-se da forma como treinamos, na exigência que queremos ter – independentemente de quem jogue – de jogar em equipa, com a qualidade com que estamos a jogar. Independentemente de jogar 30 minutos, 15 minutos, 10 minutos, 5 minutos... O jogador que consiga entregar em 10 minutos aquilo que eu quero, no jogo seguinte pode ser opção. É neste sentido que eles têm de viver, e completo deste modo: isto acontece tendo este plantel, havendo esta riqueza, havendo dois jogadores de qualidade em cada posição, e eles sabem que têm de render, porque ao lado têm também um jogador de enorme qualidade.
Tomás Araújo foi substituído nos últimos 5 jogos, o que significa que não joga 90 minutos há mais ou menos um mês. O selecionador nacional chegou a falar de uma lesão crónica... Afinal, o que se passa com Tomás Araújo? Pode jogar amanhã [quarta-feira], ou o objetivo é recuperá-lo a 100 por cento para o [Estádio do] Dragão?
Há vários jogadores com os quais nós temos de ter uma gestão, e o Tomás está nesse lote de jogadores. Normalmente, são os jogadores da frente que jogam 60 ou 70 minutos. Nos últimos 2/3 anos em Portugal, e em função das 5 substituições, nós já tivemos muitos treinadores a trocar centrais, a trocar laterais. Não era muito comum quando havia só 3 substituições. Temos de saber gerir o Tomás e estamos a fazer da melhor maneira. O jogador não está em risco de nada crónico, temos é de saber gerir, porque aquilo que ele fez na 1.ª parte frente ao Gil Vicente deixou-nos com condições de perceber que, quando ele é chamado, pode render. Depois, é nós termos a capacidade de o gerir. E, não havendo Tomás, temos várias soluções para a posição. O Leandro é um menino que está a crescer muito bem, o próprio Samuel [Dahl] já entrou e jogou à direita, e tem uma facilidade tremenda de jogar com os dois pés. O próprio Fredrik [Aursnes] já jogou no passado a lateral-direito e pode também jogar naquela posição. O mais importante é termos jogadores à nossa disposição para, em caso de alguma eventualidade, estarmos protegidos. Para amanhã [quarta-feira], vou decidir [utilização de Tomás Araújo]. Ainda não decidi.
"Sobre o Tiago Gouveia, foi realmente com enorme satisfação que o vimos jogar ontem [segunda-feira] 45 minutos (...) Queremos tê-lo o mais rápido e pronto possível, para ajudar a equipa nesta reta final" Pensado ainda no lugar de lateral-direito, pedia-lhe que comentasse o regresso de Tiago Gouveia, que voltou a competir pela equipa B, e a lateral-direito, e se pensa nele para essa posição. Gostava de lhe colocar uma outra questão. Di María é um jogador diferenciador, claro: de que forma é que muda – se muda, calculo que sim – a sua ideia de jogo com ele em campo ou sem ele?
Vou começar pela segunda [pergunta]. A nossa ideia não muda. Temos alguns princípios que têm de ser a base daquilo que é o nosso posicionamento em campo, e aquilo que é a nossa ideia em termos de jogo. O que nós temos de fazer desde que saímos a jogar do guarda-redes até chegar ao terço ofensivo. Depois, o que muda são as características e a qualidade dos jogadores. Já utilizámos o Di Maria por dentro, atrás do ponta de lança, mais aberto... Em função, também, do lateral, o Di María vai tendo posicionamentos diferentes. Os pontas de lança, e os homens do lado contrário, também é importante perceberem que, quando joga alguém de pé esquerdo, naquele momento, em que procura o espaço interior, os cruzamentos são feitos de uma maneira, ao contrário se fosse um homem de pé direito. Enfim, são mais as características e a qualidade dos jogadores que mudam do que, propriamente, aquilo que é a ideia de jogo. Sobre o Tiago [Gouveia], realmente foi com enorme satisfação que o vimos jogar ontem [segunda-feira] 45 minutos. Já o conhecia no passado, e desde a primeira hora, à distância, fui vendo, por um lado, a tristeza do jogador por estar tanto tempo parado, depois a recaída que teve, mas, ao mesmo tempo, a resistência, a frustração, e o querer recuperar o mais rápido possível para dar o contributo à equipa. Há duas semanas que está a treinar connosco, trouxe uma energia muito boa. É um jogador com uma qualidade muito boa, pode jogar à frente, já jogou no passado à frente, tem qualidade no remate, também já jogou como lateral, tem uma coisa que aprecio muito, que é o cruzamento, cruza muito bem. Por isso, teve a disponibilidade de jogar na equipa B, fez 45 minutos com qualidade. Queremos tê-lo o mais rápido e pronto possível, também, para ajudar a equipa nesta reta final.
É certo que ainda faltam muitos pontos por disputar até ao fim do Campeonato, mas, se as coisas continuarem assim, a luta pelo título vai decidir-se nos detalhes. Um dos detalhes é o confronto direto, o outro é a diferença entre golos marcados e sofridos. Pergunto-lhe se já está na mente do treinador do Benfica tentar acautelar essa possibilidade, até porque vai haver o dérbi com o Sporting. E, depois desse dérbi, essa possibilidade pode ser bastante importante, ou pode até não ser – mas, depois desse jogo, talvez seja tarde, caso esse critério seja necessário para o Benfica.
Uma pergunta muito interessante, mas o importante é ganhar amanhã [quarta-feira]. Por isso, nós temos de ganhar amanhã, temos de fazer aquilo que temos vindo a falar: ir para os jogos, vencer, foco total no jogo, criar muitas oportunidades de golo e marcar golos. A equipa tem vindo a fazer isso, por isso nós temos de ir com esse objetivo. Não gosto muito de olhar para o lado estatístico, mas, nos últimos jogos, a equipa tem criado oportunidades para poder marcar 4 ou 5 golos. Temos marcado 2 ou 3, temos de continuar a criar oportunidades, continuar a jogar o futebol ofensivo, porque aquilo que nos diz a experiência é que, quanto mais oportunidades tivermos, mais golos podemos marcar. Mas a nossa busca, a nossa motivação, o nosso compromisso, é com o próximo jogo, jogarmos com qualidade, ganhar os 3 pontos e marcar golos.
"O mais importante é nós sabermos como temos de gerir, não só o Tomás, mas um plantel com esta qualidade e com este valor, e a jogar de 3 em 3 dias" Permita-me recuar. Pergunto-lhe muito diretamente se Tomás Araújo tem, ou não tem, uma pubalgia, e se há o risco de ter de ser operado.
Não, não há risco de ser operado. Há 30 anos, a pubalgia era um tabu, e tinha de ser operado e tinha-se de fazer ene coisas. Hoje é completamente diferente. A forma como os jogadores trabalham, se preparam, as coisas estão completamente diferentes. Por isso, o que é mais importante é nós sabermos como temos de gerir, não só o Tomás, mas um plantel com esta qualidade e com este valor, e a jogar de 3 em 3 dias. Temos a mesma preocupação com o Tomás como temos, por exemplo, com o Nico [Otamendi]: 37 anos, e [a jogar] de 3 em 3 dias, e amanhã [quarta-feira]... pronto, é o primeiro, fica já, vai jogar [risos].
Com o regresso de Di María e agora até do próprio Tiago Gouveia, não lhe faltam opções para os flancos. Como é que faz essa gestão, não só dos minutos, mas até do ego dos jogadores, para esta reta final?
Isso, o ego, não pode existir. Quem meter neste momento o ego individual à frente da equipa não entra na equipa. É tão claro como a água, e nós falamos muito nisso. Por isso, aquilo que eu quero é olhar para o jogo, perceber o que é que os jogadores podem fazer, e depois escolher a melhor equipa. Por isso é que eu disse e volto a repetir: a exigência e aquilo que os jogadores podem dar – a jogar de início, a sair do banco e aquilo que vão demonstrando nos treinos. É muito importante e vai definir minutos até ao final da época.
Sendo Bruno Lage um homem do futebol, gostaria de lhe pedir uma reflexão. Estamos no meio de uma crise institucional no futebol português, na Federação Portuguesa de Futebol. Ontem [segunda-feira], tivemos, por exemplo, uma reflexão do presidente do FC Porto, a dizer que estamos no meio de uma espécie de paz podre, a dizer até que, provavelmente, o nosso destino seria irmos para a Liga Conferência – e, diz André Villas-Boas, se calhar até era o que merecíamos. De que forma é que vê este momento, esta crise institucional no futebol português? Tem, também, esse receio de que isso tenha impacto no relvado, tal como mencionou ontem [segunda-feira] o presidente do FC Porto?
A sua pergunta é muito interessante, mas o meu foco é o jogo com o Farense. Mas posso dizer-lhe isto: aquilo que eu quero, por estar focado no Farense, é garantir a possibilidade de voltar a jogar a Liga dos Campeões pelo Benfica, fazer o número de pontos para ajudar no ranking.
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