"Espero um ambiente à Benfica para vencer e seguir em frente"
Com a firme convicção de que o Benfica irá superar o St. Gallen, Marco Silva, treinador da equipa de futebol profissional encarnada , defendeu que as águias "têm de ser muito mais fortes" no jogo da 2.ª mão da 2.ª pré-eliminatória de acesso à fase de liga da Liga Europa, agendado para as 20h00 de quinta-feira, 30 de julho, no Estádio da Luz.
Antes da conferência de imprensa no Benfica Campus, nos 2 momentos em que abordou o encontro, em declarações à BTV e à SIC Notícias, o técnico mostrou-se plenamente confiante na capacidade do Benfica para inverter o resultado da 1.ª mão (2-1), enaltecendo que a equipa tem de fazer muitas coisas "diferentes".
"Temos de levar o jogo para o caminho que queremos e não deixar que entre no registo que o adversário mais pretende, mais físico e sempre de transições. Compete-nos demonstrar qualidade para levar o jogo para onde queremos, jogando em casa e com o apoio massivo dos nossos adeptos. Queremos, podemos e vamos conseguir passar a eliminatória. Tenho plena convicção disso, independentemente de estarmos em desvantagem e de o resultado da 1.ª mão [derrota por 2-1] ter sido mau para nós. Estamos confiantes de que vamos mostrar a qualidade que temos. Queremos claramente fazer um jogo melhor e com maior qualidade. Foi para isso que trabalhámos durante esta semana. De uma forma ou de outra, e temos de ir com o pensamento de que o vamos conseguir, é muito importante para nós passar à próxima eliminatória. É isso que temos de fazer", afirmou.
Marco Silva especificou alguns dos aspetos: "Temos de conseguir levar o jogo para os momentos em que somos mais fortes do que o adversário e que não conseguimos impor na 1.ª mão. O adversário é muito físico e, quando o jogo foi para esse caminho, não conseguimos ser mais fortes. Depois, com bola, temos de conseguir ter posses mais longas e não deixar o jogo entrar num perde-ganha constante, porque foi isso que aconteceu muitas vezes na 1.ª mão. O adversário quer, na maioria das vezes, jogar em transição ofensiva e aposta muito também nas bolas paradas ofensivas. Temos de conseguir tirar o jogo desses 2 momentos, apesar de eles naturalmente irem acontecer e de termos de ser competentes também aí. Para uma equipa que quer dominar, e para dominarmos o jogo da forma que queremos, temos de ter posses de bola mais longas, capacidade para ficar com bola e desorganizar o adversário. Depois, naturalmente, criar os momentos e as situações de finalização necessárias para fazer golos", explicou.
O treinador rejeitou a leitura de que o resultado da 1.ª mão se deveu a menor atitude dos atletas, sublinhando que o foco esteve no aperfeiçoamento de todas as dimensões do jogo. "Trabalhamos todos os aspetos que fazem parte da nossa forma de jogar, todos os dias. A componente mental está sempre associada àquilo que testamos e propomos aos jogadores. Depois há as questões técnicas e táticas e os momentos decisivos, como as bolas paradas. Temos de trabalhar tudo. Estamos a entrar na 5.ª semana de trabalho, portanto todos esses aspetos são muito importantes. Não incidimos apenas num em específico. Percebo a questão da atitude. Podemos falar de concentração e de maior ou menor agressividade em alguns momentos de bola parada. Quando o jogo entra na fase final e existe mais cansaço – na semana passada tínhamos apenas 4 semanas de trabalho –, é precisamente aí que temos de estar mais concentrados e ser mais agressivos. Agora, a derrota não teve nada que ver com falta de atitude. Se fosse esse o caso, a conversa seria outra. Teve que ver com a qualidade que temos de mostrar e com a forma como temos de jogar melhor, em vez de irmos pelo caminho mais fácil, que é falar da atitude. Se formos uma equipa melhor, de certeza que não se falará dessa questão. Falar-se-á dos momentos em que o Benfica tem de ser melhor do que o adversário", sustentou.
Marco Silva deixou também claro de que a equipa está pronta para um St. Gallen que pode apresentar uma versão mais pressionante e outra em bloco mais recuado ou baixo. "Preparámos esses 2 cenários, sabemos o que poderá acontecer e temos de mostrar capacidade para desbloquear o jogo, seja de que forma for", referiu.
Já sobre a disponibilidade de os internacionais que regressaram recentemente aos trabalhos, o técnico revelou que a utilização de cada um depende da condição física apresentada. À BTV, antes de responder às questões dos jornalistas em conferência de imprensa, Marco Silva destacou a importância do apoio dos Benfiquistas no primeiro jogo oficial da temporada no Estádio da Luz.
"Espero o ambiente de um jogo decisivo. Sendo o nosso primeiro jogo oficial no Estádio da Luz, naturalmente a forma como jogarmos e a intensidade que colocarmos no jogo vão puxar ainda mais os adeptos para o nosso lado. Precisamos, como sempre, deles na máxima força e com o máximo apoio, porque acreditamos muito que o 12.º jogador tem sempre uma grande influência na decisão. Em alguns momentos, seremos nós a puxar por eles, demonstrando aquilo que queremos e a forma como vamos fazer. Mas todos juntos, a equipa e o grande apoio que vamos ter no Estádio da Luz, seremos decisivos para conseguirmos dar a volta, vencer e passar a eliminatória. Esse é claramente o nosso objetivo e é só nisso que pensamos", disse.
De que forma tem de entrar o Benfica em campo para garantir a passagem à próxima eliminatória? Acima de tudo, temos de ser mais fortes coletivamente. Acho que esse é o aspeto mais importante para o jogo. É um jogo com várias condicionantes, como já aconteceu na 1.ª mão, mas temos de ser mais fortes como equipa. Temos de levar o jogo para um caminho em que as nossas potencialidades estejam mais acima da forma de jogar do adversário. Na 1.ª mão deixámos que o jogo fosse muito para os duelos individuais, onde o adversário se sente mais confortável. Para isso, temos de conseguir um domínio diferente do jogo, ter posses de bola mais longas, capacidade para desorganizar o adversário e não deixar que o jogo entre sempre num perde-ganha. Foi um pouco o que aconteceu no jogo. Houve demasiadas transições e muitos momentos em que não havia necessidade de forçar o jogo, mas acabámos por fazê-lo, por dentro ou por fora, sem conseguirmos assentar o nosso jogo. Esse é, sem dúvida, o primeiro aspeto que temos de melhorar em relação à 1.ª mão. Depois, jogando em casa e estando em desvantagem na eliminatória, temos de entrar como nos compete, para dar um sinal desde o início, também aos nossos adeptos. O apoio que vamos ter será fundamental, como sempre foi na história do Benfica e como será ao longo da época. Mas sabemos que há momentos em que temos de ser nós a dar aquele primeiro "boost" aos nossos adeptos. Uma entrada forte fará com que o jogo fique mais para o nosso lado e, depois, teremos de mostrar a nossa qualidade, criar oportunidades e sermos capazes de marcar.
Depois das críticas após o primeiro jogo, receia que alguma impaciência das bancadas possa passar para dentro de campo, caso o Benfica não consiga criar e marcar cedo?
Falei sobre isso depois do último jogo. Quando não jogamos ao nível que podemos, independentemente das condicionantes e de uma pré-temporada atípica, em que começámos a receber os internacionais já em plena competição, isso não pode servir de desculpa. As críticas, quando não jogamos ao nível que podemos e devemos, não são agradáveis, mas temos de encará-las como naturais num clube da dimensão do Benfica. Sabemos que estamos sujeitos a elas e isso não nos pode condicionar de maneira nenhuma. Quanto à nossa entrada no jogo, será muito importante. Acredito que vamos entrar fortes, queremos entrar fortes e, naturalmente, os nossos adeptos também farão a sua parte, puxando a equipa para aquilo que todos queremos: ganhar o jogo e passar a eliminatória.
"Temos de ser mais fortes coletivamente. Acho que esse é o aspeto mais importante para o jogo" Marco Silva
Na 1.ª mão, o Benfica revelou dificuldades nas bolas paradas defensivas. Como se corrige esse aspeto numa equipa ainda em construção?
Temos de conseguir melhorar. É tão simples quanto isso. Percebo a análise. Logo no primeiro canto notou-se isso, e não tem tanto a ver com a organização. Nesses momentos temos de ser proativos e atacar a bola em zonas que estão preenchidas por nós. Houve também um lance em que o adversário tentou surpreender-nos com uma segunda linha à entrada da área na 2.ª parte. Naturalmente, analisámos essas situações e fizemos o nosso trabalho. As bolas paradas defensivas (e ofensivas) fazem parte do nosso planeamento semanal e da preparação para o jogo. É algo que trabalhamos desde o princípio da pré-temporada, e temos de perceber também, independentemente de ser claro para nós, quais são os jogadores mais ou menos fortes em qualquer zona do nosso posicionamento defensivo em momentos de bola parada. Fez parte, temos de dar passos em frente e melhorar, como é nosso objetivo, para o próximo jogo.
Os 6 internacionais do Benfica que estiveram no Mundial já regressaram. Todos poderão ser opção neste jogo? E Jhon Durán já está em condições de jogar?
Jhon Durán jogou contra o Belenenses o tempo que sabem que jogou. Um jogo de pré-temporada, de preparação, e naturalmente iremos acrescentar os minutos que temos de acrescentar. Os jogadores que vieram do Mundial não tiveram uma grande pausa, estiveram em ambiente competitivo. Alguns deles fizeram 4 sessões de treino até este jogo. Todos os jogadores que chegaram mais tarde vão estar envolvidos no jogo, convocados para o jogo, se não acontecer nada até amanhã [quinta-feira]. Depois compete-me decidir o onze e as opções para o jogo. Em relação ao Jhon Durán, está a fazer o seu processo normal. Vinha de um período de férias mais prolongado e também não tinha competido muito nos últimos meses. Está a melhorar, deu alguns sinais positivos num jogo de intensidade baixa, frente a um adversário que não tem ainda uma intensidade muito alta. Confirmou algumas das razões pelas quais acreditamos que nos vai ajudar também. Compete-me tomar as decisões que considerar mais acertadas para o jogo, tendo sempre em conta a condição física de alguns atletas, que não estão preparados para começar jogos desta intensidade e deste nível. Nem sempre quem começa é decisivo, e nós teremos depois as soluções no banco para, se assim entendermos, lançar no jogo.
Vários jogadores têm sido criticados. Receia que alguns jogadores possam acusar a pressão deste jogo? Quando analiso um jogo procuro fazê-lo da forma mais clara e honesta possível, tanto para vocês como para os nossos adeptos. Se queremos melhorar, temos de ser claros na análise. Sofremos 2 golos em que, ao nível que estamos, temos de fazer muito melhor. Tenho esta forma de pensar, partilho com os jogadores e eles estão no mesmo caminho. Em qualquer jogo, sobretudo nos minutos finais, quando há mais cansaço, as bolas paradas podem ser um fator de decisão muito importante. Aí temos de manter o foco e ser agressivos. Também temos de fazer melhor na forma como construímos no primeiro momento e evitar perder a bola em zonas proibidas. Em relação aos aspetos individuais, se os jogadores vão ou não acusar pressão... A pressão é inerente a quem está neste clube. Não quero ir muito por aí. Acredito que, se formos mais fortes coletivamente, cada jogador também jogará melhor, naturalmente. Os jogadores que entrarem em campo têm toda a nossa confiança para dar a melhor resposta e quem representa o Benfica a este nível tem de estar preparado para lidar com esta pressão. Estamos a jogar pré-eliminatórias de uma competição europeia, o fator decisivo está lá, mas também queremos, no futuro, encarar jogos do Campeonato como decisivos. Cada jogo no Campeonato tem uma importância muito grande para o final do Campeonato. Nesta casa, quando se joga a esse nível, temos de olhar para todos os jogos quase como finais. O de amanhã [quinta-feira] não será diferente. Mas acredito que o primeiro jogo do Campeonato também não será diferente nesse aspeto, independentemente de ter consequências diferentes. Temos de olhar para isso como um privilégio, muito mais do que como pressão. Jogar no Benfica e disputar jogos decisivos faz parte da dimensão deste clube.
Consegue imaginar o Benfica a disputar a Liga Conferência caso não consiga inverter a eliminatória?
Sinceramente, não penso um segundo nisso. Não gasto energia pensando que algo pode ser negativo. Sou positivo por natureza. Depois do mau jogo que fizemos, a semana foi positiva. Analisámos aquilo que tínhamos de melhorar como equipa, recebemos mais alguns jogadores e isso elevou o nível e a competitividade do treino. Não existe qualquer receio nem negativismo. Não perdemos um segundo a pensar nesse cenário.
Neste momento já tem 3 centrais: Lenglet, António Silva e Tomás Araújo. António Silva poderá fazer o último jogo pelo Benfica. Vai permitir que ele faça a despedida em campo? Do ponto de vista técnico: se a decisão fosse sua, António Silva seria jogador do Benfica nesta temporada, ou, de facto, procura um central com características diferentes?
Eu não preparo jogos do Benfica para preparar despedidas de jogadores. Preparo a equipa para o jogo, para a sua dimensão, dificuldade... O nosso momento em termos de soluções não há que escondê-lo: começámos a pré-temporada com 1 central, e depois, com a chegada de Lenglet, ficámos com 2, além dos jovens da Formação que estão à volta da equipa. Não estamos a pensar em preparar um jogo ou um onze para permitir a um atleta se despedir, ou não, do Benfica dentro do campo. Nunca tive esse tipo de conversa com o António. Desde o primeiro dia tem estado totalmente comprometido com a nossa preparação e, se não estivesse, não teria jogado. Amanhã [quinta-feira], tomarei as decisões que tiver de tomar para decidir qual será o onze inicial do Benfica. Se eu não contasse com o António, já o teria comunicado à Direção. Se continua connosco e tem sido opção, é porque eu contava com ele, como é lógico.
"O apoio que vamos ter será fundamental, como sempre foi na história do Benfica e como será ao longo da época" Leandro Barreiro não pôde defrontar o St. Gallen na Suíça, por motivos de saúde, mas ele já recuperou. O que pode acrescentar à equipa?
O Leandro [Barreiro] fez praticamente toda a pré-temporada ao lado do Manu ou do Enzo [Barrenechea], juntamente com o Sudakov. Atendendo também às ausências do Fredrik [Aursnes] e do [Richard] Ríos, e teve uma boa pré-temporada. Foi uma ausência inesperada para nós na 1.ª mão. Não tendo os 2 jogadores que estavam no Mundial, optámos por – em vez de jogarmos com um duplo pivô – jogar com o Miguel [Figueiredo]. Foi difícil para o Leandro, 3 ou 4 dias de fora, também perdeu alguns quilos, mas já treinou durante toda a semana e está a voltar ao seu melhor. É mais uma solução para amanhã [quinta-feira] e, se tiver de começar o jogo, estará preparado para o fazer.
Espera uma pressão alta do St. Gallen ou um adversário mais expectante?
Preparámo-nos para as duas hipóteses. O St. Gallen gosta de pressionar homem a homem em todo o campo e foi isso que nos criou muitas dificuldades na 1.ª mão. Não tivemos grande capacidade para assentar o nosso jogo. É isso que teremos de fazer amanhã [quinta-feira] de uma forma diferente, se essa for a realidade do jogo. Se essa voltar a ser a abordagem do adversário, teremos de estar preparados. Já o tínhamos preparado e estávamos à espera disso no jogo na Suíça. Não foi uma surpresa para nós, simplesmente não demonstrámos a calma necessária para controlar o jogo com bola em alguns momentos. Acredito que amanhã [quinta-feira] será diferente nesse aspeto. Como referiu, há outra possibilidade que passa pelo adversário optar por uma abordagem um pouco mais conservadora, porque está em vantagem na eliminatória. Não me parece que seja o ADN da equipa, mas poderão optar por essa abordagem e jogar com um bloco médio/baixo e esperar por nós noutras zonas do terreno. Temos de estar preparados para esse momento. Trabalhámo-lo, sabemos o que devemos fazer e o jogo vai ditar a abordagem do adversário e a abordagem que nós iremos obrigar o adversário a ter. O adversário pode manter a abordagem de chegar e querer pressionar em todo o campo e nós temos de ter a capacidade que nos faltou em muitos momentos na 1.ª mão, de levar o jogo para o meio-campo ofensivo, mais para o nosso ataque posicional e termos a capacidade de desorganizar o adversário e criar as situações de que precisamos para ganhar o jogo.
A pausa e a circulação de bola dependem mais da componente tática ou da componente mental?
Os dois aspetos estão ligados. Quando queremos jogar de determinada forma, temos de estar preparados mentalmente para não acelerar constantemente o jogo ou a chegar a um corredor e querer terminar a jogada. Os adversários também têm capacidade para nos bloquear o jogo, de nos fechar espaços e, nesses momentos, temos de demonstrar capacidade de circulação, de rodar o jogo e de procurar outros espaços. Não o conseguimos fazer na 1.ª mão. Trabalhamos isso no treino, na nossa preparação, individualmente, com análise de vídeo e de várias outras formas, de forma a que possamos dar passos em frente. Pela forma como ambicionamos jogar, essa será uma característica muito importante da nossa equipa. Temos de estar preparados para situações de transição do adversário, mas uma equipa como a nossa irá naturalmente jogar a maior parte do tempo com bola e no meio-campo ofensivo. Temos de ter a capacidade de não perder a bola muito rapidamente, de não querer atacar muito rapidamente a baliza do adversário se não tivermos essa oportunidade. Se tivermos essa oportunidade, naturalmente iremos fazê-lo e temos o equilíbrio necessário nas nossas decisões e na nossa organização para que os aspetos mentais e táticos estejam ligados.
Miguel Figueiredo está a trabalhar novamente com a equipa B. A sua utilização na 1.ª mão foi apenas uma resposta a uma necessidade, ou sente que ganhou mais uma opção para a equipa principal?
Estou muito satisfeito com o Miguel [Figueiredo]. Com as informações que tínhamos e que recolhemos daquilo que foram os últimos 6 meses da época passada, é um jogador que já vinha a evoluir de uma forma muito positiva na equipa B e, com algumas reuniões que tivemos antes de começar a pré-temporada, tomei a decisão de observá-lo durante a pré-temporada, num momento em que para mim era importante ter bastantes jovens da nossa Formação connosco. O Miguel não jogou por acaso. Jogou porque deu boas indicações e estamos a falar de uma posição no terreno em que não tínhamos 3 dos nossos jogadores mais experientes, que fizeram parte do plantel da época passada: o Leandro [Barreiro], que estava indisponível, e os dois jogadores que estiveram no Mundial, o [Richard] Ríos e o Fredrik [Aursnes]. Tínhamos outras opções para tomar e tomei a decisão de jogar com o Miguel, porque estava consciente de que podia dar uma boa resposta, e deu uma boa resposta. Mesmo quando a equipa não esteve tão bem, não acusou inexperiência durante o jogo. Para a 2.ª parte, um pouco mais fatigado, isso notou-se, mas conseguiu fazer o que lhe pedimos durante o jogo. Sem jogar tanto no nosso-meio-campo ofensivo não foram visíveis os movimentos que é capaz de fazer no último terço. Indo diretamente à sua questão, é um jogador que estará naturalmente debaixo do radar, estará na ponte entre equipa principal e equipa B. Acreditamos nele e, como jovem jogador, terá espaço para progredir, melhorar e estar integrado na equipa A quando tiver de estar integrado. E isso irá acontecer com outros jogadores, naturalmente.
"Acreditamos nele [Miguel Figueiredo] e, como jovem jogador, terá espaço para progredir, melhorar e estar integrado na equipa A" No final do último jogo falou de Sudakov e que ele recebeu muitas vezes a bola de costas para a baliza adversária. O que imagina para o lugar é um jogador que olhe para o jogo mais vezes de frente, ou espera que seja mais um parceiro para o jogador que jogue na frente?
Quer o Sudakov, quer o Rafa, possivelmente o Prestianni, e olhando mais para a nossa Formação, mesmo o [Gonçalo] Moreira são jogadores com capacidade para serem o terceiro médio. O Rafa com características um pouco diferentes, podendo ser quase um segundo avançado... esse jogador que joga naquela posição tem de ter a capacidade de, acima de tudo, ler. Defrontámos uma equipa em que o jogo, no momento defensivo, é praticamente homem a homem. Jogando desta forma, os nossos médios – os nossos jogadores da linha da frente – terão naturalmente uma pressão mais vinda detrás. Faz parte. Não havendo uma organização defensiva declarada e de espera não há grande espaço entre linhas. Teria de haver muito mais apoios frontais para depois chegarem os apoios de frente dos nossos jogadores. E essa teria de ser a chave para chegarmos a zonas de finalização com mais regularidade. Tivemos muitos momentos de 3 contra 2 ou 4 contra 3 e depois a nossa decisão não foi a melhor. Independentemente da forma como o adversário vai abordar o jogo e nos vai marcar, ou alguns dos nossos jogadores mais adiantados no terreno, o jogo depois vai pedir-nos outras coisas. Uma organização diferente pede-nos, se calhar, aguentar mais entre linhas e ter capacidade para jogar entre linhas, e aí estaremos de costas para a linha adversária. Com marcação individual, muito mais mobilidade dos 3 médios ou dos jogadores da frente, juntamente Sudakov ou outro jogador que possa jogar na posição, e que nos permita baralhar um pouco a marcação individual do adversário. Quem joga naquela posição tem de estar preparado para os dois momentos: marcação por detrás, e muitas vezes é arrastar para poder chegar a outras zonas; ter a capacidade de jogar a um toque, combinar quer com os médios que vêm de frente, quer com os jogadores que estão numa posição mais avançada. Naturalmente, foi algo que fomos trabalhando durante a semana, trabalhámos na anterior e não correu tão bem. Neste caso, quer o Sudakov, quer os jogadores que jogam naquela posição, acredito que vão melhorar muito nesse aspeto do jogo: capacidade de perceber os momentos em que dá para receber sob pressão e alguns momentos em que temos de jogar a um toque, ter a capacidade de sair das marcações para que estes jogadores se libertem um pouco e depois verem o jogo de frente e terem a capacidade de servir companheiros nem sempre sobre pressão.
Após o jogo da Suíça, mantém a confiança em Sudakov?
Estaria eu muito mal se perdesse a confiança num jogador após 2 jogos e 1 jogo oficial. O Sudakov teve um bom início de pré-temporada ao nível do treino, depois uma lesão impediu-o de participar em 2 jogos à porta fechada. Nos últimos dois jogos de pré-época e, no primeiro jogo oficial, não rendeu ao nível que pode render. E não há que escondê-lo. Mal era se após 2 jogos perdesse confiança total num jogador que precisa de confiança e de sentir que, quem está à volta dele, tem essa confiança. Depois ele sabe que terá de demonstrar dentro do campo a qualidade que tem, e que nós acreditamos que tem. Não ia mudar a minha opinião individual sobre um jogador... Obviamente que é diferente estar de fora e depois trabalhar com o jogador, analisarmos o comportamento, a tomada de decisão, os aspetos táticos individuais do jogador dentro de uma ideia coletiva que queremos para o Benfica. Não estou aqui para desistir de um jogador, ou perder a total confiança após 5 semanas – esta é a minha 5.ª semana no Benfica. Os jogadores individualmente têm de render. Estamos aqui para que os jogadores melhorem. Estamos cá para ajudar não só o Sudakov como os jogadores que jogam naquelas posições ou em posições diferentes a melhorarem individualmente. Porque, se eles melhorarem individualmente, também é um grande passo para coletivamente sermos mais fortes. Aqui estou eu para ajudá-los a melhorar e fazer deles melhores jogadores individuais, demonstrar a confiança neles, independentemente de estarmos mais ou menos satisfeitos com aquilo que foi a performance individual. Mas eu não quero muito individualizar e olhar sempre para os mesmos jogadores. Isto é uma questão muito mais coletiva do que olhar para o jogador A, B, C ou D. Naturalmente, os jogadores em termos individuais, tendo melhores exibições, vão ajudar o Benfica a ser melhor equipa.
Será especial estrear-se em jogos oficiais no Estádio da Luz? A Catedral pode fazer a diferença, num duelo em que o Benfica vai atrás de uma reviravolta?
Acredito muito que vai fazer a diferença. Vai ter um gosto especial, sem dúvida. É o meu primeiro jogo oficial como treinador do Benfica no Estádio da Luz e espero aquilo que é habitual na nossa massa adepta: um apoio constante à equipa e um estádio capaz de empurrar a equipa para a frente e de fazer o adversário sentir que está a jogar fora de casa. Esses aspetos são muito importantes, independentemente de algumas questões que ouvi, que fazem sentido, como a pressão, o não estarmos satisfeitos. Os adeptos naturalmente são insatisfeitos por natureza quando não se tem um bom resultado, isso faz parte daquilo que é a nossa profissão. Mas amanhã [quinta-feira] espero um ambiente à Benfica no Estádio da Luz. Um ambiente que nos permita fazer aquilo que estou muito convicto de que vamos conseguir: virar a eliminatória e seguir em frente. Espero uma vitória no primeiro jogo oficial do Benfica em casa e, se a conseguirmos aliar a uma exibição melhor do que a da última, e teremos de o fazer para que possamos ganhar, seria excelente para nós.













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