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Camisola Principal Benfica 26/27

Jogo ao vivo

Edição de sexta-feira, 23 de outubro 2026

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"O adversário vai exigir um Benfica no seu máximo"


 

Nesta segunda-feira, 26 de outubro, o  Benfica visita o Santa Clara em partida da 9.ª jornada da Liga Betclic . Na antevisão do jogo, Marco Silva destacou a qualidade e a invencibilidade do oponente e reforçou a ambição de conquistar os três pontos.

Confiança reforçada, mas sem desvalorizar as dificuldades. O treinador das águias enalteceu a resposta da equipa nos últimos compromissos e a importância de prolongar o ciclo positivo. "Após a paragem, três jogos, três boas vitórias", salientou, antes de abordar a exigência do calendário: "Não serve de desculpa para nós. Sabemos o que é o calendário e temos de ser capazes de dar respostas."

Sobre o Santa Clara, Marco Silva elogiou o trabalho de Petit e identificou um conjunto "muito bom, bem organizado, bem treinado", alertando para a necessidade de o Benfica se apresentar "no máximo das suas possibilidades".

No que respeita às opções para o encontro agendado para as 18h45 (17h45 nos Açores) desta segunda-feira, o técnico confirmou o regresso de Jhon Durán, que integrará a comitiva encarnada e poderá ser utilizado. Em sentido contrário, Banjaqui, Barrenechea, Barreiro e Kamiński continuam indisponíveis.

O treinador valorizou ainda os números ofensivos e a identidade coletiva que o Benfica tem vindo a consolidar. "Estamos a ter uma identidade clara, que não muda muito de um jogo para o outro", sublinhou, sem deixar de apontar a necessidade de continuar a evoluir: "É bom sinal eles sentirem que há muito a melhorar, mas que estamos no caminho certo."

Marco Silva

Como é que está a equipa do Benfica neste curto intervalo de tempo entre jogos e perante mais uma deslocação? Por outro lado, que pontos fortes identifica neste Santa Clara, que ainda não perdeu nesta época para o Campeonato Nacional?

A equipa está bem, confiante, depois de mais uma boa vitória na Liga Europa. Após a paragem, três jogos, três boas vitórias. Dois jogos em casa muito, muito bons da nossa equipa e um jogo fora, que é sempre importante ganhar, em que, a espaços, estivemos bem, com uma segunda parte muito melhor do que alguns períodos da primeira. Mas mais um resultado positivo para nós e, naturalmente, bons resultados, jogos positivos, dão-nos confiança. Por isso mesmo, eu disse que a equipa está bem. Como falou também, pouco tempo entre um jogo e outro, com mais uma viagem que hoje iremos ter. Não serve de desculpa para nós. Sabemos o que é o calendário e temos de ser capazes de dar respostas. É um momento também de prepararmos o jogo e, ao mesmo tempo, recuperarmos jogadores do jogo anterior, percebermos como é que alguns deles se encontram, para tomarmos decisões para o jogo de amanhã [segunda-feira]. Como falou, e bem, contra um adversário forte. Um excelente trabalho do Petit, uma equipa que tem vindo a obter muitos bons resultados, e chegar a esta jornada sem nenhuma derrota, como mencionou, é um sinal muito positivo. Mas, além disso, percebe-se pela organização que é uma equipa que tenta sempre estar muito bem organizada, que tenta criar problemas ao adversário. Não faz o jogo só para ver o que é que vai dar. É uma equipa que, mais em casa, até tenta ter alguma iniciativa também, pelo menos naquilo que analisámos durante esta temporada até agora. E com bons jogadores, alguns deles com qualidade individual na frente de ataque, jogadores dos corredores muito bons, rápidos, ágeis, com qualidade no um contra um, e um avançado também com bastante experiência. De uma forma geral, uma equipa muito boa, bem organizada, bem treinada e que nos irá criar problemas e vai exigir um Benfica no máximo das suas possibilidades para podermos obter os três pontos, que é o nosso objetivo.

Gostava de lhe perguntar e pedir que esclarecesse as lesões de Leandro Barreiro e também de [Jhon] Durán. Vão efetivamente ficar de fora até ao próximo ano?

Até ao próximo ano? Pronto, vou-lhe já dar uma novidade. O Durán vai viajar connosco para os Açores. Se era até ao próximo ano... Pronto, recuperou rapidamente. De três meses, recuperou para três dias, o que é fantástico, o que é bom também. Vamos por partes. Banjaqui estará fora. Infelizmente, são muitos. Tenho de fazer aqui uma pausa para não me esquecer de ninguém, porque não é um momento, nesse aspeto, agradável para nós. Mas o Banjaqui, o Enzo [Barrenechea], o Leandro [Barreiro], como disse, o Kamiński ainda estarão fora também. Acho que não me estou a esquecer de ninguém. E o Durán estará com a equipa, estará convocado e, se assim necessitarmos, estará pronto para jogar.

Marco Silva

"Temos de chegar lá e impor o nosso futebol"

Marco Silva

E Barreiro, até ao próximo ano?

Não lhe vou dar nenhuma data. Porque me perguntou, ou disse, que o Durán ia ficar não sei quantas semanas e estará pronto para ser utilizado amanhã [segunda-feira]. Portanto, nós não vamos dar um limite. Se o Departamento Médico achar que há um momento de dar um limite... Até porque, por vezes, tentamos dar o limite máximo e depois há jogadores a recuperarem um mês antes ou algumas semanas antes. Não é assim tão fácil dar já esse limite para o próximo ano. Não querendo ser muito positivo, parece-me que poderá estar antes. Não querendo pôr aqui pressão nem no jogador, nem no nosso Departamento Médico, parece-me que estará antes.

Se Rui Costa, Presidente do Benfica, chegasse agora ao pé do Marco Silva e dissesse: "Marco, vamos acionar a cláusula de compra do Echeverri se quiseres", o que é que dizia? Sim ou não?

Dizia que temos muito tempo para o fazer. Temos muito tempo para o fazer, temos muito tempo para analisar, temos muito tempo para o integrar. E não estou a falar de qualidade. Qualidade, ele tem muita. E, como vocês viram e têm percebido também, daí toda esta conversa em volta do Claudio. Se não tivesse qualidade, nós não teríamos feito aquele movimento já bem perto do final do mercado. Eu senti que precisávamos de mais um jogador com aquele perfil para aquela posição e pedi à Direção para tentarmos encontrar o jogador certo. Um jogador que já estava referenciado no Benfica e que eu também conhecia bem do pouco tempo que ele esteve em Inglaterra. Portanto, acabou por ser uma decisão que tomámos e temos uma decisão a tomar, e temos todo o tempo para o fazer. Não há aqui que acelerar processo nenhum. Não há que tomar já uma decisão a correr. O jogador sabe que estamos satisfeitos com ele. Nós sabemos do talento que temos dentro de casa para trabalhar e o jogador tem de continuar a trabalhar, e muito. Nós não costumamos tomar decisões só baseadas num mês ou dois, em dois ou três jogos. Tenho a certeza de que o jogador irá dar muito, irá melhorar e continuar a melhorar. E nós, dentro dos limites e das datas que estão previstas, teremos todo o tempo para o fazer. Não há que ter alguma precipitação neste caso, porque não é necessário e não estamos focados nisso neste momento. Temos muito em que nos focar, muito que trabalhar, muito que fazer os jogadores perceberem qual é o caminho. E, no momento certo, iremos tomar as decisões que serão sempre as melhores para o Benfica.

Marco Silva

"Estamos a ter uma identidade clara, que não muda muito de um jogo para o outro"

O Benfica vai jogar depois de o FC Porto já ter vencido, ou seja, momentaneamente, a distância pontual é ainda maior, com a particularidade de o Benfica já ter jogado com o FC Porto um jogo. Eu pergunto se, na antevisão de um jogo com uma equipa que está num bom momento, se calhar das que estão em melhor momento no Campeonato, o Benfica, a partir de agora, tem margem de erro zero no Campeonato. Bem sabendo que há muitos jogos por fazer, mas não sendo habitual nos nossos Campeonatos – e, de há uns anos para cá, tem sido ainda mais acentuada a diferença entre os ditos grandes e o resto –, pergunto se a margem de erro é agora zero para o Benfica.

Eu compreendo a questão. Já me fizeram essa pergunta aqui algumas vezes. Acho que, no pré-jogo com o Vitória SC, foi praticamente a mesma questão. Com certeza não foi da vossa parte, mas foi de um colega. Já não me lembro qual foi o órgão, mas fizeram a questão. E eu disse que, a nós, compete-nos olhar para nós. Não é agradável olhar para a classificação. É o que é. Quem não gostar muito de olhar, não olha. Quem não sentir absolutamente nada, pode olhar. Se não tiver influência nenhuma naquilo que é o rendimento, pode olhar. Eu já disse aos jogadores: nós temos é de olhar para nós, ganhar os nossos jogos, semana após semana, e continuar a trabalhar para os ganhar, que é muito difícil. A partir do momento em que preparamos uma temporada, não prevendo se estamos à frente ou atrás, seja lá aquilo que for, sabíamos que, na maioria das vezes, íamos jogar depois da grande maioria dos nossos adversários. Quando competes na Liga Europa, sabes que isso irá acontecer. Está a falar da questão dos pontos que poderão estar ou não aqui em causa, mas, se estivéssemos taco a taco, iríamos fazer, se calhar, a mesma questão da pressão. Se estivéssemos nós à frente, o jogar depois. Eu sei que todos nós andamos aqui há algum tempo e sabemos que é assim que funciona. Jogando na Liga Europa, jogando a maioria dos jogos à segunda-feira, irá acontecer, se os nossos adversários obtiverem bons resultados. É o que é. Falou-me só de um adversário. Possivelmente, hoje irá jogar outro. Não sabemos qual será o resultado. Nós não controlamos. Não adianta estar a gastar energia nisso e a pensar muito nisso. É focarmo-nos em nós e olharmos para aquilo que é o mais importante. São os três pontos de amanhã [segunda-feira], contra uma boa equipa, como falou, e é nesse foco que temos de estar. Quem não se importar muito, olhe para a classificação. Quem se importar, tem bom remédio e não olha. Temos é de fazer bem o nosso trabalho.

Marco Silva

"Não queremos ser aqueles que vestem melhor, aqueles que fazem tudo mais bonito. Queremos, sim, progredir como equipa e estar aqui para ganhar jogos e conquistar títulos"

Daquilo que tem visto a nível interno e também na Europa, comparando os três clubes, Benfica, FC Porto e Sporting, pergunto-lhe se, para si, o Benfica é aquele que está a praticar melhor futebol entre as equipas portuguesas. Esteve muitos anos em Inglaterra, já disse que Portugal vende mal o Campeonato, deu vários exemplos, jogos à porta fechada, relvados em mau estado. Pergunto-lhe se expressões como "bomba" e "sangue" também prejudicam o futebol português, expressões ditas pelo treinador do FC Porto.

Eu desta lembro-me, foi o Pedro que já tinha perguntado isso, de quem joga melhor em Portugal. Dessa lembro-me que tinha sido o Pedro. Portanto, já está a repetir a questão. Tenho boa memória, de vez em quando vou apontando, e dessa lembro-me perfeitamente [sorrisos]. E vou responder mais ou menos da mesma forma. Há várias formas de ganhar, é o que eu tenho a dizer. Cada um, cada clube, cada treinador tem a sua forma de jogar ou de pensar jogar. Às vezes pensamos de uma forma e queremos jogar daquela forma e acabamos por não conseguir, porque temos adversários à nossa frente também, que têm qualidade e que nos tentam bloquear. E não há só uma forma. No futebol não há só uma forma de ganhar. Há variadíssimas formas de tentar ganhar jogos e de os ganhar, e depois compete a cada clube e a cada equipa técnica optar pelo caminho que querem seguir. Eu não vou entrar nessa... Vou fugir-lhe novamente, peço desculpa, mas não vou, porque não tenho de o fazer. Se vocês quiserem olhar para a classificação, não é isso que a classificação diz, o que muita gente está a dizer. Nós temos o nosso caminho, queremos segui-lo, queremos ganhar jogos, acima de tudo. Não estamos no Clube para sermos os mais bonitos da festa. Não queremos ser aqueles que vestem melhor, aqueles que fazem tudo mais bonito. Queremos, sim, progredir como equipa e estar aqui para ganhar jogos e conquistar títulos. É esse o nosso objetivo, claramente. E isso é uma conversa que eu tenho... Não fugir é responder-lhe desta forma, porque é o que eu acho. Sinceramente, é o que eu acho sobre o futebol. Em relação à outra questão, nessa nem sequer vou entrar. Eu falei... Não quero bater muito no futebol português, porque eu sou português com orgulho, gosto de estar onde estou e não estou aqui obrigado de todo, como vocês sabem. Não fui de todo obrigado a voltar ao futebol português. Voltei porque quis muito voltar, quis muito estar aqui. E não vou ser eu que vou andar aqui sistematicamente a falar daquilo que é bem vendido ou não. Eu disse-lhes na altura, foi num momento em que a pergunta também veio, mas falei muito dos relvados. Eu já tinha falado quando fomos jogar à Madeira, portanto nem foi só num jogo em particular. Acho que a questão dos relvados foi no jogo na Madeira, porque nós já tivemos alguns jogos, infelizmente, em que os relvados não estiveram em condições. E não somos só nós a falar. Já se mudou um relvado. Já se mudou um relvado a meio da temporada, já teve de se mudar um relvado porque não estava em condições. E há outros que podem estar melhores. O que nós queremos é que quem vai ao estádio possa assistir a bons jogos, que os jogadores que gostam de jogar – e acredito que não são só os dos clubes grandes em Portugal –, todos os jogadores de futebol gostam de jogar em bons relvados. Disso não tenham a menor dúvida. Porque, quando vão lá para dentro, gostam de expressar o seu futebol e, quando vemos jogos na televisão, gostamos de assistir a bons espetáculos. Portanto, tudo isto ajuda. Bons jogadores, treinadores mais ou menos competentes... Em Portugal, felizmente, temos muitos treinadores competentes e que o mostram pelo mundo inteiro. E, se pudermos oferecer boas condições aos nossos jogadores para poderem jogar futebol da melhor forma, ainda melhor. Portanto, eu quero é falar bem e proteger o máximo que possa, porque é o meu país e é o nosso futebol, e nós temos muita qualidade e por isso é que vendemos tão bem. Em relação ao resto, não vou entrar por aí.

Marco Silva

"O jogo irá colocar-nos algumas questões e nós temos de ser capazes de as resolver, como equipa, individualmente também, com a inspiração dos jogadores"

A nível interno, o Benfica já jogou no Dragão. O Santa Clara, quer pela sua classificação, quer agora por questões de calendário, é o teste mais difícil que surge no caminho do Benfica?

É difícil prever. A classificação diz-nos que sim. Se olhar só para a classificação, teremos de concordar. Quando preparamos um jogo e olhamos para essa questão, sim. Olhando para a qualidade do Santa Clara, para aquilo que eu já falei em termos de organização, quer individual, quer coletiva, é um adversário que nos vai criar problemas, de certeza. Num campo que normalmente é difícil. Pelas características e condições climatéricas, normalmente, também é um relvado que não é muito fácil. Eu não tenho muita experiência, mas, pelo que analisei, pelo feedback que tive também de anos anteriores, foi o que constatei. Portanto, é um relvado que tem... Já não vou lá há algum tempo, mas é um relvado que, por vezes, cria algumas dificuldades, muito mais até pelas condições climatéricas que muitas vezes estão nos Açores. Mas o feedback que temos neste momento é que o relvado estará em condições para se praticar um bom futebol, quer para nós, quer para a equipa da casa. Esperamos um bom jogo contra um adversário que, sim, tem qualidade. Se será um adversário que nos irá criar mais dificuldades ou menos, temos de estar preparados para o que o jogo ditar. O jogo irá colocar-nos algumas questões e temos de ser capazes de as resolver, como equipa, individualmente também, com a inspiração dos jogadores. Porque nós somos uma equipa que, em muitos momentos, também leva o jogo para a inspiração dos jogadores. Precisamos dessa criatividade em alguns jogadores da nossa equipa, porque promovemos isso no nosso jogar. E é isso mesmo que vai estar amanhã [segunda-feira] em jogo. Uma equipa que tem qualidade, que joga em casa, mas nós teremos de assumir aquilo que é a nossa responsabilidade no jogo, aquilo que é a nossa qualidade, o porquê de ambicionarmos coisas grandes neste clube. E temos de chegar lá e impor o nosso futebol, se assim o conseguirmos, mas respeitando muito aquilo que é a qualidade do adversário.

Marco Silva

"Não há ninguém que consiga atacar bem se não tiver capacidade e não estiver preparado para defender bem. Tem de haver equilíbrio em tudo o que fazemos"

Há 37 anos que o Benfica não marcava tantos golos nos primeiros 17 jogos. Eu convidava-o a recuar no tempo: Marco Silva tinha 12 anos, na altura já gostava de futebol. Lembra-se de Magnusson ou de Vata? E, já agora, o que é que isso lhe diz atualmente da equipa?

É um bom sinal. Vocês sabem que, independentemente dos golos marcados, eu gosto muito, muito de não sofrer também. É algo a que me fui habituando ao longo da minha carreira como treinador. Conseguir incutir isto nos nossos jogadores: não há ninguém que consiga atacar bem se não tiver capacidade e não estiver preparado para defender bem. Não há nenhuma equipa que seja sólida o suficiente se não tiver a capacidade de não sofrer golos. Eu posso-vos dizer que fiquei muito satisfeito com o nosso resultado fora de casa com o Omonia, mas fiquei furioso com o golo que sofremos naquele jogo. Posso-vos dizer isso claramente. Tem de haver equilíbrio em tudo o que nós fazemos. Mas, respondendo diretamente à sua questão, sim, é um sinal muito bom. É um sinal muito bom porque nós, mesmo com este número de golos marcados, temos tido a capacidade de criar mais. A nossa eficácia, em alguns jogos – e isso custou-nos um pouco, se calhar, em alguns deles –, não foi ao nível que pode ser e trabalhamos para isso. Senão, os golos ainda teriam sido mais. Mas muito satisfeito. São números e, quando recua tantos anos num clube da dimensão do Benfica, que normalmente é um clube dominador, que normalmente tem grande capacidade ofensiva, e tendo em conta a qualidade dos jogadores que passaram por esta casa em termos ofensivos, que é muito grande, é um sinal positivo. É um sinal de que estamos a fazer as coisas bem. Estamos a ter uma identidade clara, que não muda muito de um jogo para o outro. Sempre foi o meu objetivo desde que cheguei: as pessoas sentirem, quando o Benfica está a jogar, que é o Benfica que está a jogar. Independentemente de não fazermos tudo bem e não sermos perfeitos, porque estamos muito longe disso. Muito longe mesmo. Sou o primeiro a dizer que há um caminho muito, muito grande para nós percorrermos em todos os aspetos daquilo que queremos para o Benfica. Mas satisfeito, como eu disse na semana passada, com aquilo que tem sido a abertura e a abordagem dos jogadores, o quererem melhorar sempre, o estarem a trabalhar fortemente para que nós possamos sempre, como equipa, melhorar. E depois há estes aspetos que temos sempre de melhorar. Mesmo equipas que normalmente são chamadas de perfeitas têm muito a melhorar. Imaginem nós, que temos muito caminho para continuar a percorrer. E os jogadores também sentem isso. Mas é bom sinal eles sentirem que há muito a melhorar, mas que estamos no caminho certo.

E aos 12 anos gostava de futebol?

Sim, adorava, adorava. Até porque tinha a possibilidade de ir a muitos estádios na zona onde vivia, portanto não era só a um, e gostava bastante. E, naturalmente, lembro-me perfeitamente de alguns dos jogadores de que falou. Não quero entrar muito em grandes pormenores, mas, sim, lembro-me perfeitamente. Independentemente de já ter passado algum tempo, porque já não caminhamos para novos, mas, sim, lembro-me perfeitamente do que está a falar.

Marco Silva

"Teremos de assumir aquilo que é a nossa responsabilidade no jogo, aquilo que é a nossa qualidade, o porquê de ambicionarmos coisas grandes neste clube"

Gostava de lhe perguntar duas situações do plantel, que têm que ver com Schjelderup e Rafa. Olhando para os números, Rafa parece estar num momento de menor fulgor e Schjelderup, por outro lado, foi titular agora, mas tem estado mais jogos fora do onze, não tem tanta influência como no ano passado. Gostava que me explicasse a situação destes dois jogadores.

Não querendo entrar em explicações muito profundas, porque algumas coisas, tentando ser o mais honesto possível com vocês, também as tenho de guardar para nós e é importante ficarem dentro de casa. Em relação ao Rafa, foi um começo de época tremendo dele. Tremendo em termos de números, em termos de qualidade no seu jogar. Quando um jogador na posição do Rafa e com a sua qualidade não tem números tão fortes nos últimos jogos, é óbvio que se fale. E o Rafa está mais do que preparado para isso. Compete-nos a nós continuar a trabalhar com ele e a dar-lhe a confiança que teremos de dar, e ele sabe que tem, para poder potenciar o seu futebol. Tão simples como isso. O que é importante para nós é que, quando alguns não estão a um nível tão alto em termos de golos, outros possam aparecer e não haver aqui o foco só numa posição, só num corredor ou só numa zona. O nosso objetivo é que os golos possam estar espalhados por todos e não haver só aqui um ou dois. Ou as assistências, ou seja lá o que for neste caso. Nós trabalhamos como equipa. O Rafa continua a dar o seu máximo em todos os jogos. Ainda no último jogo, independentemente de ter sido um jogo, em termos de qualidade, em alguns momentos da primeira parte, não ao melhor nível da nossa equipa, o Rafa tentou sempre ajudar, tentou sempre dar o melhor à equipa. Quando se fala do Rafa – e eu quero claramente que se pense no Rafa, no Andreas [Schjelderup], como falou, no Prestianni, no Lukebakio, no Claudio [Echeverri], no Sudakov –, é óbvio que temos de falar muito mais pelo que eles produzem em termos ofensivos. É uma realidade. E é dessa forma que temos de olhar para esses jogadores. Mas, quando muitas vezes não estamos na melhor noite, as outras questões têm de estar sempre no jogo. E o Rafa, mesmo no último jogo, tentou dar o máximo dele à equipa. Isso, para mim, também é muito importante. E a nossa confiança é que ele irá voltar ao seu melhor em termos de rendimento individual, em termos de números, para poder dar à equipa aquilo que já deu. E teve um começo de temporada muito bom. Em relação à questão do Andreas de que me falou, eu percebo a questão. Olhando um pouco para trás, por exemplo, após a paragem, nós tivemos três jogos. Ele jogou dois, não jogou um. Jogou com o Vitória SC, jogou o último jogo, não jogou o jogo com o Celtic. Nós jogámos, praticamente em dez dias, estes três jogos. Não jogou um jogo. Eu sei que está a falar mais para trás do que propriamente destes três jogos. Por exemplo, o Prestianni também não jogou um jogo. Se olharmos para o Prestianni e para o Andreas desde a última paragem, jogaram o mesmo número de jogos a titular. Mas eu sei que está a falar mais para trás e sei que está a falar da influência. Há aqui uma questão que é clara e que vocês todos também sabem. E, se querem que eu repita, eu posso repetir, não há problema nenhum. Tem que ver com o rendimento que o Prestianni tem tido à esquerda, que tem sido fenomenal. Eu não gosto de estar a individualizar e a ir por aí, mas, na maioria das vezes, vocês sabem a resposta. Mas estão-me a perguntar e eu tenho de vos dizer. O Prestianni tem tido um princípio de época fenomenal. Nós temos usado o Prestianni muito à esquerda porque, sinceramente, é onde ele rende mais. Eu sei que ele não tinha jogado à esquerda praticamente no Benfica. Se calhar, há dois anos tinha jogado à esquerda, ou há três anos, no seu começo. Estamos a falar de um jovem de 20 anos. Mas, por exemplo, na época passada, eu acho que ele não jogou à esquerda. E nós, por algumas circunstâncias da pré-temporada, porque o quisemos analisar também à esquerda, ele começou a ter um rendimento tremendo à esquerda. É uma posição em que ele rende e é muito forte, muito agressivo no seu jogar, que dá muita coisa boa à equipa. O Andreas também é um jogador, como vocês sabem, que eu adoro, que é um talento grande que temos na nossa casa. E é uma competição muito grande entre os dois. Eu quero muito que os dois estejam no onze. Não vos vou esconder. Eu gostava muito de conseguir conciliar os dois ao mais alto nível no onze. É esse o meu objetivo, porque estamos a falar de dois grandes talentos. Mas quero tirar o maior rendimento dos dois. E, portanto, é esta a questão que eu tenho na minha cabeça: a melhor forma de tirar o melhor rendimento dos dois, sabendo que a melhor posição para ambos é jogar à esquerda. E depois compete-me fazer a análise. No jogo com o Vitória SC, estiveram os dois e fizeram um grandíssimo jogo, principalmente naquela primeira parte, com o Prestianni a jogar mais por dentro e o Andreas mais por fora. E, com as trocas que fomos fazendo em termos ofensivos, foi uma meia hora deliciosa de se ver naquele nosso flanco esquerdo, com o apoio do Dahl. Em outros jogos já não foi assim. Compete-me a mim, em cada jogo, dependendo do adversário que temos, da capacidade do adversário. Nós, se jogarmos com qualquer um dos dois mais por dentro, sem bola também depois perdemos algumas coisas, porque faz parte. Porque têm tanta mobilidade, os dois, que depois, em alguns momentos, não estão em posicionamentos que, para nós, são importantes. Mas o meu objetivo, não o escondo, espero consegui-lo da melhor forma possível e sempre olhando para aquilo que é o melhor para a equipa. Porque depois eu não me posso esquecer do Rafa, do Lukebakio, do Sudakov, do Claudio [Echeverri]. O que é melhor para a equipa é considerar sempre aqueles que são os jogadores que melhor interpretam aquilo que nós queremos no mesmo onze. E, claramente, são dois jogadores que interpretam o jogo de uma forma que a mim me agrada bastante como treinador. Iremos ver quantas vezes eu vou conseguir conciliá-los e colocá-los ao melhor nível no onze do Benfica.


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