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Edição de sexta-feira, 12 de Junho 2026

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Presidente Rui Costa em conferência de imprensa


 

Em conferência de imprensa no Estádio da Luz, o Presidente do Sport Lisboa e Benfica , Rui Costa, esclareceu os Benfiquistas sobre temas da atualidade do Clube, procedendo também ao balanço da época 2025/26, nesta quinta-feira, 11 de junho.

Sem rodeios, Rui Costa respondeu a todas as questões colocadas, apontou alguns dos erros cometidos na temporada transata – próprios e das equipas de arbitragem, que levaram ao justificado desabafo: "Não me lembro de uma equipa que tenha sido tão prejudicada pela arbitragem" – e olhou para o futuro com o treinador Marco Silva, que é apresentado oficialmente nesta sexta-feira, 12 de junho, às 17h00, no Museu Benfica – Cosme Damião.

Após a explicação do processo de saída de José Mourinho e a consequente compensação de 15 milhões de euros por esse facto, o Presidente deixou clara a convicção de que neste momento Marco Silva é o "treinador ideal" para o Benfica, explicando: "É um grande treinador e que está no momento ideal da carreira para treinar um clube como o Benfica. E, a partir do momento em que pude chegar a Marco Silva, as outras escolhas que eu pudesse vir a ter ou não ficaram completamente eliminadas."

Rui Costa confirmou ainda que o Benfica avançou com propostas para a renovação dos vínculos contratuais com António Silva e Schjelderup, aguardando as respostas dos atletas.

Rui Costa, Presidente do BenficaTinha prometido falar após o final do Campeonato. Qual a explicação para falar só agora? De facto, eu, a seguir ao jogo da final da Taça [de Portugal] feminina, prometi falar aos sócios do Benfica durante aquela semana. Mas eu creio que está toda a gente a par dos motivos que me levaram a falar só agora. Como se lembram, após o jogo do Estoril, na última jornada do Campeonato, o próprio José Mourinho disse, na conferência de imprensa, que iria decidir o seu futuro naquela semana. Portanto, a partir do momento em que se meteram eleições no Real Madrid, e José Mourinho assumiu que queria aceitar a proposta do Real Madrid na eventualidade de Florentino Pérez ganhar as eleições, isso fez com que nós tivéssemos de ser prudentes nesta situação. Tivemos de ser mais pacientes, gerir esta situação, tê-la sob controlo e, em consequência, aguardar pelo desfecho das eleições do Real Madrid para podermos, não só eu poder dar-vos as explicações, mas dar aos sócios as explicações sobre a época e também sobre o futuro do Benfica, com ou sem José Mourinho. Portanto, tivemos de aguardar, tivemos de ser prudentes. Não podíamos ser levianos numa situação destas e agi da forma que eu entendi que seria a melhor para a defesa do Sport Lisboa e Benfica. Esse é o meu papel aqui dentro. E este tempo vem-nos dar razão, esta paciência vem-nos dar razão no desfecho que acabou por ter este processo. Lamento só falar agora, mas foi um processo que demorou muito mais do que aquilo que inicialmente estávamos todos à espera e, como já disse, obrigou-nos a ser prudentes e a gerir esta situação, tê-la do nosso lado, para não cometermos um erro. Porque é inevitável dizer que havia pelo meio aqui uma cláusula que representaria muito nesta situação e, portanto, o Benfica não podia dar o primeiro passo, arriscando cometer algum erro. Essa paciência levou-nos até aqui. Demorou mais tempo do que aquilo que era previsto e até do que nós queríamos, mas acabou por surtir o efeito que vocês conhecem.

Marco Silva foi anunciado como novo treinador do Benfica. O que espera do técnico na próxima temporada?

Eu espero aquilo que todos os Benfiquistas esperam quando se contrata um treinador para um clube desta dimensão: que consiga trazer os títulos que tanto ambicionamos. Acreditamos plenamente que Marco [Silva] é o treinador ideal neste momento para o Benfica. A sua experiência em Inglaterra e aquilo que tem feito ao longo da sua carreira dá-nos esta esperança. Estou muito satisfeito com esta escolha e muito ambicioso para aquilo que é o futuro do Benfica, com um treinador que acredito que nos traga aquilo que nós desejamos.

José Mourinho tinha contrato até 2027. Pergunto-lhe por que motivo apresentou uma proposta de renovação de contrato a José Mourinho e, agora que já está Marco Silva, ele é o 6.º treinador em 5 anos de Rui Costa como Presidente. Pergunto-lhe se o sucesso de Marco Silva será também fundamental para o seu sucesso como Presidente do Benfica.

Começo pelo fim. O sucesso de Marco Silva será fundamental para o sucesso do Benfica. É isso que nós esperamos. Em relação à proposta a José Mourinho: nós fizemo-la na altura em que entendemos fazê-la e fomos conversando sobre isso ao longo dos tempos. Mourinho sabia perfeitamente que era o treinador que eu queria para a próxima época. Tinha contrato com o Benfica e entendíamos que, no final da temporada, renovaríamos esse contrato e não o deixaríamos começar o último ano de contrato, neste caso a próxima época, estando a um ano do fim do contrato. Foi aquilo que nós fizemos, mas a escolha de José Mourinho foi outra. Apareceu o Real Madrid aqui pelo meio e tomou outra opção.

Que resposta dá aos críticos que dizem que Rui Costa ficou nas mãos de Mourinho em todo este processo negocial? E, relativamente à próxima temporada, este período de indecisão, quando a época já estaria a ser preparada [a próxima] com José Mourinho, pois o Benfica vai entrar cedo a discutir competições europeias: de que forma é que isto pode criar maiores dificuldades ao Benfica e ao novo treinador?

O Benfica não ficou nas mãos de José Mourinho nem do Real Madrid. Apenas teve de aguardar o desfecho do processo eleitoral do Real Madrid, por via daquilo que eu já acabei de dizer: José Mourinho assumiu que seria treinador do Real Madrid caso Florentino Pérez ganhasse as eleições. Em nenhuma circunstância ficámos na mão de ninguém. Controlámos sempre a situação. Todos os cenários foram previstos, equacionados e analisados, e estávamos prontos para qualquer cenário que houvesse do lado de lá. Este interregno, o facto de eu ter estado em silêncio neste período e o facto de termos aguardado as eleições do Real Madrid, não fez com que o Clube parasse. O Clube em nenhuma circunstância esteve parado. O Clube nunca ficou bloqueado numa situação destas. Trabalhou para poder estar pronto no início da temporada, sabendo – e isso é uma verdade – que a única coisa que altera aqui, em relação às expectativas que nós tínhamos há um mês, era que a primeira competição seria o Campeonato e, depois da [final da] Taça de Portugal, passou a ser as pré-eliminatórias da Liga Europa. Entre o primeiro dia de competição que estava planeado no plano A e aquilo que temos hoje, há uma diferença de 18 dias. Tira-nos 18 dias sem competição. Tivemos de mexer na pré-temporada, no início da pré-temporada, mas nada deste processo – e isto é uma garantia que eu dou aos sócios do Benfica – atrasou o nosso andamento para aquilo que é a pré-temporada. Estamos mais do que a tempo. Não ficámos parados. Programámos, trabalhámos e vamos entrar na pré-temporada e nas pré-eliminatórias da Liga Europa com tudo já escalonado e preparado. Ainda lembrar que este ano também é um ano de Mundial e temos de esperar pelos nossos jogadores que estão no Mundial e que possam chegar mais tarde. Mas, de resto, nada disto atrasou o nosso andamento e a nossa preparação da temporada.

Já falou da questão das eleições do Real Madrid. Ao longo deste processo surgiu uma imagem de José Mourinho, ainda enquanto treinador do Benfica, com a camisola do Real Madrid. O que lhe pergunto é: ainda que fosse inteligência artificial, ficou incomodado, enquanto Presidente do Benfica, de ver isto? Sente que foi ultrapassada alguma linha vermelha neste processo?

Na primeira situação fiquei incomodado, não vou esconder. Mas recebemos uma justificação clara de como isso se tinha processado e, portanto, internamente isso ficou resolvido.

Foi por parte de José Mourinho que recebeu essa explicação?

Claro, exatamente. Obviamente.

Rui Costa, Presidente do BenficaDisse há pouco que Mourinho era o treinador que queriam para a próxima temporada. Quando apresentou a proposta a Mourinho, ele já lhe tinha comunicado alguma coisa do Real Madrid, ou foi apanhado de surpresa depois? Quando é que conta receber o dinheiro do Real Madrid? Vamos por partes. Começo também aqui pelo fim. Os acordos estão todos feitos e, portanto, ainda não recebemos os 15 milhões [de euros], mas estão garantidos e a chegar a qualquer momento. Isso faz parte das burocracias e dos processos, mas sobre isso não há tema sequer. Em relação ao facto de apresentar a proposta a José Mourinho, com vias que ele pudesse ou se já me tivesse dito que iria para o Real Madrid, basta lembrar a última conferência de imprensa de José Mourinho, na qual ele vos disse que ele tinha 99% de hipóteses de ficar no Benfica, porque do Benfica tinha uma proposta firme e boa e do Real Madrid não tinha surgido nada. Portanto, nós não fizemos uma proposta porque havia a questão do Real Madrid ou porque tinha deixado de haver a questão do Real Madrid. E vamos também pôr de parte aquela ideia de que Rui Costa, neste caso o Benfica, apresentou uma proposta a José Mourinho porque sabia que José Mourinho ia para o Real Madrid, como tanto ouvi na comunicação social. Porque, se vocês se lembrarem, a primeira vez que me é perguntado se José Mourinho continua no Benfica é no sentido inverso. É a seguir ao jogo com o Casa Pia, quando me perguntam se eu continuaria com José Mourinho. E naquela semana, após o empate com o Casa Pia, antes do jogo de Alvalade, eu assumi que Mourinho era o meu treinador para o ano seguinte. Portanto, quando apresentei a proposta a José Mourinho, era na convicção e na esperança de que pudesse ser aceite e que ele continuasse no Benfica.

Pergunto-lhe em relação à cláusula que era suposto ser eleitoral e que foi anunciada como tal. Uma das críticas de que tem sido alvo é a de ela não se ter extinguido assim que foi eleito. Não tentou eliminar essa cláusula para ter um poder de decisão até ao final da época em relação ao futuro do treinador?

Vamos esclarecer essa cláusula. Desde logo, quando essa cláusula foi feita, estávamos em período eleitoral e ela permitia que, se eu não ganhasse as eleições, quem chegasse ao Benfica pudesse ter uma mobilidade diferente para continuar ou não com José Mourinho, sendo ali uma cláusula de rescisão mais baixa. Só que essa cláusula – e vou tentar esclarecer isto porque também tenho visto muita confusão acerca dela – valia para o Benfica e para José Mourinho. Ou seja, se o Benfica quisesse despedir José Mourinho, teria de pagar aquela cláusula, os tais 7 milhões de euros de que tanto se falou. Assim como, se José Mourinho quisesse sair do Benfica, teria de pagar essa mesma cláusula. Essa cláusula era apenas para estas duas entidades: Benfica e José Mourinho. Em qualquer momento, mesmo no tal período dos 10 dias de que tanto se falou, se algum clube quisesse José Mourinho, teria sempre de pagar os 15 milhões de euros, porque a transferência de José Mourinho era de 15 milhões de euros. Esse acordo era entre as duas partes, unicamente. Portanto, que fique claro: em nada interferiu com a continuidade de José Mourinho, ou com o facto de eu ter retirado ou não a cláusula. Até porque essa cláusula servia para isto e nenhum de nós, naquele momento, estava sequer à espera de que não houvesse continuidade de José Mourinho. Mas, de qualquer das maneiras, qualquer clube, em qualquer circunstância, que quisesse José Mourinho teria sempre de pagar os 15 milhões de euros, porque essa era a cláusula de rescisão. Esses 7 milhões de euros contariam apenas para o Benfica e para José Mourinho.

Na era Rui Costa enquanto Presidente do Benfica há Jorge Jesus, Nélson Veríssimo, Roger Schmidt, Bruno Lage e José Mourinho. Portanto, quatro treinadores portugueses e um estrangeiro. Só Roger Schmidt, um estrangeiro, teve sucesso. Pergunto-lhe por que razão há uma aposta num treinador português novamente.

Deixem-me só voltar aqui um bocadinho atrás porque há pouco acho que faltou-me uma resposta por dar sobre a quantidade de treinadores que o Benfica teve. O Benfica vai mudar de treinador porque o treinador entendeu sair neste momento. Não foi uma decisão de mudar de treinador. Assim como aconteceu no meu primeiro ano com Jorge Jesus. Também se lembram do período de dezembro, em que havia o Flamengo pelo meio e gerou a complicação que gerou. Procuro e procurarei sempre que os nossos treinadores tenham o maior prazo possível no Clube. Neste caso de Mourinho, a explicação é fácil: o próprio escolheu outro projeto para a carreira dele. A aposta num treinador português neste momento visa sobretudo duas coisas. Primeiro, porque eu gosto dos treinadores portugueses e acredito nos treinadores portugueses. Depois, porque considero que Marco Silva é um grande treinador e que está no momento ideal da carreira para treinar um clube como o Benfica. E, a partir do momento em que pude chegar a Marco Silva, as outras escolhas que eu pudesse vir a ter ou não ficaram completamente eliminadas.

Tendo em conta essas questões, gostava de colocar duas perguntas. A primeira tem que ver com o facto de, se José Mourinho era efetivamente o treinador que pretendia para o Benfica, porque é que, no dia 1 de março, quando ele aqui nesta sala disse que assinaria, sem mudar uma vírgula, uma renovação de contrato, não embarcou, passe a expressão, nessa proposta feita pelo treinador? Ou foi surpreendido por ela? E, por outro lado, tendo em conta aquilo que explicou há pouco da cláusula, faço apenas uma questão para tentar perceber: se José Mourinho tinha a possibilidade de querer sair por um valor mais baixo, ou seja, se poderia ficar livre e depois vender-se, entre aspas, ao Real Madrid por um valor inferior.

É um facto. Se pagasse a cláusula ao Benfica – tal como o Benfica teria de a pagar caso o quisesse despedir – sairia por essa cláusula. Em relação à proposta e à renovação, eu já o referi: fizemos a renovação quando entendemos fazê-la. Não estamos a falar de um treinador que estivesse em final de contrato. Tinha mais de um ano de contrato. O nosso foco, o meu foco naquele momento, era recuperar a temporada, porque nessa altura já estávamos atrasados na luta pelo título. Portanto, não me parece que esse seja um tema. E vamos também pôr de parte que foi esse momento, ou a ausência dele, que teve influência na decisão de Mourinho no final da temporada. Porque, se eu tivesse renovado em março e surgisse o Real Madrid no final da temporada, isso não invertia nada os papéis nesta situação. Mas depois não deixa de ser engraçado – e permitam-me que o diga – que eu ainda hoje seja tão criticado por, em março de 2023, ter renovado com um treinador que, a 9 jornadas do fim, tinha 10 pontos de avanço, e agora seja criticado pelo contrário. Portanto, nós escolhemos os timings. Mourinho sempre soube da minha parte – e é bom que fique claro isto – que não iria começar a próxima temporada sem uma renovação de contrato. Mas entendemos que aquele era um momento de temporada e não um momento de contrato. Nunca esteve em causa, para nós, a continuidade de Mourinho. Ele sabe-o perfeitamente. Conversávamos todos os dias e não há forma de fugir a este tema. Entendemos alongar esse período e fazer a renovação no final da temporada. Outro aspeto importante que também deve ficar claro é esta parte: a proposta oficial a José Mourinho surge antes da última jornada – anteriormente já vínhamos falando com o seu empresário precisamente por isso. Mas a proposta oficial surge antes da última jornada, numa altura em que, embora ainda tivéssemos alguma esperança de chegar ao 2.º lugar, sabíamos que essa esperança era remota. Portanto, isso não teve qualquer influência, nem em relação ao 2.º lugar nem em relação ao 3.º lugar.

Rui Costa, Presidente do BenficaNo que diz respeito ao planeamento do plantel da próxima temporada, gostaria de lhe perguntar se, dada a proximidade do arranque da pré-época, o planeamento está assente na continuidade do atual plantel, se há jogadores intocáveis neste mercado de transferências ou se, consoante o surgimento de propostas, todos os jogadores são negociáveis no Benfica. Não são todos os jogadores negociáveis, obviamente. Não temos uma lista total do mercado e não pusemos todos os jogadores à venda. Sabemos, de antemão – e não vou estar aqui a esconder –, que o facto de não termos Liga dos Campeões vai obrigar-nos a alguns esforços, mas a nossa ideia é manter o grosso do plantel, as principais pedras do plantel, e retocá-lo com aquilo que entendemos, na avaliação que fizemos da temporada, que necessita de reforços. Desde logo, e a olho nu, a saída de Otamendi vai obrigar a reforço na zona central da defesa. Vai haver mais um ou outro reforço que entendemos ser necessário e, depois, aquilo que o mercado nos vier a dar ditará aquilo em que iremos mexer. Uma certeza também para os sócios do Benfica: é verdade que a ausência da Liga dos Campeões pesa em qualquer clube, mas estaremos prontos para investir no mercado e para apetrechar a equipa condignamente, para poder lutar por todas as competições na mesma.

Sente-se desiludido pela decisão de José Mourinho, tendo em conta que já disse várias vezes, e repetiu, que gostariam de ter renovado o contrato com ele? Se Florentino Pérez não tivesse vencido as eleições do Real Madrid, hoje José Mourinho seria treinador do Benfica?

Como disse há pouco, e aproveito também para explicar isso, nós equacionámos todos os cenários, porque, evidentemente, não ficámos na mão nem de Mourinho nem do Real Madrid e, portanto, todos os cenários foram equacionados. Obviamente, depois de todo este tempo e de todo este turbilhão à volta das eleições do Real Madrid e da continuidade, ou não, de José Mourinho, tivemos de nos fazer ao caminho e programar a próxima temporada e, em consequência disso, José Mourinho não seria o treinador do Benfica na próxima temporada. Havia um acordo de cavalheiros entre ambas as partes, segundo o qual o Benfica não sairia prejudicado com a situação e já estaria a pensar num futuro treinador para o Benfica. Essa é a parte que posso dizer sobre isso. Respeitosamente, ambas as partes chegaram a esse acordo, ninguém sairia prejudicado. [Desiludido?] Não. Tenho de respeitar. Foi um imprevisto, não escondo que tenha sido um imprevisto para nós, mas tenho de respeitar a decisão do treinador, seguir em frente e procurar as melhores soluções para o Benfica.

A última vez que o Benfica foi campeão remonta a Roger Schmidt, em 2022/23. Queria perguntar-lhe muito diretamente se, caso o Benfica falhe novamente a conquista de títulos nesta temporada, nomeadamente o Campeonato, que é o principal objetivo, vai ponderar demitir-se ou convocar eleições antecipadas. Depois, o Benfica apresentou uma proposta de renovação a José Mourinho e Mourinho disse que não. Isso significa que Marco Silva foi uma segunda opção, ou seja, um plano B? Falou-se também que Rui Costa estaria interessado na contratação de Rúben Amorim. Isso significa então que Marco Silva seria um plano C?

Nem posso esconder uma situação dessas, nem o Marco está longe dessa tomada de decisão. Evidentemente, se apresentámos uma proposta de renovação a José Mourinho, Marco Silva só chega ao Benfica porque José Mourinho não ficou no Benfica. Isso é uma coisa óbvia, não é algo que seja para esconder. Em relação a todos os nomes que foram falados na imprensa como possíveis treinadores do Benfica, deixem-me dizer uma coisa muito clara, muito transparente: em Portugal gosta-se muito desta questão de saber se é a primeira escolha, a segunda escolha ou a terceira escolha. É uma discussão recorrente quando se escolhe um treinador. Mas não há nenhum clube desta dimensão que não faça uma shortlist de treinadores possíveis para o seu projeto. Portanto, não vou estar aqui a falar de nomes que foram contactados ou deixaram de ser contactados, ou que foram oferecidos ao Benfica ou deixaram de ser oferecidos. Vou dizer-vos claramente que, assim que Marco Silva se mostrou disponível para o Benfica e com vontade de vir treinar o Benfica, o nosso foco foi unicamente Marco Silva. Neste momento, tenho de pensar em como o Benfica conquista títulos, não no momento em que não os conquista.

Rui Costa, Presidente do BenficaJá disse que falava com José Mourinho todos os dias. Pergunto-lhe se estava a par, desde o primeiro momento, do interesse do Real Madrid, das conversas que, muito possivelmente, José Mourinho estaria a ter, ou através do empresário com Florentino Pérez, ou mesmo diretamente. Disse que foi surpreendido. Sentiu-se, no fundo, atraiçoado quando, depois de fazer a proposta que Mourinho, dois meses antes, disse que iria assinar, ele acabou por recusa-lá? Na primeira parte da pergunta: Mourinho nunca nos escondeu que tinha havido uma aproximação do Real Madrid. Ponto final, parágrafo. O resto teve de seguir o seu percurso. Sobre a pergunta que me fez, basta lembrar a última conferência de imprensa de José Mourinho ao serviço do Benfica. Ele próprio, naquele dia, não vos disse se ficava no Benfica ou se ia para o Real Madrid, mas disse-vos que havia grandes possibilidades de ficar no Benfica. E, portanto, volto ao tema da proposta. Nós fizemos uma proposta séria a José Mourinho e respeitámos que tivesse tido uma outra opção na carreira dele. É tão simples quanto isso. Neste momento, é um caso ultrapassado. José Mourinho vai ser treinador do Real Madrid e o nosso treinador vai ser Marco Silva.

Disse que o Benfica já está a preparar a pré-temporada. Quem é que andou a preparar esta pré-época e esta temporada, mais especificamente? Pergunto-lhe também sobre as próximas Assembleias Gerais que aí vêm. O que espera dessas Assembleias Gerais?

Quem está a preparar a pré-temporada? A estrutura do Benfica, como é óbvio, para dar ao treinador que chegou agora as melhores condições para poder decidir em conformidade. Não ficámos à espera que tudo isto passasse. O treinador já tem na sua posse – como vocês sabem, até já está a trabalhar – tudo aquilo que é o relatório da época passada, aquilo que consideramos que não funcionou bem, para podermos fazer um fato à medida do nosso novo treinador. Repito aquilo que disse logo ao princípio: este foi um momento "chato" porque estivemos em silêncio, mas não estivemos sem trabalhar nem sem preparar a próxima temporada. Até porque há muito para fazer. A segunda pergunta tinha que ver com as Assembleias Gerais. Assembleias Gerais à Benfica. Espero que sejam respeitosas, críticas naturalmente, porque é um ano em que não ganhámos aquilo que tínhamos de ganhar e, portanto, serão críticas, mas que sejam respeitosas.

Quando José Mourinho foi apresentado, Rui Costa ergueu um cachecol que dizia: "Quem é o treinador que diz não ao Benfica?" Sente que José Mourinho disse não ao Benfica e sim ao Real Madrid?

Foi uma frase de José Mourinho. Não foi uma frase minha, foi uma frase de José Mourinho. Considero que José Mourinho escolheu um outro caminho para a carreira dele e, portanto, vou respeitar isso.

Depois das eleições mais participadas da história do Benfica e dos clubes de futebol em geral, onde os Benfiquistas lhe deram um grande voto de confiança, acaba a época sem conquistar troféus. Tem apenas uma Supertaça, que até foi ganha antes das eleições, e termina a temporada sem Liga dos Campeões. Pergunto-lhe se esta foi a sua pior temporada enquanto Presidente do Benfica e que explicações pode dar aos Benfiquistas sobre o que correu mal em 2025/26.

A pior temporada que tive enquanto Presidente foi logo a primeira, porque aí não ganhámos nada. Ficámos em 3.º lugar e acabámos por ir à Liga dos Campeões numa fase em que o 3.º classificado ainda tinha acesso à competição. Depois disso não aconteceu mais nenhuma vez e este é, efetivamente, um ano frustrante. É um ano que, sem rodeios, tem de ser assumido como muito negativo da parte do Benfica. Mesmo por isso, peço desculpa a todos os Benfiquistas por um ano que acabou por defraudar tudo aquilo que eram as nossas expectativas. O que tenho de fazer agora é corrigir aquilo que não correu bem. E foi muita coisa que não correu bem. Temos de entrar na próxima temporada com o otimismo que este clube tem de ter, com a esperança que este clube tem de ter e com a assertividade que este clube tem de ter. Essas são as nossas premissas desde já. E já estamos a trabalhar para que isso seja viável e para que aconteça aquilo que todos os Benfiquistas querem: os títulos que não tivemos neste ano.

Rui Costa, Presidente do BenficaMuito se tem falado de José Mourinho. Olhando para a frente e falando de Marco Silva, o que é que ele lhe disse relativamente ao projeto Benfica para o futuro e para a época que está quase a começar? O que é que lhe pediu em termos de reforços? E, já agora, quem é que não pode sair na perspetiva de Marco Silva? Muito se tem falado, por exemplo, da saída de Schjelderup ou de Pavlidis no final da temporada. Vamos por partes. Desde logo, a imprensa já dizia que Marco Silva exigia fazer o plantel, exigia isto, exigia aquilo, quando ainda nem sequer tínhamos chegado a acordo financeiro. Convém também desmistificar um pouco essa ideia. Marco Silva mostrou, desde o princípio, um enorme interesse em vir para o Benfica. É evidente que ir buscar um treinador à Premier League nunca é fácil. Houve aqui o respeito de percebermos o valor de Marco Silva e, da parte dele, o respeito de perceber que vinha para Portugal e que, portanto, não podia ter aqui valores similares aos que são pagos no campeonato mais caro do mundo. Em relação ao projeto, está mais do que identificado com o projeto do Benfica. A vantagem de ser português e de ser do Benfica permitiu-lhe acompanhar os jogos do Benfica ao longo da época e estar a par das lacunas e das virtudes do plantel. Neste momento, estamos a trabalhar com ele. Não vou referir o que já pediu ou deixou de pedir. É um treinador exigente, e ainda bem para nós. Tentaremos, em consenso e dentro das possibilidades do Clube, formar o plantel que consideremos o melhor para atacar todas as frentes. Vou assumir aqui claramente: toca-nos um ano diferente. Há pouco perguntavam sobre a ausência da Liga dos Campeões. O primeiro passo é, evidentemente, entrar na Liga Europa, uma vez que temos três pré-eliminatórias para lá chegar. Depois, assumirmo-nos como um dos candidatos à competição. Para além disso, temos as provas nacionais. O Campeonato, que nos falta há três anos. Queremos ter uma equipa e um plantel preparados para atacar todas essas frentes. As conversas têm sido muito positivas. Vejo o Marco muito otimista e também muito confiante com a matéria-prima que temos em casa. Evidentemente, há reforços necessários, alguns dos quais já foram, de certa forma, falados. Para já, posso dizer que existe um grande otimismo da parte do Marco e estamos muito satisfeitos com a positividade que ele tem trazido nestes primeiros dias. Quanto a saídas, posso adiantar que o mercado está muito parado. É ano de Mundial. Não temos qualquer urgência em vender neste momento. Com ou sem Liga dos Campeões, já garanti isso aos Benfiquistas: não será esse facto que nos vai apressar a tomar decisões que possam ser prejudiciais para o plantel.

Já falou que foi uma época de muitos pontos negativos. O que é que aprendeu ao longo desta época que não fará na próxima temporada? Até desde logo a questão do contrato com este treinador. Não sei se existe alguma cláusula desse tipo.

De rescisão? Há uma cláusula de rescisão, como há com todos os treinadores. A cláusula do Marco [Silva] é a mesma: 15 milhões de euros.

E gostava de saber: houve este período de silêncio, Marco Silva já é treinador do Benfica, ainda não foi apresentado oficialmente.

Será amanhã [sexta-feira, 12 de junho, às 17h00, no Museu Benfica – Cosme Damião].

Em termos dos objetivos que já falou, como assumir o Benfica como um possível candidato à conquista da Liga Europa.

Temos de nos assumir como tal.

Isso é algo que pode prometer aos adeptos do Benfica, tendo em conta estas circunstâncias do mercado e o facto de não haver o dinheiro da Liga dos Campeões?

Essas questões acabei por responder uma a uma ao longo da conferência. Não nos podemos esconder. Primeiro passo, como eu disse: temos três pré-eliminatórias para chegar à Liga Europa. Caindo numa competição que não é a Liga dos Campeões, o Benfica tem de se assumir como um dos candidatos. Não estou a dizer que o Benfica vai ganhar a Liga Europa, mas tem de se assumir como um dos candidatos. E o facto de não termos Liga dos Campeões, a nossa situação financeira permite-nos passar um ano sem essa receita sem qualquer sobressalto de maior. Pese embora, e perceba-se, que a ausência da Liga dos Campeões tenha impacto, mas estamos prontos e preparados para superar isso também. Não vai ser por essa razão que deixaremos de apetrechar a equipa. Não vai ser por essa razão que não iremos fazer um plantel digno dos pergaminhos do Benfica e lutar por todas as competições. Que fique muito claro.

Até que ponto acha que as arbitragens influenciaram ou condicionaram a época passada, que já assumiu ter sido negativa?

Bom, vamos por partes. A época correu mal. Foi uma época atípica em muitos aspetos. Falando aqui um pouco da temporada e justificando-a também aos adeptos do Benfica, foi uma época atípica em vários aspetos. Estamos agora a falar da Liga Europa e do facto de termos de antecipar a pré-temporada. Nada é mais preocupante do que aquilo que aconteceu no ano passado: vir do Mundial de Clubes e começar a competir passados 15 ou 20 dias, sem interregno, sem férias, sem pré-temporada. Isso, sim, custou-nos bastante. Muito mais do que o período que medeia agora até ao arranque da próxima pré-temporada. Nessa altura tivemos um foco muito grande nas duas competições imediatas que tínhamos pela frente. Viemos praticamente diretos do Mundial para a Supertaça e para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Eram dois objetivos de enorme importância para o Clube e ambos foram alcançados, mas isso exigiu uma dureza e um sacrifício enormes da parte dos atletas e de toda a estrutura. Ninguém teve verdadeiramente um desligar de uma temporada para a outra. Depois de conseguirmos a entrada na Liga dos Campeões, tivemos uma descarga enorme, quer física, quer mental, que nos custou bastante em alguns jogos do Campeonato. Durante o Campeonato tivemos erros que não podíamos ter tido. Voltando ao caráter atípico da época: é atípico um clube terminar um Campeonato sem derrotas e acabar em 3.º lugar. Mas é inequívoco que um clube que joga para ser campeão não pode ter 11 empates durante o ano e perder 12 pontos em casa. Ficámos praticamente afastados do título precisamente por esses nossos erros. Tivemos demasiados empates, sobretudo em casa, em momentos cruciais que não podiam ter acontecido. Aí, a responsabilidade é totalmente nossa. Agora, se cometemos muitos erros durante o ano, também não podemos escamotear tudo aquilo que se passou em termos de arbitragem. Não me escondo atrás da arbitragem para justificar uma época negativa, mas também não posso, por ter tido uma época negativa, esquecer aquilo que foi feito em termos de arbitragem neste ano. Não me lembro, sinceramente, de um clube ter sido tão prejudicado durante uma época como foi o Benfica.

Há esta notícia. Quer reagir aos 45 dias de suspensão?

Sim, soube antes de entrar aqui. Talvez tenha sido a primeira notícia de que tive conhecimento antes da imprensa. Mas dizia eu que não me lembro de um ano em que uma equipa tenha sido tão prejudicada como o Benfica. E se isso teve implicações na classificação final? Claro que teve. Não podemos ficar indiferentes a isso. Repito: não vou esconder nem arranjar desculpas para uma má época, que assumo e pela qual me responsabilizo e peço desculpa. Mas aquilo que se passou em termos de arbitragem não pode ser escondido só porque também cometemos erros que condicionaram a classificação final. Foi um ano em que os casos foram muito flagrantes. Vocês próprios, enquanto imprensa, foram comentando esses casos ao longo da temporada e os prejuízos que o Benfica foi sofrendo nos seus próprios jogos. Aquilo que pedimos e exigimos é que o Benfica seja respeitado e que a próxima época seja muito diferente desta. Já vínhamos da Taça de Portugal da forma como vínhamos e aquilo que se passou neste ano chegou a roçar o escandaloso, como foi o caso de Famalicão, pelo qual me dão 45 dias de castigo, enquanto o árbitro que apitou aquele jogo ainda ontem [quarta-feira, 10 de junho] estava a fazer de quarto árbitro [no jogo Portugal-Nigéria].

Rui Costa, Presidente do BenficaJá falámos muito da proposta de renovação. Tendo em conta o que disse agora, é legítimo dizer que ficou também desiludido com o trabalho de José Mourinho no Benfica? E como está o processo de renovação de Schjelderup? Se ficasse desiludido com José Mourinho, não lhe teria feito uma proposta de renovação. Acho que a resposta é muito simples. A proposta de renovação de Schjelderup está na mão do próprio Schjelderup e, portanto, ele vai ter de aceitar. Não é um caso completamente urgente, porque não está em final de contrato. Vamos aguardar pela decisão do jogador. Está agora no Mundial e, quando regressar, conversaremos com ele.

Houve alguma conversa final entre si e José Mourinho? Como ficou a relação com o antigo treinador do Benfica?

A relação é boa. Não adianta tentarem criar especulações sobre a minha relação com José Mourinho. Como disse, respeito a decisão que tomou. Nós não ficámos parados. Já temos um novo treinador para a próxima temporada. É assim que funcionam os clubes e é assim que tem de funcionar.

Em que momento ficou a saber que Mourinho iria para o Real Madrid, ou queria ir para o Real Madrid? E relativamente à proposta de renovação de António Silva: pode garantir que ele vai ficar, uma vez que a posição de central é a mais carenciada?

A nossa competência é renovar com os jogadores que entendemos que merecem essa renovação. A competência deles é aceitar ou não. Espero, obviamente, que aceite a renovação que o Benfica lhe apresentou. Quanto ao momento em que soubemos que José Mourinho iria para o Real Madrid: foi na semana em que depois foram marcadas as eleições do Real Madrid. Houve um volte-face... Acredito até que essas eleições tenham apanhado de surpresa não apenas o Benfica, mas também o próprio José Mourinho. O prolongar deste tempo teve que ver com isso e não com outra razão.

Até então, Mourinho nunca disse que queria sair para o Real Madrid?

Não. Vamos à conferência de imprensa de José Mourinho no Estoril. Não me quero repetir. Aquilo que ele disse nessa conferência era exatamente a comunicação que tinha tido comigo durante esse período.

O que faria o Benfica se Florentino Pérez não tivesse ganho as eleições?

Já respondi anteriormente. Mourinho não seria treinador do Benfica face a todas as circunstâncias. Num acordo amigável entre as partes, iria sair do Benfica.

Pode explicar a cláusula extensível do contrato de Marco Silva comunicada à CMVM?

É uma cláusula de campeão nacional.

Se for campeão nacional?

O contrato estende-se automaticamente por mais um ano.

Rodrigo Salazar. O que correu mal para um jogador desejado pelo Benfica ter terminado no Sporting?

Desejado pelo Benfica? Conhecem alguma proposta do Benfica ao SC Braga por Salazar? Se eu tiver de analisar todos os jogadores que aparecem na imprensa como alvos do Benfica, temos de fazer uma conferência de imprensa de 24 horas. Não era um jogador que, por aqueles valores, interessasse ao Benfica neste momento.

José Mourinho falou do campeonato virtual e do campeonato real. Acredita que essa dualidade continua a existir no futebol português? O que é que o  Presidente pode dizer aos adeptos do Benfica sobre a forma de combater este campeonato virtual?

Temos-nos pronunciado sempre que consideramos que essas questões aparecem no futebol português. Não temos ficado parados. Temos exposto às entidades competentes a nossa tristeza e o nosso mal-estar perante aquilo que se tem passado. Aquilo que José Mourinho disse era aquilo que nós sentimos. Sentimo-nos, em várias situações, muito prejudicados pela arbitragem. Não vou esconder isso. Independentemente de não ter sido a única razão para o fracasso desta época, também contribuiu para ele. E não me lembro de uma equipa ser tão prejudicada. Quando José Mourinho falou, e quando eu falei, tínhamos razões objetivas para dizer aquilo que dissemos. Já fizemos todas as reclamações junto do Conselho de Arbitragem. Exigimos transparência e critérios muito diferentes daqueles a que assistimos ao longo deste último ano, e que já vinha da época anterior. Acreditamos e exigimos que a próxima temporada seja igual para todos os clubes. Não queremos ser beneficiados em nada. Mas também não podemos continuar a ser prejudicados como temos sido.

Muitos adeptos ficaram com a ideia de que José Mourinho andou a brincar com o Benfica. No dia do jogo com o Estoril disse que havia 99% de hipóteses de ficar. Disse-lhe o mesmo a si?

Acabei de responder a isso.

André Villas-Boas disse que o presidente do Sporting lhe dá muito trabalho e que Rui Costa é um senhor do futebol. Isso significa que Rui Costa tem de trabalhar mais para fazer frente aos presidentes do Sporting e do FC Porto?

Peço desculpa, mas essa é uma pergunta que não faz sentido. Não estou aqui para ser o menino querido de toda a gente. Estou aqui para defender os interesses do Benfica. O facto de André Villas-Boas me considerar um senhor do futebol não significa que eu esteja aqui a dormir ou a ver os outros passar.

Rui Costa, Presidente do BenficaFlorentino Pérez disse que contratava José Mourinho não por aquilo que ganhou enquanto lá esteve, mas pela dinâmica que deixou no clube, que depois permitiu ao Real Madrid ganhar muitas vezes a Liga dos Campeões. Os resultados que Mourinho alcançou aqui no Benfica não foram, certamente, os desejados pelos Benfiquistas. Sente que, na estrutura de futebol do Benfica, ficou algum legado de José Mourinho, ou, como ele próprio disse, ficou lá o seu dedo, alguma coisa que seja positiva para, daqui para a frente, beneficiar o Clube? Todos os treinadores, de uma forma ou de outra, deixam uma marca no Clube, na estrutura, nos jogadores, naquilo que é o seu espaço de trabalho. Um treinador com a experiência de José Mourinho e com a capacidade de José Mourinho, evidentemente, deixou qualquer coisa de muito importante também para nós, e daí eu reconhecer que o trabalho que ele estava a desenvolver merecia a sua continuidade. Foi isso que nós propusemos. Portanto, grato àquilo que tentou fazer no Benfica. Sou testemunha de que procurou melhorar a equipa e fazê-la chegar aos títulos, mas, como eu disse e como tenho dito – eu percebo que seja uma conferência de imprensa em que há muito para esclarecer desta história de José Mourinho, porque é a mais quente do momento –, neste momento, nós já estamos a preparar a próxima temporada.

Disse que, mesmo que Florentino Pérez não ganhasse, Mourinho não ficava, o treinador seria Marco Silva. Disse que teria um acordo de cavalheiros. Gostava que esclarecesse esse acordo. Quem é que, afinal, pagaria os 15 milhões de euros ao Benfica?

Ninguém.

Na renovação de António Silva, está também a braçadeira de capitão?

Os capitães do Benfica, a menos que haja aqui uma revolução, mantêm-se como estavam até aqui. Sem o Otamendi, portanto, António Silva, Fredrik [Aursnes] e Tomás [Araújo] continuam a ser a linha de sucessão dos capitães.

Já confessou que admira os treinadores portugueses, e Marco Silva é português. Nesse sentido, quais foram exatamente as características que trouxeram Marco Silva ao Benfica. Uma delas foi a questão do sistema tático já estar imposto?

Também, precisamente. A capacidade que nós entendemos que Marco Silva tem, mas não é indiferente o modelo de jogo de Marco Silva ser parecido e quase idêntico àquele que nós temos utilizado nos últimos anos, portanto, também teve essa influência, e grande influência teve. É um treinador que está pronto para pegar neste plantel e fazê-lo funcionar, e é isso em que nós acreditamos. E, depois, pela carreira que o Marco Silva tem tido e pelo facto de ser um conhecedor do futebol português, muito embora esteja há nove anos lá fora. Nunca deixou de acompanhar o futebol português e está muito identificado com aquilo que são as raízes do Benfica, os pergaminhos do Benfica e as exigências do Benfica. Era preciso também, sobretudo num momento em que vimos de um ano que não foi bom, alguém que tivesse a coragem e a força para segurar a equipa do Benfica neste momento e pô-la a funcionar como nós todos esperamos.

A cláusula [extensível] de Marco Silva é se for campeão numa das duas épocas?

Sim, numa das duas épocas.

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