"Temos de voltar mais fortes após a paragem"
Reconhecendo que o Benfica protagonizou um arranque de "muito bom nível" no encontro com o FC Porto (3-1), referente à 7.ª jornada da Liga Betclic , Marco Silva assumiu alguns momentos coletivos menos bons, mas valorizou a atitude da equipa no jogo que decorreu neste domingo, 20 de setembro, no Estádio do Dragão.
A expulsão de Lenglet aos 35 minutos alterou profundamente o clássico, mas, na primeira análise ao jogo, na flash interview da Sport TV, Marco Silva recusou circunscrever a derrota a esse momento. O treinador valorizou a entrada forte e a organização demonstradas pelo Benfica, considerando, contudo, que a equipa não revelou o equilíbrio emocional necessário para preservar aquilo que vinha construindo.
"Eu concordo que a nossa entrada foi de muito bom nível, claramente dentro do plano que tínhamos traçado e com a identidade e com a coragem que têm sido a marca da nossa equipa desde o começo da época. Tivemos uma grande oportunidade, alguns momentos perigosos dentro da área já do nosso adversário, uma grande oportunidade pelo Prestianni. Uma entrada como nós queríamos, a condicionar muito e bem o FC Porto, a não deixar o FC Porto entrar pelos caminhos por onde normalmente gosta de entrar, e nós sempre muito bem organizados. Muitas vezes em bloco médio, muitas vezes em bloco alto, a tentar condicionar o FC Porto. E, por isso, tomámos conta do jogo. Creio que, nos primeiros 20, 25 minutos, fomos a equipa que tomou conta do jogo. Depois, naturalmente, sofremos... Eu tenho de dizer que nós perdemos o jogo. E fomos nós que o perdemos. Não querendo desrespeitar ninguém, nós é que perdemos o jogo nesta noite e é nisso que nós temos de trabalhar e é nisso que nós nos temos de focar. Havia alguns aspetos de que nós falámos bastante. Era importante para nós termos o equilíbrio emocional que temos de ter, independentemente de provocações, independentemente de ambientes. Temos de ter equilíbrio emocional. E, por isso, eu digo que nós perdemos três pontos e nós perdemos o jogo", analisou.
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Mesmo em inferioridade numérica e em desvantagem, o Benfica procurou discutir o resultado e chegou ao empate no arranque da segunda parte. Marco Silva elogiou essa capacidade de reação, mas identificou na gestão dos momentos seguintes – com particular incidência no lance que antecedeu o segundo golo portista – a maturidade que a equipa ainda precisa de adquirir.
"Nós estávamos a perder e nós falámos. E, muitas vezes, quando se está a perder com dez, não soa muito bem, mas era importante para nós não sofrermos mais golos na segunda parte. Era fundamental. Eu disse aos jogadores ao intervalo que nós íamos marcar, que nós íamos criar. E nós criámos. Não só a oportunidade em que fizemos o golo, mas criámos na segunda parte, mesmo com dez. Agora, nós temos é de ser mais maduros. Acabámos de marcar um golo, estamos em posse naquele momento pré-golo que concedemos. Estamos com a posse. O FC Porto nem pressionava. O FC Porto não nos conseguia pressionar, mesmo com dez. E nós, mesmo com os nossos centrais sem oposição praticamente, acabámos por fazer uma variação no centro do jogo que não faz muito sentido para nós fazer naquele momento. Temos é de acalmar o jogo. Ter a capacidade de acalmar o jogo. E todos estes pequenos detalhes, alguns momentos da forma como defendemos também a área, são momentos em que nós temos de crescer e temos de ganhar a maturidade suficiente para seguir o caminho que temos de seguir e sermos cada vez mais fortes. Porque perdemos. Perdemos nós. Perdemos o jogo nesta noite. Mas temos de reagir forte. Infelizmente, para nós e para os nossos adeptos, é uma paragem longa. Já sei qual vai ser a narrativa, mas nós estamos muito focados. Agradecer-lhes o apoio, não só nesta noite. Agradecer-lhes o apoio quer ontem [sábado] no hotel, quer à saída do hotel hoje também. Precisamos deles. Precisamos deles juntos. Vão ser duas semanas e meia duras para eles, eu sei, como vão ser para nós, mas nós estamos cá e bem vivos", vincou.
Após o duelo, Francesco Farioli, treinador do FC Porto, disse que neste clássico "não houve coisas estranhas". Na entrevista rápida, o treinador do Benfica foi desafiado pela Sport TV a comentar aquela declaração e a sua resposta foi sintomática: "Pois não, não houve nada. Zero. Zero. Não tenho opinião. Não [falo sobre arbitragem]. Acho que, se quiser, o Clube é que deve falar. Tenho de me concentrar naquilo que é importante para nós e para a equipa. Mas se o míster Farioli disse que não há coisas estranhas, há que acreditar."
O treinador do Benfica desvalorizou leituras externas sobre a distância pontual no topo da classificação e colocou o foco na evolução e nos aspetos que as águias podem efetivamente controlar.
"Estamos num processo de crescimento, temos de ganhar. Não andamos aqui a dizer que é só para crescer. Estamos aqui para ganhar. Estamos aqui com objetivos claros, internos e a nível internacional. Esse é o nosso objetivo. As narrativas que vão ser criadas, não há problema para nós. Nós não as controlamos e não queremos isso. Analisem. Analisem o jogo. Analisem a época até agora. Analisem os cinco pontos de atraso. Não há problema absolutamente nenhum. Nós temos de nos focar. Nós, os nossos adeptos... É importante que também se foquem naquilo que é importante para nós. E importam-me a mim as coisas que temos de melhorar. As outras coisas que não controlamos, que vão ser essas narrativas todas e tudo o que aconteceu no jogo aqui, não vale a pena nós falarmos", reforçou.
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| Excelente entrada em jogo | ||
| "Uma excelente entrada, primeiros 20, 25 minutos de grande nível, dentro daquilo que era o nosso plano, dentro daquilo que era a nossa identidade, e chegámos e comandámos o jogo desde esse momento. Bem a condicionarmos o nosso adversário, bem a jogar em meio-campo ofensivo. Acabámos por ter a primeira grande oportunidade do jogo, numa muito boa jogada da nossa equipa. E eu tenho de dizer: nós, e respeitando toda a gente, acabámos por perder o jogo e a culpa é nossa. Fomos nós que o perdemos por algumas coisas que aconteceram dentro do terreno. E nós temos de assumir isso mesmo, não querendo dar muitas explicações. Teremos de crescer para jogar em contextos como este, em ambientes e outras coisas mais. Mas isso é para nós falarmos, para nós crescermos e, naturalmente, sermos mais maduros. Simplesmente isso. Por isso mesmo eu digo que nós perdemos o jogo nesta noite. Perdemos três pontos importantes para nós. Infelizmente para nós, há uma paragem. Todas as narrativas que se irão falar e que se irão dizer... Nós temos de voltar mais fortes após a paragem. Começar também por agradecer aos nossos adeptos o apoio incondicional desde ontem [sábado] e hoje também à saída do hotel, e hoje durante o jogo. Infelizmente, não lhes demos aquilo que eles mereciam. Estamos cá para continuar a crescer e para lhes dar, no final da época, aquilo que eles tanto merecem." |
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| O equilíbrio emocional necessário | ||
| "Em relação à expulsão [de Lenglet], eu não vou fazer qualquer comentário. Acho que é importante, se o Clube tiver de dizer alguma coisa em relação ao jogo, acho que o Clube deve dizê-lo. Eu não sei se irei conseguir continuar assim até ao final da época. Venho de uma cultura diferente. Aqui, infelizmente, consegue-se condicionar árbitros antes dos jogos, depois dos jogos, durante a semana, de toda a forma e mais alguma. E, por vezes, dá resultado. Eu não vou entrar por aí. Acho que o míster Farioli virá aqui a seguir. Aproveite e faça-lhe a pergunta [sobre ter referido que não houve coisas estranhas em relação à arbitragem no clássico]. Em vez de me perguntar a mim o que é que ele disse, aproveite o momento, faça-lhe a pergunta e vai ter aqui a resposta. Isso não é para eu responder. Ele ontem falou, falou na semana passada de coisas estranhas, portanto entrem vocês nessa conversa com ele, porque vocês também gostam e acaba por ser importante. E é bom para o futebol português, é porreiro e a malta vai gostando, vamos vendendo bem o futebol português e vamos tendo espetáculos muito bons. Hoje de certeza que a narrativa e o que se vai analisar do jogo vai ser: 'Grande jogo, fantástico jogo. Mais uma vez foi um fantástico jogo, muito bonito.' E é assim. Parabéns a quem ganhou, nós perdemos o jogo. Em relação à primeira questão da expulsão, não vou fazer qualquer comentário. Quero é que os meus jogadores sejam mais maduros, tenham capacidade de, havendo provocações, não havendo provocações, manter o equilíbrio emocional. É fundamental para nós, no tipo de jogo que se joga aqui em Portugal, em alguns jogos, não em todos, como é lógico, termos a capacidade de manter esse equilíbrio emocional. Porque depois, no final de uma temporada, vai ser fundamental para não acabarmos os jogos com dez. Nós sabíamos que era fundamental para nós hoje acabar o jogo 11 para 11. Nós tínhamos falado disso. Tinha dito aos jogadores que seria fundamental e o resultado nos iria sorrir, de certeza. Infelizmente, não aconteceu. E nós temos de olhar para nós mesmos." |
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| Assumir com personalidade e sem medos | ||
| "Uma equipa que entra com a personalidade com que o Benfica entrou, e é importante chegar aqui e jogar com personalidade, e nós fizemo-lo durante 25 minutos, a muito bom nível... Não nos amedrontámos em nada, assumimos o que tínhamos de assumir, fomos pressionantes. Com bola conseguimos ser uma equipa dentro daquilo que temos sido e que temos vindo a cimentar e a crescer como equipa e a adquirir os processos. Portanto, eu falo de uma forma geral [sobre imaturidade]. Da mesma forma como sofremos o primeiro golo, é um golo que é completamente evitável da nossa parte. E isso compete-me a mim, são coisas que eu tenho de trabalhar com os meus jogadores. Falou do segundo golo, e eu percebo por que é que fala. Nós tivemos uma entrada boa, mesmo com dez. Eu tinha dito aos jogadores que era fundamental para nós não sofrermos golos na segunda parte, independentemente de estarmos a perder, porque eu sabia que nós íamos marcar. E até marcámos mais cedo do que eu esperava, sinceramente. Mas foi uma entrada boa da nossa equipa, e basta perceber como é que nós perdemos aquela bola. Nós não temos pressão, o FC Porto, mesmo contra dez, quase não nos conseguia pressionar naquele momento. Os nossos centrais completamente em posse e sem pressão, não há necessidade nenhuma de fazer variações do centro de jogo. É uma capacidade nossa: a de ficar com a bola e, depois, procurar os caminhos certos. Quando digo crescer, é neste aspeto: sermos maduros, percebermos para onde é que queremos ir e quais os caminhos por que vamos para chegar lá. Eu percebo a questão, foi logo muito rápido que sofremos o golo após termos marcado, e que podia intranquilizar um pouco aquilo que era a reação do FC Porto e podia fazer-nos crescer. Naqueles momentos, nós temos de defender a baliza de uma forma diferente e, acima de tudo, não perder a bola como perdemos, ou dar ao adversário a bola como demos, quando tínhamos zero pressão naquele momento nos nossos centrais." |
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| Sem comentar "coisas estranhas" | ||
| "[Percebe o termo coisas estranhas usado pelo treinador do FC Porto?] Vou responder da mesma forma: aproveite o momento a seguir, que vai ser porreiro, e vocês falam dessas coisas estranhas, e falam de outras coisas mais. [O Benfica usou o mesmo termo após o jogo com o Gil Vicente a respeito de um lance com Daniel Banjaqui] Eu referi alguma coisa? [O Benfica] Mas eu referi? Aproveite a seguir o momento e faça essa pergunta. [Agressividade acima dos limites?] Não sou eu que vou gerir a agressividade do adversário. Para isso, estão lá quatro, mais dois no VAR para gerir. Não sou eu que tenho de gerir ou ver se passa dos limites ou não." |
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| Alternâncias táticas | ||
| "[Variabilidade nos momentos de pressão] Sim, foi claro na primeira parte. Começámos no nosso 4-4-2, como é normal, e depois tínhamos os nossos triggers para a pressão, para chegar. E depois o Fredrik [Aursnes], de uma zona mais baixa, para chegar ao Rosario quando tínhamos de o fazer. Situações para a baliza diferentes: fomos mais num homem a homem, praticamente, e daí termos condicionado, e bem, termos ganho muitas bolas numa zona mais alta, termos condicionado aquela primeira fase do FC Porto, em que o Diogo [Costa], naturalmente, pela qualidade que tem, consegue encontrar espaços de uma forma muito boa e não conseguiu até praticamente ao meio da primeira parte. Nós estivemos sempre muito bem nesse momento. Fomos pressionantes. Fomos agressivos. Sabíamos o que o adversário ia procurar. Alternou um pouco. Virou rapidamente para o lado esquerdo, onde estava a superioridade, quando nós subíamos pelo corredor direito. E, mesmo assim, nós começámos a perceber isso também e começámos a ganhar bolas sobre o nosso corredor direito, quando o FC Porto tentava sair diretamente com o lateral-esquerdo, na primeira pressão, com pé direito, a tentar ligar rapidamente com o avançado. E nós fomos agressivos nesse momento. E, por isso, ganhámos muitas bolas no meio-campo ofensivo nesse momento. Depois, com dez, mais difícil. E aí concordo: em alguns momentos seguimos demais o Froholdt. Quando já estávamos com menos um, difícil... Tentámos, era mais importante a nossa linha de quatro rodar rapidamente de um lado ao outro, mesmo com o adversário a agredir muito o espaço, como o Froholdt tem essa capacidade de agredir. E, naturalmente, com movimentos contrários do André, depois vinha buscar em zonas mais baixas e tirou-nos ali alguma da coesão no meio. Tentámos emendar a meio da segunda parte, dando feedback ao João [Palhinha]. Em alguns momentos conseguimos fazê-lo, noutros não. Mas é mais difícil, naturalmente. Não conseguíamos dar um passo em frente para a nossa pressão. Com menos um, é muito complicado. Tentámos manter-nos coesos. E a realidade é que o FC Porto faz dois golos muito rápido após o nosso empate. Matou um pouco as nossas esperanças, porque era um momento de, com bola, sermos mais criteriosos, mesmo não chegando muito rápido à frente. O FC Porto, mesmo contra dez, em alguns momentos fechou numa linha de cinco. O Rosario a encaixar no meio dos centrais, entre lateral-direito e central. E nós conseguiríamos ter bola, porque não era uma equipa que se iria expor muito nesse momento. Só quando havia passe atrasado ou a bola chegava aos nossos centrais. Faltou-nos um pouco isso após o golo. E, sim, aqueles movimentos criaram-nos alguns problemas, com muita gente a atacar a nossa última linha. Faltou-nos ficar um pouco mais coesos e defender com a linha de quatro naqueles momentos. Mesmo correndo alguns riscos, faltou-nos um pouco isso." |













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