"Temos de ser corajosos"
Vindo de cinco triunfos consecutivos na Liga Betclic , o Benfica visa prolongar o bom momento na deslocação ao terreno do FC Porto, adversário na partida da 7.ª jornada do Campeonato, agendada para as 20h30 de domingo, 20 de setembro, no Estádio do Dragão.
Na antevisão do clássico, Marco Silva perspetivou um "jogo muito difícil" e reconheceu valia ao oponente, líder da tabela classificativa, com mais dois pontos do que o Benfica.
"Não há que alterar absolutamente nada. Há que ajustar algumas coisas, porque temos um adversário de qualidade pela frente. Mas há que ser corajoso. Há que respeitar aquilo que é a nossa identidade e o porquê de andarmos a trabalhar há três meses para ter uma identidade como equipa", sublinhou, ciente de que estes encontros se definem "muito no detalhe".
Recusando euforias depois da vitória ante o AC Milan a meio da semana, o treinador das águias encarou com naturalidade o menor tempo de preparação em comparação com o FC Porto.
"É uma realidade, não tivemos a semana limpa. Quando temos, é muito melhor para nós. Isso é uma realidade, mas nem sempre é a semana perfeita. Portanto, nós usámos o tempo da melhor forma que conseguimos. Vamos usar também as próximas horas da melhor forma que for possível para nós, para prepararmos o jogo e estarmos preparados para aquilo que são as exigências de um jogo desta dimensão", afirmou.
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Atendendo ao bom momento das duas equipas, pergunto-lhe: como é que antecipa este primeiro clássico da época e se, por outro lado, espera um jogo mais aberto ou mais calculista?
Antecipamos um jogo difícil, como todos os clássicos são. Um jogo que, pela grandeza e pelos objetivos das duas equipas, acaba por ter sempre uma importância muito grande, por tudo o que acarreta. Não só em termos de pontos, porque, em termos de pontuação ou de pontos, no final serão sempre três pontos em disputa, mas, por tudo o que está em volta do jogo e por serem dois candidatos, neste caso, acaba por ter uma importância muito grande. Um jogo muito difícil. Normalmente são assim os clássicos. Jogando fora de casa, acaba por ter um acréscimo para nós, como, se fosse ao contrário, teria um acréscimo para o nosso adversário também. Mas, neste caso, um jogo muito difícil, como sempre.
Pergunto-lhe relativamente à utilização de Fredrik Aursnes, se vai ou não jogar e em que posição, porque pode até haver a possibilidade de jogar como lateral-direito. E se garante a utilização daquelas quatro unidades claramente mais ofensivas que têm jogado, exceto aqui no caso do Milan: Prestianni, Rafa, Schjelderup e Pavlidis.
Eu não vou estar a responder diretamente a essa questão, senão ia estar a dar o onze, ou parte do onze. E, como vocês devem calcular, eu não o vou fazer. Temos de esperar mais umas horitas, amanhã [domingo] já irão saber. O Fredrik [Aursnes] tem vindo a melhorar. Jogou o último jogo a titular. No jogo anterior tinha jogado à volta de 30 minutos. No último jogo jogou a titular, acabou por jogar perto, ou um pouco mais, de 60 minutos. Era esse o plano que tínhamos para o jogo. E teremos de tomar uma decisão em relação a ele. Está muito melhor. Está a ganhar a condição que nós queremos que ele ganhe. No último jogo não jogou como lateral, nem nada do género. Portanto, nós sabemos que ele pode ser um bom lateral, mas será sempre um excelente médio. E nós, se o pudermos usar na melhor posição dele, iremos fazer de tudo para o usar. Porque, se temos um jogador que é excelente naquilo que faz na zona intermédia, se pudermos usar um jogador que é excelente numa certa posição, não iremos usar um jogador que é bom noutra posição. Independentemente de toda a sua polivalência e de ele estar preparado para isso. O último jogo do Campeonato é um bom exemplo. Ele entrou para o meio-campo e depois, quando arriscámos com a entrada do segundo avançado, acabou por fazer os últimos minutos como lateral. E está mais do que preparado para o fazer. Irão ver amanhã [domingo] qual será a decisão, quer em relação à forma como vamos compor o meio-campo, quer em relação a quem irá jogar a lateral-direito ou não. E depois, em relação ao resto dos jogadores por que perguntou, terão de esperar por amanhã.
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"Em clássicos, normalmente, independentemente de momentos ou não, da classificação ou não, não há favoritos"
Marco Silva
Gostava de saber, na sua ótica, quais são os pontos fortes do FC Porto e o que é que vai ser mais difícil para o Benfica contrariar. E, já agora, se espera algum tipo de ambiente hostil, tendo em conta o que aconteceu nos últimos clássicos no Porto.
Esperamos um ambiente de clássico fora de casa. E podemos ir por aí. Em clássicos, normalmente, independentemente de momentos ou não, da classificação ou não, não há favoritos. E, por isso, é difícil encontrar um favorito, por tudo o que acarreta um jogo desta dimensão... Há sempre pequenas vantagens. E eu, quando olho para clássicos, vejo uma pequena vantagem, que é o jogar em casa. Se fosse ao contrário, eu estaria a dizer aqui o mesmo. Há uma pequena vantagem, que é o fator casa, é o fator do apoio. E, neste tipo de jogos, é um apoio, quer para nós quando jogamos em casa, quer para o nosso adversário quando joga em casa, fervoroso. É sempre importante. E há aqui uma condicionante, que foi o FC Porto ter a semana toda para preparar e nós não termos tido. Portanto, são as duas pequenas questões que podemos colocar aqui. Em relação a favoritismos, não vou por aí. Não encontro, neste tipo de jogos, este tipo de questões. Em relação ao ambiente, é um ambiente de clássico. Um ambiente difícil, acho que faz parte. Nós estamos preparados. Sinceramente, é importante jogar neste tipo de ambientes. Se queremos lutar por coisas importantes e, num clube da dimensão do Benfica, temos de estar preparados para jogar em qualquer tipo de ambiente. E, para mim, são sempre ambientes normais, se não passarem dos limites, como vocês devem calcular. Em relação aos pontos fortes, estamos a falar de uma equipa muito forte. Uma equipa que foi a última campeã nacional. Uma equipa que normalmente é muito sólida, muito agressiva com e sem bola. Uma equipa que, no seu momento de transição ofensiva, tem características muito próprias e características que podem ferir o adversário nesse momento também. Em ataque posicional é muito claro aquilo que pretendem fazer. Acho que é uma ideia que está clara dentro daquilo que eles querem fazer, mas fazem-no bem. E depois, como vocês sabem, é uma equipa que tem resolvido muitos dos jogos também em lances de bola parada. Basta ver os golos que eles fizeram neste ano. Em jogos que normalmente estão muito bloqueados, eles têm vindo a desbloquear jogos nesse momento do jogo. É um momento do jogo em que eles, além dos batedores, têm jogadores com a agressividade certa para atacar esses momentos. De uma forma geral, é uma equipa que é sólida. Viram no ano passado e estão a ver novamente neste ano: não sofre muitos golos. Independentemente de o adversário criar ou não, não é uma equipa que sofra muitos golos. Porque, por vezes, vê-se o adversário também a criar e depois acaba por ter um guarda-redes sempre a um nível muito alto e que, nos jogos, acaba por ter um papel decisivo. Portanto, é uma equipa forte. Nós respeitamos. Mas olhamos também muito para nós, para aquilo que é a nossa qualidade, para aquilo que nós podemos fazer, para aquilo que nós queremos fazer no jogo e para aquilo que tem sido o nosso crescimento como equipa.
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Pegando na palavra que referiu sobre o favoritismo: o compromisso UEFA a que o Benfica esteve sujeito dá mais favoritismo, pelo desgaste normal da semana, ao FC Porto ou não, até porque é campeão nacional e joga em casa? A boa sequência de resultados da equipa pode criar, de certa forma, um excesso de confiança no Benfica nesta deslocação ao Dragão?
Em relação a favoritismo, não acho. Não pode ser por nós termos tido um jogo a meio da semana que irá dar favoritismo ao nosso adversário, neste caso. Eu disse que havia duas condicionantes um pouco diferentes, que naturalmente, daqui a alguns meses, quando nós jogarmos em casa, vão ser a nosso favor. Que é o fator casa, que tem peso, e isso não há que esconder. E essa é uma condicionante que, neste caso, está a favor do nosso adversário. Daqui a algum tempo estará a nosso favor. E a questão da semana de preparação. Mas não é por nós termos um jogo a meio da semana que vai dar um favoritismo aqui ao nosso adversário. Não me parece de todo. Como eu disse, os clássicos não os vejo dessa forma. Vejo uma equipa a jogar em casa, que tem o fator do apoio dos seus adeptos como uma condicionante. Nada mais do que isso. Depois é o valor das duas equipas que se vai sobrepor. Quem estiver numa melhor noite, quem estiver mais coeso, quem estiver mais concentrado, e o jogo irá por aí. Normalmente, este tipo de jogos define-se muito no detalhe também. A outra parte da questão [Se haverá a tentação de a equipa se sentir com excesso de confiança perante o adversário?] De maneira nenhuma. Porque eu também não vejo que possa acontecer o mesmo com o nosso adversário. Se não vai acontecer com eles, por que é que haveria de acontecer connosco? Essa é a questão. É uma equipa que ainda não perdeu pontos no Campeonato. Nós tivemos um empate na 1.ª jornada, como vocês sabem também. Temos tido muitos jogos de Liga Europa para chegar ao último jogo que jogámos com o Milan. Tiveram [o FC Porto] só um jogo de Liga dos Campeões, contra uma grande equipa europeia também, em que não conseguiram um resultado positivo. Portanto, por que há de haver euforia da nossa parte e não do nosso adversário? Não vejo o porquê de haver euforia. Não fizemos absolutamente nada de especial. Não vejo aqui nada de especial que tenha sido feito da nossa parte. Simplesmente temos vindo a crescer, num processo novo, com jogadores novos, com muitas mudanças, como eu também vos tenho vindo a dizer. Basta olhar para aquilo que é uma equipa que vai começar o jogo e que praticamente não mudou nenhum jogador do seu onze titular. Não teve de vender nenhum jogador daqueles que foram os mais importantes durante a última época. E depois olham para uma equipa que está num processo diferente. Isso não dá aqui vantagem nem desvantagem absolutamente nenhuma. São situações diferentes. E eu não sei por que é que nós temos de estar com algum tipo de euforia, sinceramente. Fizemos um grande jogo e ganhámos um jogo, em termos de adversário, que foi histórico, porque o Benfica nunca tinha obtido um resultado daquela forma. De resto, mais nada. Foram três pontos, como eu disse. Temos vindo a ganhar os nossos jogos no Campeonato depois daquele tropeção na 1.ª jornada, em circunstâncias muito próprias, muito especiais, diferentes, para não dizer estranhas. Mas, por culpa nossa, não o ganhámos. E, a partir daí, ganhámos os nossos jogos, como tem sido a nossa obrigação. Portanto, nada de especial. Satisfeitos com o rendimento, com o crescimento da equipa, mas não vejo por que razão poderá haver algum tipo de euforia ou por que motivo, sinceramente, me é feita essa questão, mas respeito.
Falou agora em coisas estranhas. Farioli, em Rio Maior, também falou em coisas estranhas. Eu pergunto...
Posso só interromper? Eu disse coisas estranhas no primeiro jogo em relação a não termos adeptos. São coisas diferentes. As coisas estranhas de que estamos a falar são coisas diferentes, acho eu...
Eu sei, mas vou usar a mesma expressão, já agora. Espera que não haja coisas estranhas no Estádio do Dragão em relação à arbitragem? Neste jogo, joga-se a liderança do Campeonato. Uma vitória do Benfica pode embalar a equipa para uma grande temporada?
Eu teria de lhe perguntar o que é que são coisas estranhas. Se me pudesse responder. Da arbitragem, o que é que são coisas estranhas da arbitragem? Fez-me a questão...
Tem de se perguntar a Farioli. Ele é que falou.
Então pronto. Você tem de perguntar, na próxima semana, ao míster Farioli, neste caso. Eu não queria muito entrar por essa questão da arbitragem e ir por aí. Eu vou repetir o que foi dito há 45 minutos, ou há meia hora, pelo míster Farioli na conferência de imprensa. Que espera igualdade em todos os momentos de jogo para as duas equipas. E é o que nós esperamos também. Completa igualdade em todos os momentos de jogo. Que haja equilíbrio em todas as decisões. Foi o que foi dito há 45 minutos e eu vou copiar. Neste caso, eu vou mesmo copiar as palavras. Esperemos igualdade em todos os momentos de jogo. Em relação à outra parte da questão, à importância do jogo e a poder estar em causa a liderança ou não: são três pontos importantes, é um jogo muito importante para as duas equipas, porque estão em confronto dois dos três, quatro candidatos ao título. Portanto, tem uma importância muito grande. Não há nada que seja decisório. Não tem um caráter decisório nesta altura da época. Não há nada decisivo. Mas tem muita importância e não há que escondê-lo.
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"[FC Porto] É uma equipa forte. Nós respeitamos. Mas olhamos também muito para nós, para aquilo que é a nossa qualidade, para aquilo que nós podemos fazer, para aquilo que nós queremos fazer no jogo e para aquilo que tem sido o nosso crescimento como equipa"
Num jogo destas particularidades, em que tudo conta, eu pergunto-lhe se, nesta altura da época, o facto de o Benfica ter jogado a meio da semana para as competições europeias e o FC Porto ter tido uma semana limpa, se isso se pode considerar uma vantagem para o FC Porto. E perguntava-lhe também se nos podia explicar o que aconteceu com Enzo [Barrenechea] no treino e se, de facto, está fora deste jogo no Dragão.
Eu disse há pouco: há essa ligeira vantagem, mas não adianta muito falar muito sobre ela porque é o calendário e estava mais do que definido. Percebemos que íamos ter, antes da paragem internacional, uma visita ao Dragão, neste caso, mas não sabíamos qual era o adversário que íamos ter de Liga Europa a meio da semana, se íamos jogar em casa ou se íamos jogar fora. Acaba por haver uma coincidência: vamos fazer o quinto jogo num curto espaço de tempo, em 15 dias praticamente, e quatro destes jogos são fora de casa. Tem sido viagem após viagem, para nós, e tudo o que acarreta estar a viajar. Acabámos o jogo e não pudemos viajar logo nessa noite. Se eu começasse a falar muito, parecia que soava já a desculpa. Não há desculpa absolutamente nenhuma. Nós fizemos a preparação com menos tempo. É uma realidade, não tivemos a semana limpa. Quando temos, é muito melhor para nós. Isso é uma realidade, mas nem sempre é a semana perfeita. Portanto, nós tivemos o tempo e usámos o tempo da melhor forma que conseguimos. Vamos usar também as próximas horas da melhor forma que for possível para nós, para prepararmos o jogo e estarmos preparados para aquilo que são as exigências de um jogo desta dimensão. Portanto, não irá ser por aí. Mas eu repito, e disse: é uma ligeira vantagem como o fator casa, nada mais. Em relação ao Enzo [Barrenechea], para já não vos consigo dizer que está indisponível para o jogo. Estamos a analisar [n.d.r.: posteriormente, seria divulgada pelo Clube uma informação clínica]. Todos os outros jogadores estão prontos para o jogo.
Já sublinhou as características positivas do FC Porto. Uma das características vincadas que tem também é a questão da pressão alta em vários momentos do jogo. O Benfica, no primeiro jogo da temporada contra o St. Gallen, teve algumas dificuldades com essa pressão alta. Foi um aspeto que foi sendo corrigido ao longo dos restantes jogos. Como é que explica essa evolução e que recursos é que o Benfica tem para lidar com esta pressão do FC Porto, muitas vezes até bastante individual?
Sim, é uma realidade. O FC Porto tem esses dois momentos. Tem o primeiro momento de uma pressão agressiva, uma pressão alta, e que acaba sempre numa marcação individual, num homem a homem praticamente o campo todo quando nos pressionam na nossa primeira fase de construção, momentos de pontapé de baliza também. Acaba por ter essa característica como equipa. E depois tem o outro momento, que, já num bloco mais médio-baixo, fecha numa linha de cinco e praticamente está em espera. E, por vezes, não é muito estranho vermos equipas com bola e com longos períodos de posse de bola quando jogam no Dragão, com a equipa mais instalada no último reduto. É uma característica que alterna bem esse momento de pressão alta individual, num primeiro momento e numa construção mais baixa do adversário, para um momento diferente, mais em espera, e um momento de organização com uma linha de cinco, com o médio a entrar normalmente entre lateral e central em alguns momentos, seja num corredor, seja noutro. Portanto, é uma equipa que alterna esses dois momentos. Em relação à nossa evolução desse primeiro jogo para o resto, faz parte. É verdade que não definimos muito bem nesse jogo. Tivemos alguns problemas, principalmente na tomada de decisão com a marcação individual do nosso adversário. Mas, passados oito dias, a evolução foi completamente diferente de um jogo para o outro, porque conseguimos, e muito bem, contrariar essa pressão individual do nosso adversário quando jogámos novamente, mas, neste caso, no Estádio da Luz. E conseguimos fazê-lo muito bem. É óbvio que depois vamos de momentos em que muitos dos nossos adversários não o fazem para depois momentos em que o fazem. Faz parte. Nós, no último jogo, tivemos também o Milan a tentar fazê-lo praticamente sempre. Nós mostrámos a capacidade para conseguir levar o jogo para zonas mais altas e depois ou tentar atacar ou manter a nossa equipa em ataque posicional, em bons momentos do jogo em Milão. Portanto, temos de ter este balanço como equipa, este equilíbrio como equipa, para podermos estar preparados para esses momentos que nós sabemos que são uma característica do FC Porto. É uma equipa que gosta de ser agressiva nesse momento e nós temos de ter a capacidade de tentar impor o nosso jogo, independentemente do que eles vão fazer ou não.
Falou há pouco sobre a importância dos três pontos, mas a minha pergunta é simples: sairia satisfeito do Estádio do Dragão com um empate?
Eu percebo a questão sobre podermos ficar satisfeitos ou não. Nós neste momento pensamos em ganhar o jogo, sinceramente. Não há nenhum jogo, isso garanto-vos, que nós preparemos para não ter outro resultado senão ganhar. O jogo tem muitas condicionantes. Desde o apito inicial, há muitas características que o jogo tem que depois vai exigir diferentes coisas da nossa parte e do nosso adversário também. Não é só da nossa parte. Mas o nosso objetivo é claramente ir para ganhar o jogo.
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"Nós neste momento pensamos em ganhar o jogo, sinceramente. Não há nenhum jogo, isso garanto-vos, que nós preparemos para não ter outro resultado senão ganhar"
Farioli impôs-se no futebol português com muita fisicalidade no jogo. Consegue ganhar muita ascendência sobre os adversários nesse capítulo. Pergunto-lhe se vai ter de alterar alguma coisa na forma de jogar, na equipa ou nos jogadores, para combater essa fisicalidade tão característica da equipa do FC Porto.
É uma das características. Disse-o há pouco: é uma equipa muito agressiva com bola e sem bola. Características individuais dos seus jogadores também levam o jogo para esse caminho, porque basta perceber a forma como normalmente é composto nos três homens do meio-campo, que não abdicam dessas características nos três homens do meio-campo. A capacidade não só individual mas também resistência, e dos dois alas. A capacidade física dos dois centrais. Portanto, é uma equipa que gosta de levar o jogo para esse caminho e tem essas características como falou, e eu concordo. Nós temos de estar preparados para o que o jogo pede. Tão simples como isso. Em qualquer momento do jogo, estarmos preparados para as exigências do nosso adversário e para o que o jogo pede, e depois temos de dar as respostas que nós temos capacidade para dar, dentro daquilo que é o nosso jogo. Eu sei que nem sempre será possível jogar da forma como temos jogado sempre, porque temos um adversário de qualidade pela nossa frente, mas nós queremos manter a nossa identidade, da mesma forma que o FC Porto quer manter a identidade deles e, naturalmente, em alguns momentos nós vamos tentar que isso não seja possível. Acho que isto é uma luta a dois, naturalmente, num jogo desta dimensão, respeitando aquilo que são as características dos adversários, e nós tentando levar o jogo para onde nós tentamos ser fortes e o FC Porto tentar levar para esse caminho também. E depois é responder àquilo que o jogo pede.
Amanhã [domingo] defrontam-se o melhor ataque do Campeonato, que é o do Benfica, com 21 golos, e a melhor defesa – o FC Porto tem apenas dois golos sofridos. Eu pergunto-lhe: qual é que acha que, destas características, se vai sobrepor? Espera um jogo com muitos golos, muita emoção, ou será aquele típico clássico em que quem marcar primeiro ganha?
É uma bela questão, a que eu não lhe sei responder, sinceramente [sorrisos]. Gostaria de ter a resposta e que fosse positiva para nós, mas não lhe sei responder. Um clássico... a exigência é tão grande que nós podemos pensar, muitas vezes, que o jogo vai ter um caminho e depois tudo acontece de uma forma diferente. Nós teremos a nossa ideia para o jogo e o nosso plano estratégico. O FC Porto tem o deles e, naturalmente, estão a pensar levar o jogo para um caminho e, muitas vezes, isso não é possível. Portanto, por isso é que eu disse há pouco: o jogo coloca-nos questões e pede-nos coisas para as quais nós temos de estar preparados para responder da melhor forma possível em todos os momentos do jogo. Momentos normais de jogo, de bola parada, momentos de maior intensidade, com o jogo mais aberto, menos aberto. Acho que todos estes aspetos estarão num jogo desta dimensão e nós temos de estar preparados. Se vai ser com muitos golos, com poucos golos... Se me perguntasse neste momento, eu gostava de ganhar o jogo não sofrendo golos. Isso é sempre o perfeito para nós e era o que eu gostava realmente que acontecesse. Se me perguntarem todas as semanas, vai ser sempre a mesma resposta da minha parte: tentar ganhar o jogo sem sofrer golos. Porque, para mim, é muito importante que isso aconteça dessa forma. Mas nem sempre é possível e temos de estar preparados para tudo aquilo que o jogo nos pede.
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"Não há que alterar absolutamente nada. Há que ajustar algumas coisas, porque temos um adversário de qualidade pela frente"
Já aqui falou da forma como o FC Porto consegue ser muito camaleónico na sua forma de defender. Depois de um jogo em Milão em que o Benfica conseguiu, através de um jogo por vezes mais direto, com bolas mais longas, ferir a pressão adversária, qual é a importância de o Benfica ir ganhando esta variabilidade para cenários como estes que o FC Porto consegue perspetivar?
É importante. Nós temos os nossos caminhos para chegar e não temos só um caminho para tentar chegar àquilo que queremos no jogo. Esperamos claramente, num momento inicial, em momentos da nossa organização mais baixa, em momentos de começo de construção através de pontapé de baliza também, essa pressão forte e alta, individual, do FC Porto. É uma característica da equipa. E nós temos os nossos caminhos para lá chegar, seja numa construção mais curta, seja ir por outros caminhos. E preparámo-lo neste pouco tempo que tivemos para o jogo. São aspetos que nós já temos trabalhados como equipa, mas relembrar e ajustar algumas coisas que teremos de ajustar. E não há só uma forma de lá chegar. Temos as nossas formas de tentar chegar a zonas onde nós queremos colocar a bola. E temos de ser corajosos. Temos de ser corajosos como temos sido como equipa. Não há que alterar absolutamente nada. Há que ajustar algumas coisas, porque temos um adversário de qualidade pela frente. Mas há que ser corajoso. Há que respeitar aquilo que é a nossa identidade e o porquê de andarmos a trabalhar há três meses para ter uma identidade como equipa.













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