"O Benfica vai lutar até ao fim pelos seus direitos"
O Presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa, abordou nesta quarta-feira, 12 de agosto, alguns temas da atualidade do futebol profissional do Clube, antes da viagem para a Escócia, onde as águias defrontam o Hearts, em jogo da 2.ª mão da 3.ª pré-eliminatória de acesso à fase de liga da Liga Europa. O embate está agendado para as 19h45 de quinta-feira, 13 de agosto, no Tynecastle Park.
A abordagem do Benfica ao mercado de transferências, a "vergonha" sentida pelo facto de ter sido permitido que o duelo com o Académico de Viseu, referente à 1.ª jornada da Liga Betclic, tivesse decorrido no Estádio da Luz sem a presença de adeptos e o lamento "profundo" por as "instâncias que deviam estar ao lado do Benfica para que isto não acontecesse não se tivessem manifestado" foram alguns dos temas abordados.
Rui Costa lembrou ainda que, na sequência da petição apresentada à Assembleia da República (e entretanto aceite) para a suspensão e revisão do Modelo de Comercialização Centralizada dos Direitos Audiovisuais, "o Benfica vai lutar até ao fim pelos seus direitos".
O que é que podemos esperar do jogo de amanhã [quinta-feira], da 2.ª mão da 3.ª pré-eliminatória da Liga Europa, com o Hearts?
Saímos de Lisboa com uma vantagem importante no resultado, mas representar este clube é representá-lo sempre, em qualquer circunstância, da melhor maneira possível. Há que assegurar, inevitavelmente, a passagem ao play-off, embora esta vantagem seja grande. Representando este clube, seja num jogo ou seja numa eliminatória que parece que está ganha ou não, há que ter o máximo de respeito pelos adversários e o máximo de respeito pela camisola que vestimos. É mais um jogo para garantirmos o play-off e para continuarmos a crescer no início da época, que obriga, inevitavelmente, a que as equipas trabalhem também no seu crescimento. É mais um jogo, mais um teste para isso mesmo também.
Para quando o tal central de que se fala tanto que é preciso?
Tem havido aqui um problema enorme com a questão do central. Eu percebo e, sobretudo, percebo os adeptos. Saiu o António Silva e ainda não chegou um central. Mas a verdade, e como já tive a oportunidade também de dizer, é que nós não estamos a construir um plantel para agosto, estamos a construir um plantel para o ano inteiro. Garantidamente, nos próximos dias, chegará o central, porque aquilo que nós temos estado a fazer, entre equipa técnica e estrutura, e essa é a obrigatoriedade, é escolher bem e não escolher rápido. Como não sentimos essa urgência de trazer um central de um dia para o outro, preferimos gastar aqui um bocadinho mais de dias, até porque as negociações nem sempre correm da maneira como nós queremos e há muitas delas que obrigam a mais dias de negociação. E é isso que tem atrasado aqui um bocadinho o processo, sobretudo porque queremos, juntamente com a equipa técnica e estrutura, portanto, nesta simbiose, escolher bem e não escolher rápido.
E o tema João Palhinha?
Como vocês devem perceber, eu não vou estar aqui a falar de todos os jogadores que vocês, imprensa, anunciam diariamente, porque, senão, o avião parte, chega à Escócia e eu ainda vou no meio da lista dos jogadores que vocês todos os dias metem no Benfica. Aquilo que eu posso dizer, numa análise mais global sobre o mercado, é que o plantel do Benfica não irá ficar assim a 31 de agosto. Irá haver alguma saída, irá haver algumas entradas e estamos a trabalhar nisso da mesma maneira que estamos a trabalhar com o central, que é escolher bem e não rápido. Há negociações que demoram um pouco mais do que aquilo que nós gostaríamos que acontecesse, mas faz parte desta altura do mercado. O importante é que nós, a 31 de agosto, quando fechar o mercado, tenhamos a consciência de que construímos um plantel para fazer frente a todas as competições que nós temos. E é nisso que nós estamos a trabalhar e é essa garantia que eu vou dar aos sócios do Benfica.
Em relação à 1.ª jornada da Liga Betclic: o Benfica não ganhou, mas ficam boas indicações para aquilo que vai ser o próximo Campeonato? O nosso treinador fez uma análise perfeita, no final do jogo, ao jogo em si. Acredito que os nossos adeptos também pensem que fizemos um ótimo jogo, mas a verdade é que não ganhámos. E, portanto, houve coisas muito positivas nesse jogo, houve indicações que nos dão, ou foram dadas indicações para uma época positiva. E eu tenho assistido aos trabalhos da equipa diariamente, ou quase diariamente, e estou muito otimista perante aquilo que está a ser feito, mas a verdade é que não ganhámos. E a verdade é que perdemos dois pontos em casa que não podíamos ter perdido. Reconhecer aquilo que foi feito de bom, mas também reconhecer aquilo que não nos permitiu ganhar um jogo que tínhamos, obrigatoriamente, de ganhar. Numa jornada muito especial, com o estádio vazio, que não se assistia a isto desde a Covid-19, e na Covid havia uma razão para os estádios estarem vazios e não estavam tão vazios como estava neste jogo. Lamentar esse facto. Cabe a nós, Direção, cabe a nós, adeptos, fazer com que isso não volte a acontecer, mas abriu-se aqui um precedente muito perigoso no futebol português. E lamento também que, numa situação destas, só o Benfica tenha lutado para que isto não acontecesse, quando isto não estava em causa só o jogo do Benfica, mas sim aquilo que é a Liga Portuguesa, aquilo que é o futebol português. E lamento profundamente que as instâncias que deviam estar ao lado do Benfica para que isto não acontecesse não se tivessem manifestado. Pela forma como jogámos, e por aquilo que nós vimos fora do estádio, em mais uma demonstração do que é a grandeza deste clube, todos aqueles adeptos mereciam ter ido para casa de outra forma que não com um empate. Lamentar esse facto, agradecer a todos os adeptos que marcaram presença, que procuraram de todas as formas criar uma boa energia à equipa do Benfica, reconhecidamente por todos os jogadores. Infelizmente, o resultado não foi o que os sócios do Benfica mereciam, mas os meus agradecimentos a todos os sócios, a todos os adeptos que se deslocaram ao estádio na tentativa de, fora do campo – lamentavelmente fora do campo –, apoiar a equipa da maneira como puderam. Isto é um precedente muito grave no futebol português. Nunca se tinha visto tal coisa. Eu espero que não se repita, mas, ao mesmo tempo que digo que espero que não se repita, também me leva a dizer que aquilo que fizeram ao Benfica não pode ficar em claro noutros estádios. Lamentar, de facto, que não se tenha acautelado, numa era em que se procuram tanto os direitos televisivos e em que se procura tanto a mudança do futebol português, que se tenha permitido que um jogo do Campeonato Nacional, da Primeira Liga, tenha sido jogado à porta fechada, num espetáculo em que eu estive lá dentro e foi mais do que deprimente. Com certeza, muitos de vocês estiveram lá e podem testemunhar aquilo que eu estou a dizer. É vergonhoso que se tenha passado isto no futebol português. Vergonhoso.
Em relação ao processo de centralização dos direitos televisivos: o Benfica não está a ficar cada vez mais sozinho nessa luta?
O Benfica vai lutar até ao fim pelos seus direitos. Tem-no dito sempre. Tem dito duas coisas desde a primeira hora: o Benfica não quer que o futebol português não cresça, mas não quer sair prejudicado desta centralização. Volto a dizer aquilo que eu tenho dito ao longo destes anos largos: nós não acreditamos que esta centralização venha a beneficiar o futebol. Já não é só a questão do Benfica. E, como tal, aquilo que o Benfica, como vocês bem sabem, tem feito é tentar de tudo para que, pelo menos, esta centralização seja adiada, pelo bem do futebol português.
Em relação ao que disse o FC Porto e ao levantamento dos penáltis que o Benfica teve na época passada, merece-lhe algum comentário?
O FC Porto até quando ganha fala do Benfica. Somos mesmo muito grandes, não é? É o que é. Sabemos o peso que temos no futebol português, sabemos a dimensão que temos, e é bom quando os adversários, até quando ganham, falam do Benfica. É muito bom.
É mau começar o Campeonato com a questão dos áudios, agora estas questões que são sempre frequentes? Isto é normal?
O Benfica fará sempre tudo aquilo que puder fazer para o bem do futebol português. O Presidente do Benfica acabou de admitir agora que, na 1.ª jornada, não podia ter perdido dois pontos. Não falou em mais nada. Era assim que era bonito, mas, às vezes, as pessoas não conseguem compreender, muitas vezes não conseguem compreender isso. De qualquer das maneiras, cada um falará aquilo que entender falar. Eu, enquanto Presidente do Benfica, repito aquilo que disse há pouco. Até quando os outros ganham e o Benfica não ganha, têm de falar do Benfica. É a dimensão que o Benfica tem. É essa mesmo.













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