"Teremos de estar ao nosso melhor nível"
Em conferência de imprensa no adidas Benfica Campus, na abordagem ao duelo aprazado para as 20h30 no Estádio José Gomes, Marco Silva antecipou um "jogo difícil" diante de "uma equipa muito bem organizada". Na análise do treinador encarnado, o Benfica terá de se exibir ao seu melhor nível num campo tradicionalmente difícil.
A deslocação à Reboleira encerra uma semana com três jogos, mas o técnico confia na capacidade do coletivo. "Esperemos que a equipa esteja fresca o suficiente para amanhã [domingo] dar a resposta que temos de dar, que é lutar pelos três pontos, vencer mais um jogo, sabendo nós que será muito difícil", disse, dando conta da inclusão de Lenglet no lote de convocados para a partida.
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Numa altura em que tiveram um ciclo de jogos particularmente complicado, como é que avalia a resposta que a equipa foi dando ao longo deste período? E, tendo em conta também o bom momento que atravessam, como é que antevê o jogo com o Estrela da Amadora?
Indo à segunda parte da questão: jogo difícil, num campo que tradicionalmente também é difícil de jogar, contra uma equipa muito bem organizada, uma equipa aguerrida na sua forma de jogar, quer com bola, quer sem bola, e que faz da sua boa organização um dos pilares para depois conseguir ser competitiva. Começou muito bem a temporada em termos de resultados. Os últimos resultados não foram os mais positivos, mas percebe-se que, da mesma forma que começaram a ter bons resultados e a ganhar jogos no princípio, a organização, a base está lá. A diferença entre ganhar ou não ganhar um jogo, por vezes, o detalhe faz toda a diferença. Em alguns momentos, acaba por ser mesmo decisivo. Percebemos bem. Não olhamos para o último momento, olhamos para aquilo que é a globalidade da época do Estrela até agora e para a sua capacidade. A capacidade que o Pepa também tem para organizar bem as suas equipas e de colocar as equipas a serem aguerridas. Independentemente do que nós podemos obrigar ou não o adversário a fazer, uma equipa que é aguerrida, que quer disputar o jogo, que joga em casa, naturalmente também terá o apoio dos seus adeptos e quererá dar uma excelente resposta. E, por norma, é um campo difícil de jogar. Teremos de estar ao nosso melhor nível. Em relação à primeira parte da questão, da densidade e do número de jogos, é uma realidade. Tem sido desde a última paragem até agora. Vamos fechar este ciclo agora com o último jogo e com uma particularidade um pouco diferente. Independentemente dos três jogos por semana, acaba por ser de uma forma diferente, de segunda a domingo, não propriamente de domingo a domingo. Este jogo, por exemplo, se não houvesse a paragem internacional, seria numa segunda-feira, quase de certeza, depois do nosso último jogo internacional. Mas é o que é, é a realidade. Eu disse-vos desde o princípio da semana, quando tivemos o jogo na última segunda-feira, que íamos ter uma semana um pouco diferente nesse aspeto: em sete dias, jogar três jogos. E será o que teremos pela frente. Tentamos não sobrecarregar alguns jogadores. Dentro das posições, conseguimos fazer isso mesmo e temos vindo a fazê-lo da forma que tem sido possível. E esperemos que a equipa esteja fresca o suficiente para amanhã [domingo] dar a resposta que temos de dar, que é lutar pelos três pontos, vencer mais um jogo, sabendo nós que será muito difícil.
O Benfica só manteve a baliza a zero em dois dos últimos sete jogos, depois da paragem. Sente que o próximo passo da equipa é melhorar esse momento defensivo?
Também, também. Não quero com isto dizer que, no momento ofensivo, está tudo bem. Está tudo muito interligado. A forma como queremos defender tem muito que ver com os momentos em que temos bola e onde a perdemos, e se estamos preparados para a perder. Algum golo que possamos ter sofrido também tem que ver com a organização defensiva, há que o dizer também. Mas, estando tudo interligado, temos vindo a trabalhar ambos os momentos e aquilo que é importante para nós... É óbvio que queremos sempre ser uma equipa que ganhe jogos, mas, se possível, também não conceder golos é muito importante para nós. Faz parte daquilo que nós temos vindo a colocar como objetivos também para o jogo seguinte e temos tido essas conversas. É óbvio que nem sempre é possível. Se olharmos para o número de jogos que já jogámos nesta temporada na Liga e o número de jogos que tivemos sem sofrer golos, também acaba por ser um número positivo. Nós queremos sempre mais. Se possível, nunca sofrer. Era o ideal, era o perfeito. Mas temos um bom número de jogos sem sofrer golos. Há aqui um impacto muito grande em dois jogos em que sofremos, mas, em termos da quantidade de jogos, não é assim tão grande. Depois há jogos de Liga Europa em que temos sofrido, a forma como em alguns jogos temos sofrido também. Nada melhor do que trabalhar, analisar com os jogadores, fazê-los perceber o que temos de fazer. O objetivo é sempre o mesmo: melhorar, melhorar como equipa, sermos cada vez mais fortes, tentarmos ser cada vez mais fortes. Todos os detalhes, todos os momentos serão decisivos.
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"Nós queremos sempre mais. Se possível, nunca sofrer. Era o ideal, era o perfeito. Mas temos um bom número de jogos sem sofrer golos"
Marco Silva
Depois do PSG, agora é o Bayern de que se fala no interesse por Prestianni, e eu pergunto se é fundamental, no Benfica, fechar já esse dossiê da renovação do jogador. E depois eu olhava para as declarações, ontem [sexta-feira], de Paulo Fonseca, que dizia: "Sem defender bem é impossível lutar por títulos." Eu, ouvindo o treinador do Benfica e vendo a equipa do Benfica a jogar, a sensação que me dá é que sem atacar bem é impossível lutar por títulos. Qual é a sua prioridade em relação a este Benfica: atacar bem ou defender bem? A prioridade, só uma.
Só uma não lhe consigo dizer [sorrisos], porque é impossível dissociar uma da outra. Eu já vos disse aqui algumas vezes também que, quando olhamos durante muito tempo, é impossível sermos uma equipa consistente e sermos uma equipa que ganhe títulos, se não formos uma equipa sólida, se não formos uma equipa difícil de bater. Depois há várias formas de ganhar jogos. Todos nós queremos é ganhar. Se pudermos ganhar sem sofrer golos, é ainda melhor, sinceramente. Mas eu não consigo dissociar uma da outra. Eu tenho-vos dito muitas vezes aqui que é importantíssimo para nós não sofrermos golos. Também é importantíssimo para nós definirmos bem aquilo que é, em termos de organização, o que queremos para o jogo em todos os momentos. Somos uma equipa de mentalidade ofensiva, não há que esconder. Mas nunca descuramos – e esqueçam isso – o processo defensivo, aquilo que são os nossos momentos de transição, quer ofensiva, quer defensiva. Faz parte. Temos vindo a trabalhar bastante. Infelizmente, não temos tido o tempo que eu gostaria que tivéssemos para ainda estarmos melhor. Infelizmente, não lhe vou conseguir dizer só um momento, porque eu sei e tenho a certeza absoluta de que é impossível, durante uma época, para se conquistar algo tão importante – e, quando falamos de algo importante, são títulos –, se uma equipa não for consistente o suficiente e, depois, ofensivamente, não for capaz também de quebrar a organização dos adversários. Temos de pôr as duas juntas e eu não consigo dizer uma.
Não é importante fechar já este dossiê da renovação de Prestianni, até para sossegar o universo benfiquista, o jogador, o Clube, os adeptos, todos?
Em relação aos adeptos, eles têm de estar e devem estar descansados. Nós estamos num processo de renovação com o jogador, como estamos com outros atletas também do nosso grupo. Entendo a questão, porque o Prestianni tem tido um começo de temporada fantástico e nós acreditamos que ainda mais está para vir, porque ele tem mantido essa consistência dia a dia, não só ao nível do jogo. O jogo acaba por ser uma consequência daquilo que ele faz diariamente e que nós sentimos aqui todos os dias. O processo está a decorrer. Quando houver novidades...
Está bem encaminhado?
Eu não quero estar a ser muito positivo, ou pouco, não quero estar a dar aqui esperanças, porque normalmente não gosto muito de falar sobre esses temas. Naturalmente, a Direção está a tratar disso, e bem, e esperemos que possam existir novidades. O jogador está satisfeito, nós estamos muito satisfeitos e, naturalmente, se tivermos de o fazer, iremos fazer. Mas é um jogador que, como vocês sabem, tem aqui um contrato não tão curto como parece neste momento. Será um final normal para aquilo que tem sido o rendimento do jogador neste momento e iremos ver quando é que poderemos dar novidades. O jogador está tranquilo, nós estamos tranquilos. Os adeptos também têm de estar e têm de, acima de tudo, continuar a desfrutar e a apoiar o jogador da forma como têm feito, de uma forma brilhante. E o jogador tem respondido também.
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"Somos uma equipa de mentalidade ofensiva, não há que esconder. Mas nunca descuramos o processo defensivo, aquilo que são os nossos momentos de transição, quer ofensiva, quer defensiva"
Olhando para a última semana, temos um novo treinador no Sporting, que vem também de um campeonato das Big Five, como o Marco veio no início da temporada. Tendo em conta as declarações, tanto do Marco no início da época como do Paulo Fonseca nesta semana, eu gostava de tirar esta dúvida consigo. Vir para Portugal depois de estar num campeonato Big Five, ou sair de um desses campeonatos para vir para Portugal, é meramente uma decisão de coração ou é mesmo o Campeonato português que está a começar a ser mais aliciante para os treinadores? E, já agora, gostava que, se pudesse, fizesse um balanço, desde a sua chegada ao Benfica, se está a correr melhor ou pior do que estava à espera no início?
Em relação à avaliação, não a vou fazer. Acho que as avaliações têm de ser feitas no final da temporada, quando olharmos para os resultados, quando olharmos para tudo aquilo por que lutámos, a forma como lutámos e o que conquistámos. Acho que aí é o momento de se fazer uma avaliação da temporada. É prematuro fazê-lo agora. Temos dado passos em frente, passos muito importantes naquilo de que eu falei desde a primeira hora, e repito muitas vezes convosco, que é a nossa identidade, a nossa forma de jogar, aquilo que é a aquisição, por parte dos jogadores, dos processos que nós queremos para a equipa. E eu tenho vindo a dizer que ainda estamos bem longe daquilo que nós poderemos fazer. Sinceramente, é sempre isso que eu coloco como meta para os jogadores. Se fizermos algo bem hoje, amanhã teremos de tentar fazer melhor. E temos de continuar a melhorar coletivamente aquilo que não temos feito tão bem e a fazer os jogadores evoluir individualmente, para que, depois, o crescimento coletivo seja uma consequência disso mesmo. Em relação ao futebol português e ao regresso, quer quando acontece com os jogadores, neste caso com os treinadores, com a questão do Paulo chegar ao futebol português neste momento também, não tem que ver só com uma questão, tem que ver com várias. O futebol português sempre teve grandíssimos clubes a nível europeu, o crescimento que o SC Braga tem tido, mas os três grandes clubes em Portugal, que jogam para ganhar, que jogam em competições europeias. Há muitas questões que fazem com que se tomem decisões de poder regressar ou não. Não há só uma. Não há só o nome do clube. O nome do clube tem uma importância muito grande, isso é óbvio, mas não há só uma. É difícil perceber ou dizer-lhe o porquê. Eu já expliquei as minhas razões quando fui apresentado no Benfica. A Liga portuguesa, independentemente de algumas questões de que nós temos vindo a falar também, em que tem de melhorar e dar passos diferentes, principalmente em termos de infraestruturas, em termos de dar as condições aos atletas e a quem está nos estádios para poderem desfrutar de um jogo de Liga, um jogo a sério de Liga... Em termos de adeptos dos clubes adversários também poderem estar no estádio e apoiar a sua equipa. Por exemplo, quando uma equipa grande vai fora de casa, acho que isso seria fundamental. Seria dar passos em frente para que isso acontecesse e, acima de tudo, melhorar infraestruturas e relvados. Acho que seria muito importante nesse aspeto. Mas depois há o outro lado, que é a competitividade. Independentemente de podermos falar de diferenças de orçamento ou não, competitividade, treinadores muito astutos, com ideias claras daquilo que pretendem, que fazem, muitas vezes com muito menos, as coisas muito bem também e criam dificuldades em todos os jogos. Seja pelas condições, seja pela qualidade da organização, seja pela qualidade dos adversários. E, por isso, é uma Liga que também nos traz desafios. Acho que todos nós, quando estamos num cargo destes, queremos é desafios e queremos sempre que possamos melhorar e fazer as nossas equipas serem melhores.
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No último jogo, disse que a maioria das ações de Trubin com bola nos pés foi acertada. Face a esta evolução do jogador neste capítulo e também sabendo daquilo que procura na posição, pergunto-lhe se já não se justifica a titularidade ou a maior regularidade da utilização de Trubin.
Em relação à titularidade... Acredito que me esteja a perguntar sobre a titularidade no Campeonato. Neste momento, tem vindo a jogar o Samu [Samuel Soares]. Nós decidimos começar com o Samu – o Samu sabe, o Trubin sabe, o Diogo [Ferreira] também sabe, é uma decisão minha. Se tiver de tomar decisões diferentes, irei tomá-las. Para isso mesmo é que há competitividade, e por isso é que começou o Trubin, como vocês sabem, e depois alterámos e começou a jogar o Samu. Se tivermos de alterar, iremos fazê-lo. Os três guarda-redes têm total confiança da nossa parte. Naturalmente, com o Trubin com mais experiência, com o Samu com mais experiência também do que o Diogo... O Diogo é um jovem guarda-redes que tem vindo a fazer a ponte com a equipa B. Diariamente, é um jogador que faz parte do nosso plantel. Mas, em relação ao Trubin e ao Samu, competitividade, claro, entre ambos. Todas as decisões técnicas que tivermos de tomar serão sempre em prol daquilo que achamos que é o melhor para a equipa. Eu, quando falei e fiz uma análise do jogo, foi porque me perguntaram também do golo que sofremos e eu quis ser claro naquele momento, porque era importante. Nós, no final do jogo, temos uma análise daquilo que vamos sentindo durante o jogo. Depois, quando o analisamos com mais tempo, por vezes muda ou não. Neste caso, não mudou absolutamente nada. O Trubin realmente teve um jogo positivo e um jogo em que praticamente todas as ações com bola, todas as decisões com bola que tomou foram muito, muito boas. E foi muito ao encontro daquilo que me estavam a perguntar no momento em relação ao golo que sofremos, porque acaba por começar numa construção curta em que o Trubin está envolvido juntamente com o Enzo [Barrenechea]. E a decisão que ele tomou naquele momento, eu quis ser claro para não deixar dúvida, foi a mais acertada.
Mas reconhece que tem havido essa evolução por parte do jogador?
Acima de tudo, eu tenho gostado muito daquilo que têm sido as últimas exibições dele. Se vocês analisarem o que era o Trubin antes de chegar ao Benfica, por exemplo... Eu não posso estar a falar do Trubin em todos os últimos anos de Benfica, porque eu iria estar a ser injusto, porque não analisei todos os jogos, eu não vi todos os jogos. Nem de perto nem de longe. O número de jogos que eu vi foi muito reduzido para estar aqui a dizer se foi perfeito no jogo com os pés ou dessa evolução de que me está a falar... Mas as características do Trubin sempre foram as de um jogador que tinha capacidade no jogo curto, no jogo mais longo. Sempre mostrou essa capacidade quando estava no Shakhtar. E depois os jogadores passam por alguns momentos de mais confiança, de menos confiança, que podem levar a parecer que, em alguns momentos, não se sentem tão confortáveis. Acho que a resposta que ele deu outra vez na última quinta-feira foi a de um jogador que tem todas as capacidades para se sentir confortável também. Porque é característica dele sentir-se confortável a jogar com os pés e a tomar as melhores decisões.
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Já nos disse várias vezes que nenhum jogador tem um lugar garantido no onze, mas a verdade é que, irremediavelmente, vai sendo construída nas posições uma certa hierarquia, em função também das escolhas que vai tomando com mais regularidade. Quanto a Circati, tem jogado mais nos últimos jogos. Queria perguntar-lhe em que ponto é que sente que está e se acha que, nesta altura, apesar de Lenglet e de Tomás Araújo terem começado a época a titulares, Circati já está em pé de igualdade na luta pela titularidade.
É claro que, ao longo da temporada, independentemente da competitividade, a hierarquia vai acabando por aparecer, porque, em todas as equipas, não há milagres: jogam os melhores, ou pelo menos os que o treinador acha que são os melhores. Por vezes, o treinador também erra e está errado, mas aqueles que o treinador acha que são os melhores, ao longo de uma temporada, acabam por jogar mais minutos. Independentemente, depois, e que é fundamental para qualquer equipa – falávamos há pouco do não sofrer golos durante uma temporada –, da profundidade de um plantel. Quando se joga praticamente de três em três dias, é muito importante, primeiro para essa competitividade, para alguns momentos de rotação, ter a equipa minimamente fresca em posições que são fundamentais também. Passados três, quatro, cinco meses, se não for claro... E para vocês acho que é claro, em algumas posições há questões que são visíveis em termos daquilo que são as opções que eu vou tomando. Indo diretamente ao Circati: tem vindo a evoluir, está-se a adaptar melhor. Demora o seu tempo, porque estamos a falar de um jovem jogador, independentemente de já ter alguma experiência, porque, jogando nas últimas temporadas num campeonato como a Serie A, acaba por ganhar essa experiência, mesmo sendo jovem. Um jogador que tem já também um bom número de jogos ao nível da sua seleção e que tem um papel muito importante na sua seleção. Vai-lhe dando alguma tarimba, alguma experiência. Mas eu falei-vos quando ele chegou: independentemente de ser jovem, teria de haver aqui um momento de adaptação àquilo que é o peso de... Não é da camisola, não é do Clube, mas da forma de jogar, da forma de se impor com bola e sem bola. Ele, sem bola, naturalmente sente-se mais confortável nesse momento. É um jogador agressivo, é um jogador que é rápido. Não é um central que tenha grandes dificuldades quando é colocado em momentos de velocidade, em que ele tem de defender o espaço ou fazer coberturas. Com bola, naturalmente, tudo o que fazemos – e sendo o mais direto possível – é completamente diferente de tudo o que ele fez nos últimos três, quatro, cinco anos. Esta é a realidade. Completamente diferente daquilo que ele faz ao nível de seleção, completamente diferente daquilo que ele fez na sua carreira como jogador ao nível de clube. Porque é diferente. Nós jogamos a maioria do tempo em meio-campo ofensivo, nós jogamos a maioria do tempo com bola e ele tem de tomar decisões constantes, de analisar vantagens, daquilo que são as nossas decisões. Isso, para ele, é tudo novidade e ele tem dado os passos certos. Acima de tudo, tem jogado sempre pelo seguro, o que demonstra alguma maturidade e alguma experiência, porque não se mete em caminhos apertados, explicando em bom português. Está a dar os passos certos. Acredito que esteja em pé de igualdade naquilo que é a disputa pelo lugar com os outros dois que têm jogado mais, neste caso o Lenglet e o Tomás [Araújo]. É uma decisão nossa de quem será sempre a melhor opção e o melhor par para a nossa linha defensiva. Mas estamos satisfeitos com ele.
Lenglet está disponível para este jogo com o Estrela da Amadora?
Vai estar nos convocados para o jogo de amanhã [domingo].
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"Circati tem vindo a evoluir, está-se a adaptar melhor"
Da última vez que cá estive convidei-o a recuar 37 anos no tempo. Agora são só 30. Coincidiu com Paulo Fonseca no Belenenses. O que é que recorda desses tempos? Como foi trabalhar com Vítor Manuel? Como eram Marco Silva e Paulo Fonseca como jogadores? E se hoje os contrataria para o Benfica.
De certeza que não [risos]. Com todo o respeito pelo Paulo – e o Paulo fez uma carreira um pouco diferente da minha –, mas não. E o Paulo vai perceber o que eu estou a dizer. Felizmente para nós, tornámo-nos os dois melhores como treinadores do que aquilo que fomos como jogadores, definitivamente. Não querendo aqui falar nem de mim nem do Paulo nesse aspeto, percebe-se pelos caminhos que as carreiras seguiram em termos de treinadores, em relação à nossa carreira profissional como jogadores. Dar as boas-vindas ao Paulo, nesse aspeto. Está num rival, um grande rival nosso, mas dar-lhe as boas-vindas ao futebol português. Um treinador com grande experiência e grande maturidade e que tem demonstrado ao longo da sua carreira o potencial que tem e o que tem feito pelos clubes por que tem passado. Simplesmente isso. Como éramos como jogadores, acho que não é importante neste momento. Partilhámos o balneário numa fase muito... Eu era bem mais jovem do que ele. Acredito que há uma diferença de quatro ou cinco anos. São experiências que ficam para a vida e que temos. Acabámos, ao longo da nossa carreira, por já nos cruzarmos também enquanto treinadores em diferentes clubes, também nos fomos defrontando e, daqui por um mês e pouco, acontecerá novamente.
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O Estrela tem-se apresentado num sistema semelhante ao do Benfica, que permite o espelhamento e favorece até alguns encaixes individuais. Frente ao Lech Poznan, vimos, por exemplo, Manu baixar para a última linha, a três, algo que Dahl também consegue oferecer. Eu gostava de perguntar se é a partir deste movimento que o Benfica pode desfazer os encaixes e que liberdade pode trazer aos laterais esta descida do médio mais posicional para ajudar na primeira fase de construção.
Sem dúvida que, baixando um pouco mais o nosso seis, deixamos de construir a três com o lateral-esquerdo e a mesma liberdade que temos no corredor direito acabamos depois por dar no corredor esquerdo também. As características do Souffian [El Karouani] como lateral-esquerdo também nos dão isso. Não é que o Dahl não consiga fazer, porque faz e ele gosta de o fazer também. O Souffian, por características muito próprias, acaba por nos dar essa profundidade e tem uma capacidade de chegar ao último terço, uma capacidade física também muito grande de, depois, poder apoiar o nosso triângulo, não vindo tão de trás, mas muitas vezes lá metido ou colocado num espaço entre linhas, dando mais liberdade ao Claudio [Echeverri], ao Sudakov, ao Rafa, quem for o nosso médio interior-esquerdo. O Manu, naquele momento, estava a sentir o avançado muito próximo dele. E ele, em vez de estar colocado por trás do avançado, colocou-se muitas vezes de frente para o avançado, o que deu, naquele momento, para nós abrirmos mais os centrais. Foi uma decisão devido ao posicionamento do avançado. Nós decidimos ver o jogo um pouco mais de frente naquele momento e optámos, em alguns momentos, por fazê-lo. Noutros momentos, tínhamos o Sudakov um pouco mais baixo e o Manu numa linha mais avançada também. Acabou por acontecer isso até pela leitura que o Manu fez desses momentos no jogo. Em relação ao que falou do Estrela: em alguns momentos, no momento defensivo, faz algo diferente, porque acaba por encaixar o seis, algumas vezes, no meio dos dois centrais quando está num bloco mais médio-baixo. Podemos falar no 4-4-2 no momento de pressionar, mas depois, quando entra em bloco médio-baixo, acaba por encaixar com o número seis, que é o seu jogador mais posicional. O jogador da posição seis acaba por encaixar no meio dos centrais e fazer uma linha de cinco. De uma forma ou de outra, nós estamos preparados para aquilo que o Estrela pode fazer. Se irá encaixar mais ou menos nos nossos dois interiores com os médios ou, de uma forma diferente, com uma linha de cinco, nós estamos preparados para esses dois momentos. E depois depende de nós a forma como vamos fazer dançar, entre aspas, a linha média e a linha defensiva do Estrela, para podermos procurar o espaço e criar os espaços que queremos no jogo.













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