"Lutar por títulos é o meu objetivo e o do Benfica"
Destacando a necessidade de vencer o Nacional, adversário do Benfica na 29.ª jornada da Liga Betclic , agendada para as 18h00 de domingo, 12 de abril, no Estádio da Luz, José Mourinho escalpelizou diversas questões na conferência de imprensa de antevisão do jogo com os madeirenses.
O treinador encarnado referiu que o Nacional "sabe defender muito bem", é uma "equipa inteligente" e "sabe ser perigosa em contra-ataque".
Apontando à conquista dos 3 pontos na Catedral, José Mourinho revelou que Aursnes, Barreiro, Dedic e Gonçalo Moreira vão integrar a convocatória para o embate com os alvinegros.
Depois da divisão de pontos com o Casa Pia, na ronda anterior, o técnico voltou a ser questionado sobre esse embate e as declarações que proferiu.
Pragmático, o timoneiro das águias abordou a situação dos encarnados na tabela classificativa e detalhou várias situações.
O Nacional vai chegar à Luz com necessidade de fazer pontos para fugir aos últimos lugares da tabela. Tendo isso em conta, qual é a abordagem que espera por parte do adversário? E, se me permite, perguntar também como é que correu a semana de trabalho do Benfica. O Nacional... Tens razão, precisam de pontos, não desesperadamente, porque estão fora neste momento, da zona de despromoção, e acho que também fora da zona de possível play-off. Mas estão perto, precisam de pontos. E é uma equipa que, desde o princípio da época, joga para pontos. Bem treinada, já com algum tempo de trabalho com o Tiago [Margarido], uma equipa que sabe defender muito bem, sabe defender a quatro, sabe defender a cinco. Na minha opinião, defende ainda melhor quando baixo. É uma equipa inteligente, que tem a capacidade de... obviamente também com algumas das características que o nosso Campeonato tem, que são a permissividade a uma redução drástica do tempo útil de jogo. Sabem fazê-lo também muito bem. Depois, é uma equipa que com bola, sabe o que faz, sabe o que quer, sabe ser perigosa em contra-ataque, mas também sabe retirar a iniciativa de jogo ao adversário. Para mim, é uma boa equipa. E se nos centrarmos nos resultados que eles fizeram com as equipas da parte de cima da tabela, mesmo não tendo feito muitos pontos – penso que ganharam em Braga –, mas tudo contra as equipas de topo foram todos jogos muito nivelados. Se não no jogo jogado, mas nivelados no resultado. Portanto, é isso que eu espero. Espero uma equipa a vir jogar para o ponto, sem perder obviamente de vista a possibilidade de levar pontos. Nós precisamos muito de ganhar por todas as razões e mais alguma, precisamos muito de ganhar. Eu lia algumas das frases mais marcantes da conferência de imprensa do Tiago, onde ele diz que espera um Benfica reativo relativamente à última prestação e ao último resultado. E obviamente que essa é a nossa intenção.
Depois do último jogo, ficou muito frustrado devido ao empate, porque matou, segundo o míster, as possibilidades que o Benfica tinha de ser campeão nacional. Disse também que tinha a vontade de não utilizar alguns jogadores, mas que havia valores mais altos. A minha pergunta é que valores são esses e o que é mais importante do que dar a vida pelo Benfica, como o míster disse que dá? Eu disse muita coisa e parece que afinal não disse tanta coisa, porque, apesar de eu não seguir – o Gonçalo [Guimarães] é que praticamente me obriga a seguir, porque é obviamente parte do seu trabalho –, parece que eu não fui claro e objetivo a dizer que quero ficar no Benfica. Segundo os feedbacks que me chegavam do Gonçalo, havia, ou tem havido durante a semana, 1001 dúvidas relativamente a isso. Posso ter-me equivocado, ou posso não ter sido explícito, mas penso que fui objetivo e penso que fui explícito a dizer que queria ficar no Benfica na próxima época. Portanto, comecemos por aí. Penso que não é preciso agarrar num papel e numa caneta e fazer um desenho para voltar a repetir aquilo que eu disse, mesmo nesse momento de frustração, como você identificou, e bem. Relativamente à minha vontade de ficar no Benfica e de lutar por títulos, que no fundo, é o meu objetivo e o objetivo do Benfica. Relativamente àquilo que eu disse e que tu identificaste muito bem, frustração, obviamente, sim. E jogadores que eu não utilizaria mais: uma coisa é aquilo que tu dizes e, depois, outra coisa é aquilo que acontece na prática. Mas penso também que eu frisei que uma coisa podia ser uma declaração de intenções, mas que depois haveria outros valores mais altos. Os valores mais altos são muito óbvios e – quando parece também que houve quase um tsunami relativamente a essas declarações – eu muito honestamente estive a pensar se seria eu o único treinador no mundo que mudaria alguma coisa no seu plantel. E cheguei a uma conclusão muito simples: eu acho que no mundo há 5 treinadores que não mudariam nada no seu plantel. Só 5. Quando digo treinadores, digo treinadores/clubes. Só 5. Porque a natureza de qualquer treinador, de qualquer plantel, de qualquer clube é, obviamente, de nunca ter o plantel considerado o plantel perfeito. Há sempre o treinador que gostava de ter um jogador mais alto, outro que gostava de ter um jogador mais rápido, outro que gostava de ter um especialista à bola parada, outro que gostava de ter um jogador mais experiente, outro que tem uma equipa demasiado velha e gostaria de ter mais juventude e mais irreverência. Eu consegui identificar 5 clubes/treinadores, neste momento, que serão os únicos privilegiados neste mundo, onde eu também já fui. Também já tive a oportunidade de ter algum plantel com essas premissas. Mas acho que é normal, normalíssimo, que qualquer treinador mudasse qualquer coisa no seu plantel, principalmente depois de um resultado frustrante, de uma exibição frustrante e difícil de aceitar. Agora, na prática, eu também o deixei claramente no ar: há outros valores, obviamente, que se levantam, que é a dificuldade de todos nós, treinadores, termos os plantéis que nós idealizamos como os plantéis perfeitos. E uma coisa é aquilo que te apetece fazer num determinado momento, outra coisa é aquilo que tu fazes. Mas, mesmo assim, dentro dessa tempestade de emoções, numa conferência de imprensa após um jogo, eu acho que consegui ter a clarividência de dizer que não o farei. Obviamente que não o farei. E, obviamente, que na convocatória de amanhã vocês chegarão à conclusão que a convocatória é, não exatamente a mesma, mas quase. E eu não digo exatamente a mesma, porque eu acho que entra o Dedic na convocatória e entra o [Gonçalo] Moreira na convocatória, portanto, para entrarem 2 jogadores, saem outros 2. Mas não existirá nenhuma decisão que vocês possam interpretar... vocês interpretam como querem. Principalmente lá os paineleiros, interpretam como querem. Mas a realidade é que amanhã a convocatória terá 2 jogadores diferentes.
"Nós precisamos muito de ganhar por todas as razões e mais alguma, precisamos muito de ganhar" José Mourinho
Insisto na pergunta do meu colega: pode revelar quais foram os jogadores a quem se referiu nessa última conferência de imprensa?
Claro que não o vou referir. Não o posso referir. Como eu disse anteriormente, mas parece que você, apesar de ser jovem, se calhar, também já é teimoso – e de querer insistir na mesma tecla –, já lhe disse: há 5 treinadores no futebol europeu que não querem mudar nada na sua equipa. Mas, se calhar, mesmo a um desses 5, se perguntar a algum deles, depois de um mau resultado de algum jogo, um desses vai-lhe dizer que mudava alguma coisa. Mesmo um desses 5 vai-lhe dizer que se calhar não deveria ter metido este, não o vou meter mais. E estou a falar dos 5 que treinam as 5 equipas mais poderosas, com maior dimensão no mercado, com maior autonomia no mercado, que se estão completamente nas tintas para tudo aquilo que são contas e financial fair play e por aí fora. Portanto, obviamente que não o posso fazer. Se o disse, e disse, e fui levado pelas minhas emoções, pelas minhas frustrações? É possível. Acho que já devemos estar em... sei lá, 60 e tal conferências de imprensa, não? [Gonçalo Guimarães informa que são 64] 64. Pronto, porque eu falhei algumas. Mas estamos em 64 conferências de imprensa. Acho que é normal que eu diga coisas que não deva dizer, ou acho que é normal que eu diga coisas que alguns não queiram entender. Inclusive, aceito o tipo de crítica que diz: resultado mau, critica os outros, não se autocritica. Também aceito essa crítica. Porque acho que é um bocadinho... Se eu tenho esse defeito, aceito, mas é um defeito como consequência de quem eu sou – e eu sou aquele que ganhou tudo, ganhou tudo muitas vezes e que repetiu muitas vezes as vitórias. E que, talvez, por isso, tenha crescido de um modo em que muitas das vezes sinto que eu nunca falho, eu nunca me engano, eu nunca erro. Portanto, admito que tenho essa deficiência ao nível da minha personalidade enquanto treinador. Mas é consequência daquilo que eu sou. É consequência daquilo que eu construí. E depois tenho uma qualidade positiva, que eu penso que, relativamente, ao grupo compensa muito esse defeito que também tenho: o facto de ser um grande autocrítico e na cara do grupo ser muito autocrítico, ir avaliar tudo aquilo que uns e outros poderíamos ter feito de mais e de melhor. E, aí, também estou perfeitamente consciente que tenho uma qualidade ótima, que é ser muito exigente comigo próprio, que é ser muito exigente com os outros. Quando digo outros, digo fora jogadores. Digo staff, digo pessoas que trabalham nas estruturas. E também tenho essa capacidade que, ao nível interno, compensa totalmente esse defeito que eu posso ter.
Já disse, e frisou, que quer continuar no Benfica – quer muito continuar. Sente que a vontade do Clube é recíproca? As pessoas que falam de futebol, as pessoas que comentam futebol, as pessoas que vivem dessa área paralela ao futebol podem mudar de opinião a cada dia. Podem mudar de opinião a cada dia, podem mudar de opinião a cada hora, podem mudar de opinião do minuto 89 ao minuto 90'+1', se ao minuto 90 houve um golo que transformou as coisas. Eu acho que você fazer-me a mesma pergunta 2, 3, 4, 5 vezes, não vale a pena. E acho que fazer a mesma pergunta ao Presidente Rui Costa, também não vale a pena. Vocês perguntaram já diversas vezes ao Presidente Rui Costa, o que é que ia acontecer na próxima época relativamente ao treinador. Ele já respondeu. Perguntaram-me 2, 3, 4 vezes se eu queria continuar no Benfica. Eu disse sim, quero continuar. Perguntaram-me que meu agente tinha dito que não sei o quê, não sei o quê, não sei o quê. Eu disse que não, sou eu que decido. Perguntaram-me, há uma ou duas semanas, e eu disse que se me metessem um contrato de 10 anos para eu assinar, que eu assinava. Perguntaram-me a seguir ao Casa Pia, se eu queria continuar. E eu disse que sim, que queria continuar. Então, amanhã, vai-me perguntar outra vez se eu quero continuar? Vai perguntar outra vez ao Presidente Rui Costa o que é que vai acontecer? Não sei se nós temos que nos apresentar a cada dia perante vós e responder sempre à mesma pergunta, acho um bocadinho estranho. Mas, relativamente ao Presidente Rui Costa, se lhe quiserem fazer a pergunta pela milésima vez, façam, que é um problema vosso e um problema do Presidente Rui Costa. A mim, não me façam mais a pergunta. Não me façam mais a mesma pergunta. Eu quero continuar no Benfica na próxima época.
"Há 5 treinadores no futebol europeu que não querem mudar nada na sua equipa. Mas, se calhar, mesmo a um desses 5, se perguntar a algum deles depois de um mau resultado, vai-lhe dizer que mudava alguma coisa" Disse na conferência após o jogo com o Casa Pia que o 2.º lugar seria o grande objetivo do Benfica. No entanto, o Presidente Rui Costa disse que o Benfica teria de acreditar, ou está obrigado a acreditar, em todos os lugares até ser possível. Pergunto-lhe se, cinco dias depois do jogo, já reconsiderou essa posição do 2.º lugar, ou se acredita também naquilo que diz o Presidente em relação ao Campeonato.
Olhe... lá vou eu ser insultado outra vez. Se a minha carreira reflete alguma coisa, é perseverança, trabalho, resiliência. Isso é o que a minha carreira reflete. Portanto, qualquer palavra que eu tenha proferido e que parece que passou a ser lei universal, eu não me revejo nisso. Eu não me revejo nisso. Uma das coisas que eu faço como treinador, ou que tento sempre fazer, que é depois dos jogos não falar aos jogadores, tem qualquer coisa por trás. É que depois dos jogos ao falar aos jogadores arriscas-te a dizer coisas que não queres dizer. Arriscas-te a não expressar verdadeiramente aquilo que tu pensas, aquilo que tu sentes, aquilo que é a tua essência. No dia seguinte, sim. Só que há uma coisa da qual toda a gente pode fugir, menos o treinador, que é depois do jogo, ir à conferência da imprensa. Toda a gente pode fugir. Toda a gente se pode esconder. Todos. Há um que não pode. Porque se não paga quanto de multa? 1 200 euros, ou 1 500 euros, ou 2 500 euros, ou qualquer coisa. E não só pela multa, mas pela própria circunstância. E eu também não era sou pessoa, depois de uma derrota, neste caso empate que vale derrota, para dizer assim "OK, eu pago 2 000 e tal euros e não vou à imprensa". Eu tenho de ir. Eu tenho de ir. Toda a gente pode fugir, toda a gente pode fugir. O treinador não pode. OK, faz parte do nosso trabalho. E é por isso que nós vamos. E arriscamo-nos a dizer coisas que sentimos, arriscamo-nos a dizer coisas que não se sentem. Mas outra coisa que também representa muito a minha carreira é o sentido de realidade. Ter sempre... tentar sempre ser muito, muito realista. E uma coisa que me estimula sempre muito é o matematicamente possível, principalmente quando depende de ti próprio. E outra coisa é o matematicamente possível quando depende dos outros. E quando começas a estar nas mãos dos outros a coisa fica um bocadinho mais complicada. A nossa qualificação na Champions League neste ano acho que reflete muito bem aquilo que o Benfica é e aquilo que eu sou. E eu tive muita responsabilidade nessa qualificação. Tive muita responsabilidade nessa qualificação. Se calhar, muito mais do que aquilo que as pessoas eventualmente possam pensar. Porque quando, jogo após jogo, havia muita gente morta, muita gente, eu diria quase enterrada, havia sempre alguém que agarrava, havia sempre alguém que puxava, havia sempre alguém que dizia que ainda é possível. E era possível. E foi possível. E a maneira como nós nos qualificamos tem a cabeça de alguém que meteu a bola lá dentro, mas também tem o dedo de alguém que acreditou, que arriscou e que disse "vamos lá". Relativamente ao Campeonato, obviamente que matematicamente é possível. Obviamente que matematicamente é possível. Não preciso que ninguém me diga que no Benfica – porque eu sou o primeiro a dizê-lo – independentemente dos objetivos, se atingirem ou não, eu costumo utilizar a expressão de que nem nos jogos amigáveis se brinca ao futebol no Benfica. É sempre a sério, mas eu, realisticamente, vejo difícil que o FC Porto perca 7 pontos. Agora, é nossa missão, é nossa obrigação, e uma coisa são as minhas palavras a dizer acabou. E outra coisa é o meu trabalho aqui a semana toda, desde o primeiro dia, a dizer vamos e vamos e vamos e a treinar sempre mais e mais e melhor. São coisas diferentes. Portanto, nós temos de lutar por estes 6 jogos, 18 pontos, e temos de ficar à espera que o FC Porto perca aqui, que empate ali, que empate acolá. Portanto, os 2 pontos que nós desperdiçámos no Casa Pia empurraram-me a ter esse tipo de declaração. O Presidente falou, e quando o Presidente fala, eu, pelo menos, calo-me, mas pela relação que tenho com ele, permito-me dizer, sem que ele se chateie, que ele conhece-me bem. Ele conhece-me bem. Eu estou aqui só há 8 meses ou 9 meses, alguma coisa assim, mas ele conhece-me bem, porque passa muito tempo comigo. Ele conhece-me muito bem e sabe que eu não me revejo em nada na situação de "agora desistimos, porque já não temos hipótese". Não me interessa se temos hipótese ou não. Não me importa. Importa que o Benfica tem de entrar e tem de ser mais forte do que foi com o Casa Pia. Tem de ser mais forte a todos os níveis.
Qual a situação dos lesionados? Uma dúvida com que fiquei: disse que nos convocados entrou Moreira. Referia-se ao jovem [Gonçalo]?
[Acena afirmativamente com a cabeça]. E entra o Aursnes e o Barreiro. Esqueci-me... esqueci-me. E tenho de ter muito cuidado com as coisas que digo aqui, porque me chamaram de mentiroso na semana passada por um pequeno detalhe. E o pequeno detalhe é simplesmente eu ter dito que o Prestianni nunca cá tinha vindo. E levaram-me exatamente à letra e chamaram-me mentiroso, porque um jogador que, em 3 dias de treino, fica 2 dias em casa de cama, e apresenta-se no Seixal um dia, onde faz um pequeno treino condicionado, a minha expressão de "nem sequer veio ao Seixal" foi o suficiente para me catalogarem de mentiroso. Então, eu agora faço uma pergunta relativamente a mentirosos. Houve uma reunião entre mim e os jogadores há um par de dias. Dois jornalistas que trabalham para a mesma empresa: um escreveu "reunião fantástica, decorrida com grande empatia, o treinador sempre com um tom de voz muito baixo, muito equilibrado, sem nenhuma acusação direta, sem mencionar nenhum jogador". Mesma empresa, um colega: "a reunião foi um vulcão, o treinador culpou diretamente o Lukebakio, o treinador humilhou o Lukebakio em frente aos restantes companheiros". Aqui é que há mentira. Há um dos dois que é mentiroso. Há um dos dois que é mentiroso. Eu, permita-me dizer: o mentiroso é o que disse que a reunião foi um vulcão e que houve acusações. O outro tinha boas informações. Deu a notícia correta.
Olhando para trás, são 9 empates. É muito empate, realmente, apesar de a equipa estar invicta. Consegue, nesta altura, perceber ou detetar alguma coisa que fez menos bem ou de errado, que tenha conduzido a este momento? Sim, são 9 empates dos quais alguns foram conseguidos, eu diria, in extremis e com mérito por termos conseguido esse empate. Tivemos algum empate, também, onde fomos espoliados da vitória. Para utilizar uma palavra simpática. E tivemos, também, alguns dos empates por culpa própria. E quando falo por culpa própria, obviamente que me incluo nisto. Acho que este jogo com o Casa Pia é o jogo, de todos, que me fere mais enquanto treinador de uma equipa e enquanto individualidade, porque é aquele que me surpreende mais pela atitude que nós tivemos. Mas fazendo autocrítica e fazendo análise como nós fizemos – individualmente e em conjunto – há coisas que nós, obrigatoriamente, temos de melhorar neste tipo de jogo que, aparentemente, é o jogo mais fácil. Nos jogos mais fáceis tem de haver um approach diferente. Num jogo de 50 minutos, porque o jogo acho que teve 50 minutos, como estão os jogos em Portugal... Eu pensava que isto era só uma coisa da Turquia, afinal em Portugal é igual ou pior. Jogos de 50 minutos, tu não podes desperdiçar nem um. Porque se vais jogar contra uma equipa que se vai defender, vais jogar contra uma equipa que te vai criar dificuldades, tu tens de martelar – utilizando essa expressão – tens de acabar com o jogo o mais rapidamente possível. Para acabares tens de começar cedo, também. Não podes ter este tipo de approach que permite a um adversário estar num jogo de 50 minutos tranquilamente instalado. Depois, quando fazes um golo em que finalmente saltas um muro, digamos assim, não podes sofrer um golo da maneira como nós sofremos. Voltando atrás, também não podemos sofrer o golo que sofremos contra o Rio Ave no Estádio da Luz, no último minuto. Apesar de termos sido espoliados com o Casa Pia, em casa, não podes sofrer o golo do empate como sofremos com o Casa Pia. Não podes sofrer o golo como sofreste contra o Santa Clara em casa. Portanto, depois também há vetores sob o ponto de vista da atitude, sob o ponto de vista daquela urgência, daquele quase – entre aspas – pânico de não perder pontos. Eu utilizei, ainda no outro dia, uma expressão com os jogadores, que, se calhar, é uma expressão triste, mas se alguém te telefonar a dizer que estão a assaltar a tua casa com a tua família lá dentro, quanto tempo é que demoras daqui até casa? Voas! Voas! E és apanhado em 1000 controlos de velocidade e crias perigo, inclusive, às pessoas inocentes que vão na rua, mas tu vais. E no futebol é um bocadinho isso. As equipas que jogam para objetivos importantes têm de ter esse tipo de urgência. É urgente. O jogo tem de acabar. Eu estou a ganhar por 1-0, o jogo vai acabar 1-0. Não vou sofrer um golo como nós sofremos. O golo que nós sofremos tem contornos ridículos. É uma equipa que não passa do meio-campo o jogo todo. É uma equipa que não faz um único remate à baliza, com exceção de uma bola parada no último minuto da 1.ª parte, em que eles fazem uma marcação rápida de uma falta e nós estamos a dormir, e eles criam essa situação de perigo. Na 2.ª parte não passam da linha de meio-campo. O guarda-redes manda uma bola longa e depois de uma bola longa nós temos três possibilidades de a ganhar. A primeira, a segunda e a terceira. Perdemos a primeira, perdemos a segunda, perdemos a terceira. "Amigo, põe a bola na bancada, põe a bola na bancada". Lançamento lateral e defendes e ganhas 1-0, num jogo em que foste pobre. Foste pobre, mas ganhaste. E as equipas que jogam por objetivos grandes têm de ganhar os jogos mesmo quando são pobres. Nós fomos pobres, portanto, eu revejo-me na autocrítica de que tem de ser mais... Não quero dizer mais agressivo, mas tenho de ser mais eloquente com eles. E apesar de eu saber que tenho sido muitíssimo criticado – se calhar criticado é pouco, se calhar é mais trucidado –, relativamente ao meu estilo de liderança e à minha maneira de comunicar, se houver algum com 27 títulos que me queira criticar eu aceito. Com menos de 27, acho que eu é que estou certo.













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