"É o maior desafio da minha carreira"
O Museu Benfica – Cosme Damião foi palco, nesta sexta-feira, 12 de junho, para a apresentação de Marco Silva como treinador do Benfica e cenário para a afirmação das ambições e convicções de sucesso do novo timoneiro das águias.
O Presidente Rui Costa começou por desejar que no final da época 2026/27 o Museu Benfica – Cosme Damião apresente mais títulos do que aqueles que tem, lembrando que o sucesso de Marco Silva será o de "milhões de Benfiquistas".
"Oficializamos Marco Silva como novo treinador do Sport Lisboa e Benfica. Bem-vindo, míster. Bem-vindo ao Sport Lisboa e Benfica. O seu sucesso será o sucesso de milhões de Benfiquistas. Será a alegria de milhões de Benfiquistas. Seja bem-vindo a um local muito querido para todos nós. Num dia que, curiosamente, assinala os 79 anos da partida de Cosme Damião, que comecemos aqui uma etapa muito bonita da história do Benfica e que este Museu tenha, no próximo ano, mais troféus do que tem hoje. Seja muito bem-vindo", disse Rui Costa.
Marco Silva respondeu com o sentimento e a qualidade do seu trabalho como técnico – no qual se destacou a passagem de 10 anos pelo futebol inglês, em particular no Fulham –, sublinhando a "honra, o orgulho e a responsabilidade" que sente por abraçar o desafio de treinar o Benfica.
O novo técnico encarnado concretizou alguns dos seus objetivos e o propósito coletivo: "Queremos ser uma equipa dominadora e uma equipa que seja capaz de colar a grande força do Benfica, que são os seus adeptos, à equipa. Esse é o nosso grande objetivo: conseguir que haja uma ligação muito forte. O grande suporte que os adeptos dão à equipa do Benfica será cada vez maior se a equipa corresponder. Eu não estou a falar de compromisso ou de exigência, porque isso é uma obrigação, nem sequer é negociável. Estou a falar de uma forma positiva de jogar, de uma forma dominadora de jogar, que, na minha opinião, é isso que representa o Benfica."
Qual é o sentimento de estar aqui? Começo por agradecer ao Presidente e a toda a direção desportiva do Benfica, e, em nome do Benfica, a confiança demonstrada não só em mim, mas em todo o meu staff, para sermos os líderes da parte técnica do Sport Lisboa e Benfica. Acima de tudo, é uma honra e um orgulho enormes. São as duas palavras que quero expressar neste momento. E acrescentar uma terceira, que para mim também é muito importante: a grande responsabilidade de estar neste cargo, num clube da dimensão do Benfica. Tudo o que acarreta poder ser o líder técnico e treinador do Sport Lisboa e Benfica neste momento. E são claramente os três pontos que quero deixar bem claros: a honra, o orgulho e a responsabilidade.
Que tipo de Benfica quer construir, ou pretende construir, para esta nova temporada, para a próxima época? E já agora, porque estamos aqui, se o objetivo é também acrescentar títulos a este museu?
Começando pela parte final: sem dúvida. O Presidente falou há pouco e quem está neste clube tem de pensar dessa forma. Não faz sentido pensar de forma diferente. A dimensão do Benfica, a sua grandeza, o número de títulos que tem, é com o objetivo claramente de acrescentar sempre algo, senão não faria sentido aqui estarmos. Os títulos fazem parte da história do Sport Lisboa e Benfica e é com esse objetivo que aqui estamos. Em relação à identidade, claramente deve ser uma identidade dominadora. Para se vencer em Portugal, esse terá de ser o caminho. É o nosso objetivo consegui-lo, não querendo entrar em muitas questões técnicas ou táticas neste momento. Mas queremos ser uma equipa dominadora e uma equipa que seja capaz de colar a grande força do Benfica, que são os seus adeptos, à equipa. Esse é o nosso grande objetivo: conseguir que haja uma ligação muito forte. O grande suporte que os adeptos dão sempre à equipa do Benfica será cada vez maior se a equipa corresponder. Eu não estou a falar de compromisso ou de exigência, porque isso é uma obrigação, nem sequer é negociável. Estou a falar de uma forma positiva de jogar, de uma forma dominadora de jogar, que, na minha opinião, é isso que representa o Benfica.
Não lhe vou perguntar se sente que é uma 2.ª ou uma 3.ª opção, mas a verdade é que ontem [11 de junho] o Presidente do Benfica disse que queria que José Mourinho fosse o treinador na próxima temporada. Como interpretou e como se posiciona perante essas palavras, essas declarações? E já agora, quando é que soube do interesse do Benfica? Para mim é muito simples responder a essa questão e não há problema nenhum em fazê-lo. E se quiser perguntar se fui a 2.ª ou a 3.ª opção, também não tenho problema nenhum com isso. A primeira vez que o Presidente do Benfica comunicou comigo e falámos, perguntou-me claramente se eu queria ser o treinador do Benfica, se estava disposto a voltar a Portugal para representar o Sport Lisboa e Benfica. E, nesse momento, estava à procura de treinador. O que me foi perguntado foi: "Estás disposto a vir? Achas que é o momento para regressares a Portugal e representares o Benfica? Serás o treinador do Benfica." Portanto, quando isto acontece, quer dizer que o Benfica estava à procura de treinador e quer dizer que eu era a primeira opção para o Presidente do Sport Lisboa e Benfica. Isto, para mim, é o mais importante. O que está para trás não me interessa. Não perco tempo sequer a pensar nisso. O convite foi claro, muito aberto, e a minha resposta também foi clara.
A minha pergunta é: como é que vai fazer do Benfica campeão? Porque têm passado pelo Benfica vários treinadores de qualidade, mas nem todos têm tido sucesso. O que é que o faz acreditar que vai ter esse sucesso e somar títulos no Benfica?
Se eu não acreditasse, não estava aqui, de certeza absoluta. Quem entra nesta casa tem de acreditar que está aqui para ser campeão. E eu sinceramente acredito muito, muito, muito que eu, juntamente com a minha equipa técnica e com o grupo de jogadores que temos, que naturalmente iremos reforçar também, estamos claramente capazes de acrescentar ao Benfica para tornar o Benfica campeão. Tornar o Benfica cada vez mais competitivo a todos os níveis para poder, depois, no final, ter direito àquilo que é o mais importante neste clube: poder celebrar títulos. Porque todos sabemos a dificuldade que é. Não vamos estar aqui a mostrar que será fácil. Temos grandes concorrentes, temos equipas com qualidade que iremos enfrentar todas as semanas, mas o objetivo é claro: ser campeão. Não querendo entrar em comparações com quem esteve aqui no passado, como falou, grandes treinadores, treinadores de grande qualidade, grupos de jogadores também de grande qualidade. As razões pelas quais tiveram ou não sucesso não me compete a mim comentar. Compete-me olhar em frente e trazer a positividade que é importante neste momento para o Benfica. Trazer a positividade e a confiança de que os adeptos precisam neste momento para a equipa de futebol do Benfica. E é para isso que aqui estou.
Porquê trocar a melhor liga do mundo, para muitos, onde se pagam dos melhores salários do futebol mundial, pela Liga Portuguesa e pelo Benfica, numa época em que o Benfica não joga a Liga dos Campeões?
É uma realidade. E não vou estar a dizer que a decisão foi fácil ou difícil, não quero entrar muito por aí. Vocês sabem a minha ligação à Premier League, não há que escondê-la. Por alguma razão estou fora do país há quase 12 anos, 10 dos quais em Inglaterra. E é por uma razão clara: é um país onde me senti muito bem, é um futebol com o qual me identifico. Custou muito criar e consolidar um nome, portanto não foi uma decisão fácil. Falou do futebol português, mas mais importante do que isso falou do Benfica. E isso, para mim, foi muito importante. A parte emocional teve aqui um grande peso na minha decisão. Sentir que o desafio é enorme, que o desafio é grande. Quando o Benfica não ganha, o desafio é sempre maior. Quando o Benfica está a ganhar, o desafio é grande; quando o Benfica não ganha, eu creio que seja gigante. E estamos preparados para ele. Não há nenhuma razão diferente, a não ser o nome Sport Lisboa e Benfica.
Pergunto-lhe se, pela forma como saiu do Sporting há 11 anos, ficou alguma mágoa e se há também aqui algum ajuste de contas com o passado nesta altura. E já agora pergunto-lhe também, porque ontem [11 de junho] Rui Costa falou sobre a estrutura que está a preparar a próxima época do Benfica, se também já teve alguma interferência em algumas das decisões. Em relação à primeira questão, não há mágoa absolutamente nenhuma. Tenho um enorme respeito por todos os clubes que representei, quer como jogador, a um nível mais baixo, mas acima de tudo como treinador, que é a razão pela qual estou aqui. Não há nenhuma mágoa. Há um respeito enorme. Ao longo da minha carreira, todos os desafios que tive pela frente... pus toda a minha paixão, toda a minha exigência e tudo aquilo que era necessário naquele momento. E farei exatamente o mesmo neste desafio, que é o Sport Lisboa e Benfica. Portanto, a mágoa está completamente fora daquilo que são os meus sentimentos em relação a qualquer clube. Como devem calcular, é óbvio que até um certo momento não a tive [interferência]. Não faria sentido. O Benfica estava a resolver alguns processos que eram importantes. A partir do momento em que o Benfica oficializou que o acordo estava próximo, ou que havia um acordo, naturalmente, e isso se tornou público, começámos a trabalhar naquilo que é a próxima época do Benfica.
Atendendo ao histórico recente do Benfica no que toca a treinadores, está consciente de que poderá ter o lugar em risco caso não seja campeão pelo Benfica na próxima época? E depois, tendo em conta que aceitou baixar o salário para estar aqui, se concorda com José Mourinho quando diz que não se diz não ao Benfica.
A primeira questão, sobre o lugar em risco: qualquer treinador tem o lugar em risco. Isso, sinceramente, preocupa-me muito pouco, ou quase nada. Quando decidi enveredar por esta carreira, seja a que nível for, seja em que clube estiver, seja em que divisão estiver ou em que país estiver, um treinador de futebol está sempre em risco. Para mim, isso é algo com que convivo claramente muito bem. E vocês vão perceber isso. Já percebiam na altura e vão continuar a perceber. Se acompanharam a minha carreira também o vão perceber. O meu estado de espírito é diferente. Não sou muito de esconder emoções, mas sou equilibrado o suficiente para perceber que esse é o destino de qualquer treinador. Eu assinei... Eu costumo dizer que assinei por 3 anos com o Benfica. Sei que são 2, mas para mim são 3 anos com o Benfica, porque esse é o meu grande objetivo: conseguir ficar no Benfica durante 3 anos, trazer alegrias aos adeptos do Benfica. Esse é o meu grande objetivo. Em relação à parte financeira, não foi, de certeza absoluta, a principal razão para eu estar aqui neste momento. Senão, não estaria aqui, como vocês sabem.
Quando deixou o futebol português, há 11 anos, em 2015, o Benfica dominava o futebol português internamente, era campeão nacional. Agora regressa e encontra o Benfica no 3.º lugar. Pergunto-lhe se o grande desafio é devolver o domínio do futebol português ao Benfica. E, se me permite, uma segunda questão: nos últimos 10 anos, desde que tem trabalhado no estrangeiro, o nome Marco Silva foi regularmente associado ao Benfica sempre que havia necessidade de trocar de treinador. Pergunto-lhe se foi efetivamente convidado para voltar mais cedo ao Benfica e por que razão não aceitou. Em relação à segunda questão, não vou esconder que tive algumas oportunidades para voltar ao futebol português. Não apenas ao Benfica, mas ao futebol português de uma forma geral. Por variadíssimas razões, isso não aconteceu. Algumas porque eram a meio de projetos, outras porque não era o momento. Este eu senti que era o momento. Era o momento que sentia que, em termos de carreira, para mim e para a minha equipa técnica, seria o momento ideal para assumir um desafio da dimensão do Benfica. [Regressa e encontra o Benfica no 3.º lugar] Mas essa é a realidade. E nós temos de encarar a realidade como ela é. O Presidente falou ontem [11 de junho], e bem, sobre a desilusão e tudo aquilo que foi a época anterior. O Benfica, quando não ganha títulos, ninguém pode falar em positividade. Faz parte. Faz parte da cultura. Faz parte da história do Benfica. Quando estamos a falar de 3 anos sem títulos, ainda mais peso isso tem. E naturalmente nós temos de quebrar. É tão simples quanto isso. Esse é o objetivo com que vamos planear a época. Esse é o objetivo com que vamos começar a trabalhar no dia 25: sermos campeões. Vamos tentar, de toda a forma possível, de uma forma positiva, com a ambição que temos de ter neste clube, ganhar títulos no Benfica e tornarmos a ser campeões. Sabendo nós – e importa referi-lo – que temos 2 adversários, 3, possivelmente, à altura para tornarem a nossa tarefa cada vez mais difícil.
O Presidente Rui Costa disse ontem [11 de junho, em conferência de imprensa] que o Marco acompanhou o Benfica ao longo da temporada, até por ser português e Benfiquista. Pela análise que já deve ter feito do plantel, sente que este plantel que vai ter à sua disposição vale mais do que aquilo que demonstrou na época passada?
Para responder a essa questão, não preciso de entrar em comparações com a época passada, e não vou entrar por aí. O plantel do Benfica tem qualidade. Naturalmente, estamos a trabalhar para, em alguns aspetos, e de acordo com a minha ideia e com a identidade para a equipa, reforçarmos o plantel. Como sabem – e como foi referido ontem [11 de junho] – perdemos um elemento importante da nossa estrutura. É claramente uma das posições em que temos de reforçar a equipa, bem como outras, dentro daquilo que são as possibilidades do Clube e também a nossa ambição. Ontem [11 de junho], o Presidente deixou isso bem claro. O Presidente terá sempre de fazer aquilo que entender ser necessário. É óbvio que não estar na Champions tem um peso muito grande neste clube, não só financeiro, mas também noutros aspetos. Veja há quanto tempo o Benfica não falhava a Champions para se perceber perfeitamente o peso que isso tem: o peso que tem no Clube e o peso que também tem na massa adepta. Mas não é por isso que vamos começar atrasados em relação a quem quer que seja. Não é por isso que o Benfica não vai investir e não é por isso que o Benfica não vai ser competitivo ao nível de poder lutar por títulos.
[Em conferência de imprensa], o Presidente Rui Costa disse que, por ser português e do Benfica, Marco Silva estava habituado a ver os jogos do Benfica e sabia as lacunas e virtudes do plantel. Pergunto-lhe quais são as lacunas e virtudes que já identificou e pergunto-lhe também por Sudakov, que foi um jogador que não teve o rendimento esperado na época passada. Conta com ele? Se sim, de que forma procura tirar o melhor proveito do jogador? Em relação ao Sudakov, como disse há pouco, é jogador do Benfica e sim, claramente contamos com ele. Foi um investimento muito grande do Benfica. Se vocês andarem um pouco para trás e analisarem – e eu sei que o fazem, ou irão fazê-lo –, basta olhar para aquilo que são as características das minhas equipas. Desde muito cedo, é um perfil de jogador que normalmente rende, é um perfil de jogador de quem normalmente conseguimos tirar o melhor, e é isso que vamos tentar fazer novamente com o Sudakov. É óbvio que a oportunidade vai estar lá. É um jogador em quem eu acredito bastante. Não querendo individualizar – e não vou individualizar com outros –, naturalmente será o momento de ele provar. Teve um ano difícil, um ano de adaptação, em termos pessoais, num contexto muito complicado para ele também. Eu, não estando aqui, conseguia perceber isso facilmente. Naturalmente, será um jogador que tem toda a nossa confiança, terá todo o nosso suporte. Estamos aqui para o melhorar individualmente e, coletivamente, colocá-lo a jogar ao nível a que tem de jogar um jogador com aquele talento. Em relação aos jogos do Benfica, não vou estar aqui a dizer as lacunas e as virtudes. Não as vou dizer. Era estar aqui a dar alguns trunfos que eu não quero. Teremos muito tempo para falar durante a temporada. Naturalmente, como vocês devem calcular, mesmo que eu sinta que há alguma lacuna, não vos vou dizer neste momento e dificilmente irei dizer durante a época. Vocês têm de perceber isso. Nós temos é de falar de virtudes, temos de falar daquilo que é bom para o Benfica, daquilo que traz sinais positivos para o Benfica, e não deixar coisas no ar que, naturalmente, e muito facilmente, serão agarradas. As lacunas vamos tentar escondê-las ao máximo dentro desta casa, no balneário, que terá de ser forte para que o Benfica possa ser cada vez mais competitivo. Em relação aos jogos do Benfica, o seu colega já me tinha perguntado isso há pouco também. Eu não vos vou dizer que vi todos os jogos do primeiro ao último minuto, porque eu estava noutro clube, estava noutra competição e, como vocês devem calcular, o foco estava na Premier League mais do que noutro campeonato e noutro clube. Mas, como português, como equipa técnica portuguesa e como treinador português, e como vocês também esperam, fazia parte do nosso dia a dia, sempre que era possível, vermos jogos do Campeonato português e estarmos juntos. E era também uma das formas de nos juntarmos enquanto equipa técnica. Naturalmente, víamos. Não quero estar aqui a mentir e dizer que vi todos os minutos, porque isso não corresponde à realidade.
O Benfica escolheu-o depois da saída de Mourinho. O que é que terá de acontecer no final da próxima época para que os Benfiquistas sintam que foi uma mudança acertada? E, se me permite, ouvi-o dizer que era uma honra, uma responsabilidade e um orgulho. Será esta a frase forte que gostava de ter num cachecol, como os seus antecessores?
Não, eu não preciso de arranjar uma frase diferente, ou mais forte, ou menos forte do que a dos meus antecessores. Foi a primeira e é um sentimento real. É como me sinto neste momento e não há muito por onde ir, ou tentar arranjar aqui outra forma de o fazer. Sobre a primeira questão: é fácil, e você sabe claramente o que é que tem de acontecer para todos estarmos felizes daqui por um ano. É o Benfica vencer. Isso é muito fácil de responder. Não somos só nós que o queremos, mas, olhando para nós, para a nossa casa, para aquilo que é o mais importante, é vencer. Nesta casa, é a única forma de chegar ao final da época e todos estarem satisfeitos, todos estarem mais unidos, o que é muito importante para o Benfica. Os nossos adeptos têm de perceber a dimensão que têm e a força que conseguem ter. E esse será um ponto fulcral para nós sermos campeões.
Doze anos fora de Portugal. No entanto, acompanhou certamente as particularidades do futebol português e, dentro dessas particularidades, tenho de abordar uma área: ainda ontem [11 de junho] o Presidente Rui Costa dizia que nunca, como na época anterior, tinha visto tantos problemas com o Benfica, nomeadamente em relação à arbitragem. Falou-se num campeonato virtual e num campeonato real. Eu pergunto-lhe como é que vai lidar com esta dualidade dos campeonatos, campeonato virtual e campeonato real. E, por outro lado, as exigências que isto vai ter para si também, não só como treinador, mas como comunicador, porque, por vezes, fala-se muito nas particularidades do treinador na área da comunicação, na forma como comunica. Portanto, como é que estas situações vão mexer com o seu trabalho? É uma boa pergunta, mas eu não lhe sei dizer como é que vou reagir momento a momento. O futebol é muito competitivo, tem muito de emotivo também. É óbvio que eu, como treinador do Sport Lisboa e Benfica, terei de ter o controlo emocional e a postura que este lugar exige. Tão simples quanto isso. Mas não vos garanto que será sempre brilhante da minha parte. Isto faz parte. Venho de uma cultura diferente nestes últimos 12 anos e, mesmo nessa cultura, algumas vezes pisei o risco. Basta puxarem o filme atrás e perceberem algumas multas que tive de pagar. Portanto, é sinal de que não fui sempre perfeito e garanto-vos que também não serei sempre perfeito nesse aspeto. Estou aqui para defender o Benfica, para treinar o Benfica e para defender o Benfica dentro daquilo que são os limites. E é isso que irei fazer. Não sou um grande fã – e não vos vou dizer já aqui que irei falar todas as semanas de arbitragem. Sinceramente, não sou um grande fã. No princípio da minha carreira optei por não o fazer na maioria das vezes. Com o andamento da carruagem e com o passar dos anos, fui falando muito mais do que aquilo que queria, mas não é o meu ponto de partida, de todo. O que eu sei é que, se nós formos mais fortes dentro do campo, com erros ou sem erros, será mais difícil o Benfica não ser vitorioso. É isso que me importa neste momento. Mas, naturalmente, se houver algum momento em que eu tiver de falar, irei falar. Sinceramente, espero de mim – e esta é uma exigência que coloco a mim próprio – que seja dentro dos limites, que seja capaz de agregar algo não só ao Sport Lisboa e Benfica, mas também ao futebol português. Gostaria muito que isso acontecesse. Espero não errar em todo este processo, nesse aspeto comunicacional, nesse aspeto da liderança e nesse relacionamento com todos os agentes, incluindo a arbitragem. Sinceramente, espero-o, mas não prometo. É, sem dúvida, um objetivo meu.
Estamos no Museu Benfica – Cosme Damião. Tem atrás de si vários troféus. Já se falou aqui algumas vezes nesta conferência de imprensa da Liga Europa. A minha questão para si é se, neste dia de hoje, 12 de junho de 2026, perante os adeptos do Benfica, consegue assumir aqui o compromisso de que conquistar a Liga Europa, uma conquista europeia, é um dos objetivos desta época, tendo em conta também que a Liga Europa tem perdido alguma competitividade e que, por exemplo, no ano passado, com o SC Braga, os portugueses apontaram logo essa conquista. Consegue aqui hoje dizer aos Benfiquistas que é um objetivo conquistar neste ano a Liga Europa?
Consigo dizer isso aos Benfiquistas, mas primeiro quero dizer-lhes que o primeiro passo terá de ser conseguido: estar na fase de grupos. Esse é o primeiro passo. Vamos ter uma pré-época atípica, que nunca servirá de desculpa, seja pelo número de jogadores que estão no Mundial, seja pelo começo mais cedo da pré-temporada. Nunca será desculpa, mas teremos um objetivo claro com os 6 jogos que temos para disputar para poder estar na fase de grupos. Estando lá, olhando para aquilo que é a dimensão da Liga Europa, a dimensão do Sport Lisboa e Benfica e a dimensão dos clubes que nela participam – e teremos de olhar bem para lá, porque estão lá grandes clubes também –, o Benfica tem de ser um candidato. Sem dúvida. Nem sequer foi necessário ter esta conversa com o Presidente. Quando percebi ontem [11 de junho] aquilo que foi a comunicação, percebi que estamos claramente de acordo nesse aspeto. A dimensão do Benfica a isso obriga. Mas obriga, em primeiro lugar, a sermos capazes de fazer uma pré-época organizada, para estarmos preparados para o primeiro jogo. E depois, sim, após esses primeiros 6 jogos, poder estar na fase de grupos e redefinir objetivos que passam por ser candidatos, sem dúvida. Ninguém está aqui a dizer que vamos ganhar a Liga Europa, mas teremos de ambicionar estar lá e poder chegar a Frankfurt.
Pergunto-lhe se já conversou com o Presidente do Sport Lisboa e Benfica sobre os recursos financeiros que pode ter disponíveis nesta temporada para reforçar o plantel nos setores em que ache necessário fazê-lo. Como vocês devem calcular, claro que sim. Falou-se muito de questões financeiras, para a frente e para trás, durante muito tempo. A realidade é que um projeto não passa só por isso, passa por muito mais do que apenas questões financeiras, em termos daquilo que são salários e outras coisas importantes à volta da contratação de um jogador ou de uma equipa técnica. Naturalmente, falámos. O Presidente foi claro nesse aspeto durante a conferência de imprensa de ontem [11 de junho]. Eu posso repetir algumas das coisas que foram ditas. Sinceramente, haverá espaço para reforçar o plantel. Naturalmente, é um plantel em cuja qualidade acredito muito, mas, sem dúvida nenhuma, teremos de reforçar algumas posições, porque tenho alguns princípios e alguns perfis definidos em certas posições para alguns jogadores que serão fundamentais para aquilo que é a nossa ideia e aquilo que queremos criar no Benfica. Mas, acima de tudo, sentir e deixar uma mensagem clara para os nossos adeptos e, sobretudo, para o balneário. A maioria dos jogadores está de férias e eu quero que eles descansem, mas temos qualidade. A base está lá. Acreditamos muito nela. Naturalmente, haverá espaço. Em relação à questão financeira, também haverá, e isso é matéria para o Presidente e para a direção desportiva falarem, não para mim. Mas haverá espaço para reforçarmos o plantel porque, se não fomos campeões, temos de olhar para dentro, perceber porquê e reforçar a equipa naquilo que for necessário.
Começou muito jovem, aqui ao lado, no Sporting, num clube que, na altura, não tinha grandes condições para ser campeão. Ainda assim, conquistou uma Taça de Portugal. Foi para a Grécia, conseguiu ser campeão, mas depois foi para Inglaterra, para clubes que não lutavam pelo título. Pergunto-lhe se este é o maior desafio da sua carreira porque, pela primeira vez numa das principais ligas, digamos, vai lutar por títulos. Isso traz-lhe maior pressão?
Eu não comecei no Sporting, comecei no Estoril como treinador. Acho importante referir isso, porque foi onde tudo começou, e tenho muito orgulho naquilo que foi o projeto. Depois, naturalmente, vieram todos os outros clubes. O primeiro grande troféu, com relevância, independentemente de ter sido campeão pelo Estoril na nossa primeira temporada e de termos conseguido duas qualificações para a Europa, não foi um troféu físico, mas, se calhar, vale mais do que um troféu físico no Estoril-Praia. E, como falou, é óbvio que nem todos os clubes têm capacidade para lutar por títulos. Em campeonatos diferentes e em conjunturas diferentes, a realidade é que sempre estivemos em posições e em clubes que davam condições para lutar por títulos. Não estou a dizer que os conquistámos todos, mas as épocas acabaram com títulos. É bom referir isso também. Basta olhar para clubes com essa dimensão e capacidade para lutar por títulos e perceber qual foi o resultado final. Não foi tudo perfeito. É difícil ganhar todos os títulos em qualquer clube do mundo. E o Benfica é um dos grandes clubes do mundo. Naturalmente, é sempre muito difícil. Percebo a questão de em Inglaterra ter estado em clubes que não lutam por títulos. Poder estar neste momento no Benfica não me traz maior ou menor pressão. Traz-me responsabilidade, aquilo que é a minha posição neste clube. A pressão, sinceramente, é algo que tento transmitir sempre aos meus jogadores e a quem trabalha comigo. Se ela não existir, sou o primeiro a colocá-la. Já estive em alguns clubes em que ela não existia tanto, e quem trabalha comigo sabe que sou o primeiro a colocá-la, de várias formas. Felizmente para nós, no Benfica isso não será necessário, porque a grandeza, a dimensão e aquilo que é o jogo seguinte trazem-na naturalmente. E, sinceramente, sinto que essa pressão é um privilégio. Se queremos estar a este nível, se queremos estar num clube desta dimensão, se queremos estar no mais alto nível do futebol, a pressão tem de ser um privilégio. É óbvio que haverá momentos em que ela estará bem forte e teremos de ser capazes de aguentá-la. Haverá também momentos em que conseguiremos desfrutar. A vida de treinador é um pouco isto. No momento positivo, a vitória, quase não há tempo para festejar. Há tempo para viver esse momento e depois começar a preparar o passo seguinte. Também sei que, nos momentos menos positivos – e não quero estar a falar da derrota –, a pressão recai toda sobre o treinador. E não há problema nenhum. Estou preparado para isso, porque sinto que esta pressão é um privilégio e sinto-me um privilegiado por estar aqui.
Virando um pouco a página para o mercado de transferências: os rivais diretos, FC Porto e Sporting, parecem estar a tentar fechar os plantéis o mais rapidamente possível. Têm surgido alguns rumores sobre a vinda de Harry Wilson, um médio galês com quem trabalhou 5 anos em Inglaterra. Pergunto-lhe se gostaria de contar com ele nesta época e, além de Harry Wilson, se já sugeriu algum nome do Fulham ao Presidente Rui Costa. Queria também perceber se traz consigo parte da equipa técnica do Fulham. Sim, grande parte da equipa técnica irá acompanhar-me neste desafio. Em tempo oportuno saberão quais são os elementos e como será composta a equipa técnica. Em relação a contratações ou possíveis contratações, não vou individualizar, porque, se responder a essa questão, os seus colegas a seguir vão perguntar-me por outras posições. Neste momento, não está em cima da mesa nenhum jogador do Fulham para poder ingressar no Benfica.
Gostava de voltar um pouco atrás e perguntar-lhe como foi essa conversa com o Presidente Rui Costa. Foi fácil e rápido dizer-lhe que sim, que aceitava vir para o Benfica?
A conversa foi clara. Acima de tudo, houve uma manifestação de interesse por parte do Presidente, que foi muito claro. O Benfica, naquele momento, precisava de um treinador e procurava aquilo que considerava ser o treinador mais indicado para o projeto. Na altura, mostrei abertura. E não vos escondo que, se me perguntassem há 4 ou 5 meses se o meu objetivo passava por regressar a Portugal, possivelmente dir-vos-ia que não. Existiu o telefonema do Presidente e a minha resposta foi claramente deixar a porta aberta. Disse que era algo que me entusiasmava, algo que ambicionava e que, se tivesse de acontecer, estaria preparado para isso. Foi a primeira conversa. Foi a manifestação de interesse. E, naturalmente, tudo aconteceu de forma positiva e clara, que é o mais importante.
Que mensagem gostaria de deixar aos adeptos do Benfica?
Queria deixar duas mensagens, e não indo pela mais fácil. A primeira é dizer que este é o maior desafio da minha carreira neste momento. Pelo momento da minha carreira e pelo momento que o Benfica atravessa, considero este o maior desafio da minha carreira. Sem entrar em comparações, disse-vos há pouco que em todos os projetos por onde passei coloquei sempre exigência máxima e uma enorme paixão, e naturalmente será assim também no Benfica. Mas, pela dimensão do Clube e pelo momento da minha carreira, considero este o maior desafio da minha carreira. Em relação aos nossos adeptos, quero lembrar-lhes a força que temos. Hoje ninguém me perguntou sobre o Real Madrid, felizmente, porque estamos no Benfica, mas foi muito tema de conversa e eu percebo porquê. Eu quero lembrar aos nossos adeptos que o Real Madrid, há pouco tempo, teve eleições e votaram pouco mais de 30 mil pessoas, creio eu. O Benfica teve eleições há uns meses, e vocês sabem o número de votantes que houve. Eu estava longe, estava fora, mas foram mais de 90 mil votantes. É isto que quero dizer aos nossos adeptos: num momento em que não se ganham títulos, ou em que não se teve uma época positiva – e o Presidente ontem [11 de junho] assumiu claramente que foi uma época muito negativa para o Benfica –, eu, mesmo estando longe, senti que os adeptos estiveram sempre com a equipa. O apoio foi constante. Essa paciência, em momentos importantes da temporada, vai voltar a ser fundamental. E quando falo em paciência não falo em menor exigência, porque neste clube a exigência é natural. Mas quero dizer-lhes que esta discrepância em termos de números demonstra a grandeza humana deste clube. E quanto mais forte e mais unido estiver o universo benfiquista, mais difícil será não sermos vitoriosos. É nisso que quero que pensem um pouco. Independentemente de gostarem mais da pessoa A, B ou C, do jogador A, B ou C, ou do treinador Marco Silva ou não, isso neste momento não é muito relevante para mim, sinceramente. Eles têm de perceber que, se estivermos todos unidos, seremos cada vez mais fortes. E isso é o mais importante. Depois de um ano negativo, não há que escondê-lo, eu espero sinceramente, e acredito, que nós vamos fazer a nossa parte. Vamos tentar entusiasmar, vamos tentar ligar todas as peças. E sei claramente que eles irão fazer a parte deles também para que, no final da época, possamos celebrar.














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