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Camisola Principal Benfica 25/26

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Edição de sexta-feira, 30 de ABRIL 2026

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Uma ode à mística: António Simões homenageia o Benfica


 

A assinalar os 64 anos da conquista do bicampeonato europeu – o Benfica venceu o Real Madrid, por 5-3 –, António Simões doou 16 peças da sua coleção pessoal ao Museu Benfica – Cosme Damião, homenageando todos os Benfiquistas, que, ano após ano, continuam a fazer-lhe uma vénia.

Ter futuro é ter memória. Avivá-la é estar mais perto de dar os passos certos em frente. Ouvir António Simões falar do Benfica e da sua gloriosa história ao serviço do Clube é beber do que, desde há muitos anos, é conhecido por mística.

Aproveitando a efeméride que assinala a conquista do bicampeonato europeu do Glorioso, que aconteceu no dia 2 de maio de 1962, o Museu Benfica – Cosme Damião e o Clube prestaram tributo ao mais novo campeão europeu de clubes de sempreAntónio Simões, que doou à sala de troféus do universo Benfica 16 peças da sua coleção pessoal.

Uma camisola do Benfica de António Simões; uma braçadeira de capitão; uma faixa de campeão; e 13 medalhas: uma medalha referente à Taça dos Clubes Campeões Europeus, uma medalha referente ao Campeonato Nacional de Juniores, uma medalha referente ao Campeonato Europeu de Juniores de Seleções e 10 medalhas alusivas aos Campeonatos Nacionais ganhos de águia ao peito.

Homenagem António SimõesSendo uma ocasião de grande simbolismo, o evento contou com vários momentos que deixaram António Simões emocionado. Acompanhado por Jaime Cancella de Abreu, o antigo atacante chegou com a sua habitual boa-disposição, cumprimentando todos os presentes, com um sorriso no olharCom um espaço preparado para gravar um testemunho sobre esta doação, esta verdadeira lenda viva do Clube deu mostras da simplicidade dos grandes homens, recusando falsas modéstias e assumindo que gosta de ser reconhecido, mas que, a ser senhor, seria apenas "um senhor da bola". Na sala, sentia-se a importância do momento, atribuindo à figura do campeão europeu uma boa quota-parte da impressionante história do Sport Lisboa e Benfica, sendo que uma amostra da mesma ficava, desde então, exposta no museu do Clube.

Homenagem António SimõesO JOGO, A LIDERANÇA E O Reconhecimento Ao lado das 3 peças mais marcantes que doou – a camisola, a braçadeira de capitão e a última faixa de campeão nacional (1974/75) –, António Simões falou "no respeito" que todos têm de ter "pela grandeza do Sport Lisboa e Benfica".

"Eu faço parte da história, mas nós temos o tempo. Estas peças são uma grande parte da minha carreira. Quase toda ela está ali. Devo ser uma pessoa grata, dado que tomei a dimensão que tomei, como jogador, porque o Clube tinha, também, uma dimensão muito grande. Sem um grande clube, quase não pode existir um grande jogador. Portanto, estou reconhecido por isso. Pertencemos a uma história enorme, a do Sport Lisboa e Benfica, algo que é um privilégio enorme. Neste momento, estamos a não perder a identidade. Ter memória, respeitar a história – assim nunca se perde a identidade. Este clube faz muito bem isso. Houve outros antes de mim. Há outros que estão nessa função. Há aqueles que hão de vir", disse, antes de deixar uma "atrevida" consideração sobre o Benfiquismo: "A única doença saudável que conheço é ser do Benfica."

As 3 peças ali presentes representam para o ex-futebolista "o jogo [a camisola]", a "liderança [a braçadeira]" e o "reconhecimento [a faixa de campeão]", fazendo com que esteja "tudo ali". Os artefactos foram o mote para uma história de incalculáveis dimensões, que espelha bem o sentido de missão.

"Na época 1972/73 fomos campeões sem perder nenhum jogo. Mas eu tive a infelicidade que me marcou. Estava eu em Tomar para fazer o jogo e, durante a noite, recebi a notícia de que o meu filho, acabado de nascer, falecera. Fui informado, o Presidente Borges Coutinho veio ter comigo, e perguntou se eu queria jogar ou não. Nesse jogo, o Eusébio e o Torres estavam magoados, não podiam jogar. Senti-me tão aflito... aqueles dois não iam jogar. Se eu também não jogo, não vamos ganhar este jogo... Tenho de ir jogar. E comuniquei a Borges Coutinho, eu vou jogar. Joguei. Pois bem, o jogo foi ganho por 0-1. No início, a bola veio ter comigo, eu dei-lhe um pontapé, quase que zangado, e quis o destino que entrasse na baliza, e ganhámos 0-1. Estou ligado a isso, e não conto isto para que as pessoas fiquem a gostar mais de mim. O mais importante não é a admiração que fica, é o respeito. É isso que quero que as pessoas tenham quando olham para mim: o respeito. Vejam bem o contraste que é a alegria, a tristeza, a celebração e a perda. Eu tenho isto comigo. Nem a perda de um filho fez com que eu não jogasse", contou.

A braçadeira herdou-a do "senhor Mário Coluna", alguém que, juntamente com a "família", é um dos "grandes pilares" da sua vida: "Cresci com eles, com os Colunas, os Águas e os Costa Pereiras. A quem é que me havia de agarrar? Eles ensinaram-me não só o que é representar este clube, mas também a liderar e a respeitar a grandeza do Benfica. Foi isso que eu fiz. Portanto, eu não sou diferente dos outros. Eu apenas tive grandes professores. Tive o cuidado de aprender."

Homenagem António SimõesUM LEGADO DE GERAÇÃO EM Geração Se do Monstro Sagrado e de outros imortais recebeu toda esta mística, António Simões fez o mesmo com as gerações posteriores que vestiram o Manto Sagrado.

"Toni, Shéu e Humberto Coelho foram a geração a quem transmiti o que tinha recebido dos outros. Foram duas décadas fantásticas. Eu acho que foram as melhores. O sucesso, os troféus e os títulos, a exuberância e a alegria... A história está lá, ninguém a pode apagar", considerou.

No meio de tantos nomes grandes e incontornáveis da história do Clube, é fácil reparar que falta o nome maior: Eusébio da Silva Ferreira. Inesquecível e impossível de não lembrar, Eusébio tem um papel especial na vida de Simões. Aquele que o tratava por "o meu irmão branco" é de tal forma especial para António Simões, que este "fez questão" de que os seus objetos ficassem expostos junto da exposição permanente referente ao Pantera Negra. Como em vida, lado a lado.

"Afinal, foi exatamente, o que fiz durante 700 jogos. Foram dele os dois maiores elogios que tive na minha vida. Como homem, como pessoa e como jogador. O primeiro, ele não me surpreendeu, mas apanhou-me desprevenido. Quando ele se vira para mim e me diz: 'Tu és o meu irmão branco.' Eu fiquei sem palavras. Quando lhe perguntaram qual foi o melhor jogador com quem jogou, ele respondeu: 'Então não sabem? Foi o Simões.' Isto foi dito de forma espontânea, genuína e verdadeira. Dito por um dos maiores jogadores, um dos poucos reis que existem no futebol. Também estou grato por ter sido companheiro do nosso querido Eusébio da Silva Ferreira", lembrou.

António SimõesSURPRESA ATRÁS DE Surpresa Foi com Eusébio que, certo dia, conversou sobre "os jogadores que podiam entrar" na equipa que se sagrou bicampeã europeia, em 1962. Os nomes foram ditos, embora "sem fazer ideia de onde é que iam jogar", mas... "tinham de jogar": "Fernando Chalana, o génio, e João Vieira Pinto, o jogo."

Pequeno Genial, infelizmente, mesmo continuando vivo na memória de todos, já pertence ao quarto anel, mas o Menino d'Ouro surpreendeu António Simões, arrancando-lhe um indescritível sorriso.

"Isso vindo de si... Que grande orgulho ouvir isso da sua boca. Eu estive aqui à espera de entrar e aprendi muito ao ouvir o que disse. Esta entrevista devia passar em muitos sítios para que os jovens saibam a história do clube em que estão. Quando se respeita uma história, maior é a história", disse, emocionado, João Pinto, que vestiu de águia ao peito durante 8 anos (1992-2000).

António Simões não escondeu "o quanto custou" ver João Pinto sair do Clube rumo ao Sporting, mas não deixou de referir que "valeu a pena" o antigo camisola 8 dos encarnados "ter entrado em campo".

As surpresas não ficaram por aqui, com Toni e Shéu a surgirem na sala. Com João Pinto, os 3 ouviram atentamente algumas palavras de António Simões, como quem ouve um pai, um mestre ou um professor.

"Está aqui gente que tão bem representou este clube. Estão aqui algumas gerações a que tive o privilégio de assistir. Com o João, sempre tivemos uma relação de grande respeito; estes 2 malandros vieram logo a seguir. Está aqui uma grande parte do Benfica. A boa parte do Benfica. Este é que é o lado bom do futebol", considerou.

Ainda havia mais. Primeiro foi José Augusto – que não se esqueceu do "E Viva o Benfica!" –, depois... o Presidente Rui Costa, que fez questão de dar um grande abraço a António Simões, assim como a todas as enormes lendas do Clube, com as quais brincou carinhosamente.

Depois de uma troca bem animada de palavras, juntaram-se para uma fotografia que eternizou um momento com 6 nomes incontornáveis da história do Sport Lisboa e Benfica, que tantas e tantas alegrias deram aos Benfiquistas dentro e fora das 4 linhas: António Simões, José Augusto, Shéu, Toni, João Pinto e Rui Costa.

Homenagem António SimõesNA Eternidade A filha e amigos do antigo futebolista de 82 anos estiveram igualmente presentes, e com ele seguiram para a zona em que as peças foram colocadas. Sempre num ambiente informal, de grande cumplicidade, o homenageado e os convidados trocaram histórias e partilharam momentos, além de apreciarem alguns dos troféus expostos.

Ali, com Eusébio sempre bem presente, com um sem-fim de imagens e adereços referentes à sua lenda, o "irmão branco" do King falou no "privilégio" de ter por perto o "companheiro José Augusto" e aqueles que vieram "um bocadinho depois".

"Estou muito feliz. Isto que aqui está é o Benfica todo. Isto é que é história. Assim, nunca vamos perder a identidade. Nunca! A história é tão rica, é tão grande, tão forte, que temos de nos agarrar a ela para ir buscar ainda mais história", considerou, antes de "cumprimentar" Rui Costa pelo que foi "como jogador" e por "estar presente institucionalmente, enquanto Presidente".

Já com as medalhas dentro do mostrador, António Simões encarregou-se de ter a honra de dar em mão os artefactos que faltavam: a última camisola por si usada enquanto jogador do Benfica, a braçadeira de capitão e a faixa de campeão nacional de 1974/75 – isto depois de ter explicado ao Presidente o significado dos 3 objetos.

Homenagem António Simões"UMA DAS PESSOAS MAIS BRILHANTES DO BENFICA" Após uma enorme salva de palmas, e selada a vitrina, Rui Costa classificou esta doação como "uma prenda sem dimensão para todos os Benfiquistas", dirigindo umas palavras a António Simões, depois de ter vincado que este ganhou 10 Campeonatos de águia ao peito!

"Isto é uma lição de Benfiquismo para todos nós. Há pouco, o míster dizia que nós – eu e o João – viemos de uma geração diferente. Mas nós viemos a beber tudo o que vocês nos ensinaram, de geração para geração. Então, ter aqui estas 3 peças no Museu, não é uma prenda ao Museu. É uma prenda a todos os Benfiquistas, que devem vir ver esta camisola, esta faixa e esta braçadeira. Não representa só um jogo o que está aqui. Representa toda uma carreira de uma das pessoas mais brilhantes que o Benfica teve à sua disposição. É isto que faz a mística do Benfica", disse o Presidente Rui Costa.

Fotografias, abraços, histórias e mais histórias, o tempo foi passando, mas António Simões não perdia o sorriso por estar rodeado por tanta gente que, tal como ele gosta, o respeita. Aos meios do Clube, aquele que capitaneou o Benfica em 244 jogos disse ter vivido uma manhã "muito bonita".

"Comecei a pensar que não fazia muito sentido eu ter isto guardado numa gaveta, ou noutro lado qualquer, e que não pertencesse a este lindo museu, que é a história do Sport Lisboa e Benfica. Aqui se arranjou um pequeno espaço, exatamente onde eu queria, que fiz questão de pedir: ao lado do Eusébio. Não há melhor lugar", considerou.

António SimõesGRATIDÃO POR QUEM AJUDOU A SER GRANDE mpulsionador da vénia em 1970 – que a cada jogo os jogadores do Benfica fazem aos seus adeptos –, a glória mostrou-se "muito feliz". "Passados mais de 50 anos, os nossos jogadores de várias nacionalidades aceitam fazer esse cumprimento aos sócios", assumiu, admitindo que esta doação é uma espécie de vénia ao Clube.

"Se eu tivesse jogado noutro clube que não fosse o Benfica, eu não era o Simões do Benfica. Não era o Simões do mundo. Temos de ser gratos. Claro que eu sabia jogar, com certeza que sim. Mas isso é o suficiente para ser tão grande? Não. Foi o clube que me ajudou a ser grande", reconheceu.

Por sua vez, Shéu sublinhou que foi com a geração de António Simões que percebeu – "sem eles dizerem" – que "empatar era quase uma derrota": "Nunca ninguém nos disse que tínhamos de ganhar. Só o facto de estar ali ao lado, esta gente fazia com que percebêssemos que todos os jogos eram para ganhar. Representar o Benfica tinha um significado quase intransponível."

Toni, por seu lado, falou na "amizade" que "cimentou" com o mais jovem campeão europeu de clubes. "Cheguei ao Benfica em 1968 e quem me recebeu e, no fundo, me pôs a mão por baixo foi o António, com o qual cimentei uma amizade que dura até aos dias de hoje. Acho que é um dia de orgulho para todos os Benfiquistas ter alguém que serviu o Glorioso, como o António Simões", afirmou.

Homenagem António SimõesA MEMÓRIA QUE Engrandece De viva voz, João Pinto disse que desconhecia – até agora – a conversa entre António Simões e Eusébio, na qual viam nele potencial para integrar a equipa que se sagrou bicampeã europeia em 1962. "Não fazia a menor ideia. Vim assistir a um momento muito bonito. Os momentos mais bonitos dos clubes são aqueles que têm memória. Não conheço ninguém que tenha representado desta forma o Benfica, como o Simões o fez, entre aqueles que estão ainda entre nós. Na verdade, foram eles que trouxeram aquilo que é a mística do Benfica. Todos os outros que vieram a seguir vieram beber do que eles foram cultivando durante a sua carreira", analisou.

Um dia em que o Simões do Benfica doou ao Museu Benfica – Cosme Damião algo mais do que todos os 19 troféus que ajudou o Clube a conquistar entre 1961 e 1975. No fundo, entregou um pouco mais de si. E, na verdade, todos os Benfiquistas foram homenageados e enriquecidos. Obrigado!


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