"Temos de ganhar, não temos outra solução"
José Mourinho, na antevisão do Benfica -SC Braga, jogo da 33.ª jornada da Liga Betclic , agendado para as 20h15 de segunda-feira, 11 de maio, no Estádio da Luz, assegura que as águias "vão com tudo" o que têm para continuarem a depender de si próprias na derradeira jornada da competição, no que à luta pelo 2.º lugar diz respeito.
No Benfica Campus, o treinador do Benfica afirmou que a equipa está com a "mentalidade certa" de quem vai jogar duas finais e revelou que Tomás Araújo recuperou de lesão e irá alinhar no centro da defesa com António Silva.
José Mourinho abordou ainda as ausências de Otamendi e Richard Ríos, ambos por castigo, assegurando que "há gente à espera de uma oportunidade para jogar" e que "dará uma boa resposta".
Último jogo no Estádio da Luz: pergunto-lhe como está o espírito da equipa nesta reta final do Campeonato. E, por outro lado, que SC Braga esperam encontrar, tendo em conta que o adversário jogou a meio da semana para a Liga Europa? Acho que estamos com a mentalidade certa de quem joga duas finais. Tens razão: último jogo em casa, o que também tem um significado extra. O adversário, pelo facto de ter jogado a meio da semana, teve, por regulamento, mas também por justiça, o jogo adiado para segunda-feira, o que lhe dá o 4.º dia após o jogo da Europa League. E todos nós sabemos que a grande dificuldade é jogar ao 3.º dia. No 4.º dia, penso que não têm problema absolutamente nenhum, até pelo próprio estilo de jogo que o Braga tem. Normalmente, são os adversários que têm de correr mais do que eles, porque são muito fortes em posse. E penso – sem prestar grande atenção a isso – que ainda precisam de qualquer coisa para confirmarem a 4.ª posição. Portanto, seguramente, motivação não lhes faltará.
Deixe-me utilizar a palavra "verdade" para enquadrar a pergunta: aconteça o que acontecer até ao final da época, e tendo em conta todas as críticas do Benfica, acha que a verdade desportiva foi posta em causa nesta temporada? Pergunto-lhe também se há algum fundo de verdade na lista de 10 exigências que fez ao Real Madrid, como noticiou a imprensa espanhola.
Relativamente à verdade desportiva, remeto-a para o jogo de ontem [sábado] da equipa B do Benfica contra o Académico de Viseu. Basta analisar esse jogo para perceber muita coisa. Não sei do que fala relativamente às minhas exigências ao Real Madrid. Não sei do que fala e, como tal, não posso sequer responder à sua pergunta.
"Vamos lá com tudo aquilo que temos e com a força de conseguir ir para o último jogo e continuar a depender de nós" José Mourinho
Pegando ainda no assunto do Real Madrid: pergunto-lhe se é verdade que tem interesse em regressar ao Real Madrid e se efetivamente pode dizer que não a Florentino Pérez [presidente do Real Madrid].
Há uma coisa que eu gostaria de frisar: no mundo do futebol, não são os profissionais que têm interesse em ir ou não ir. Acho que as coisas, quando começam – e não me estou a referir a nenhum caso concreto, estou-me a referir no geral –, acontecem porque os clubes têm interesse, e são os clubes que iniciam, ou não, procedimentos para tentarem ter as pessoas que querem. Continuam a falar do Real Madrid e continuo a fugir, mas a fugir com toda a honestidade. Não tive nenhum contacto, nem com o presidente nem com nenhuma das pessoas importantes na estrutura. E, por decisão minha – uma decisão igual a outras que tive ao longo da minha carreira, principalmente agora numa fase final das épocas –, eu não falo com ninguém. Portanto, não tive nenhum contacto com o Real Madrid e, até ao último jogo do Campeonato contra o Estoril, também não vou ter. Depois há ali uma janela de uma semana em que terei a liberdade de falar com quem achar que devo falar, mas todas as histórias que têm saído – exigências, reuniões – são tudo especulação.
Face à ausência de Otamendi por castigo, Tomás Araújo está de regresso após lesão. O jogador está 100 por cento disponível para esta partida? Ou ainda há alguma prudência com ele? Nesse sentido, que impacto tem a ausência do capitão num jogo como este? A ausência do capitão é sempre importante. É um jogador que, sempre que esteve disponível – e esteve quase sempre –, jogou. Obviamente que, numa final como esta, é uma perda. Da mesma maneira que a ausência do [Richard] Ríos também é importante para nós num jogo como este. Mas o Tomás está bem. Treinou com a equipa sem qualquer limitação, na sexta e no sábado. Hoje voltará a treinar, se tudo correr bem, dentro da normalidade. Não temos receios. As sensações são todas muito boas. Não vale a pena estar aqui a tentar esconder tudo aquilo que depois se consegue saber, mesmo que tentemos esconder. Portanto, não há nada para esconder: joga o Tomás e joga o António. E, como se calhar perceberam pelo jogo de ontem da equipa B, o Gonçalo Oliveira não jogou na equipa B para poder estar no banco amanhã [segunda-feira] e dar-nos a proteção de que eventualmente podemos precisar.
Antes do primeiro jogo com o Real Madrid, para a Liga dos Campeões, disse que "era matar ou morrer de pé". Antes do jogo com o Famalicão disse que preferia que o "Benfica estivesse a lutar pelos 9 pontos e não tivesse tanta margem de erro". O que lhe quero perguntar é se se sente mais confortável e se prefere que a equipa jogue com essa sensação, em vez de saber que podia empatar e não ganhar sempre. Eu disse antes do jogo contra o Famalicão que podia parecer contraditório, ou até idiota da minha parte, mas acho que você – e vocês [jornalistas] no geral – perceberam aquilo que eu queria dizer. Amanhã [segunda-feira] é um bocadinho assim, e já não temos de simular estados de alma, porque o estado de alma é perfeitamente objetivo: temos de ganhar, não temos outra solução. Mas, de facto, em Famalicão, apesar de podermos perder 2 pontos da maneira como perdemos, e de continuar a ser possível mantermos o controlo do nosso destino, a realidade é que fomos lá com a mentalidade certa. Fizemos 60 minutos absolutamente fantásticos, com qualidade, intensidade e uma ambição enorme. Depois entraram em campo outros fatores que nos impediram de ganhar o jogo, mas a atitude foi a atitude correta. A semana de trabalho foi longa, mas boa. OK, temos duas ausências importantes, mas temos gente que também está à espera de uma oportunidade para jogar. Tenho a certeza de que vão dar uma boa resposta. O estádio é importante. É o último jogo da época em casa e é, obviamente, um jogo decisivo. Penso que o estado de alma do estádio também é importante para a equipa. Vamos lá. Vamos lá com tudo aquilo que temos e com a força de conseguir ir para o último jogo e continuar a depender de nós.













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