"Faltam 4 jogos, temos de ganhá-los"
O foco é total e o objetivo é claro: ganhar! Foi isso mesmo que José Mourinho sublinhou na antevisão do Benfica -Moreirense, agendado para sábado, 25 de abril, às 18h00, no Estádio da Luz, em jogo referente à 31.ª jornada da Liga Betclic .
O treinador do Benfica revelou que para o embate estão todos os jogadores disponíveis, com exceção de Tomás Araújo – isto na sequência da vitória (1-2) no dérbi frente ao Sporting, na ronda anterior –, e enalteceu as dificuldades que o Moreirense pode colocar às águias.
José Mourinho voltou a abordar o seu futuro, afirmando que tem "preparado" a próxima temporada com o Presidente Rui Costa e com Mário Branco, diretor-geral para o futebol profissional, no sentido de "melhorar" um plantel que, sublinhou, é seu.
O responsável técnico das águias negou ainda a existência de qualquer problema com o Presidente Rui Costa, ironizando: "Notícias que saíram hoje de que eu estava chateado com o Presidente, o único motivo pelo qual eu estou chateado com ele é porque... não sei porquê, mas não me deram o meu emblema de 25 anos de sócio. Acho que deram a toda a gente menos a mim, esqueceram-se de mim. É o único motivo pelo qual eu estou chateado. De resto, tudo bem, não há problema absolutamente nenhum."
Como decorreu a semana de trabalho? O Benfica vai enfrentar um adversário que regressou agora às vitórias – passadas 7 jornadas sem conseguir vencer, ganhou ao Estoril. Que Moreirense é que espera encontrar amanhã [sábado] na Luz? Eu diria que foi uma semana normal, porque, independentemente de ser depois de um bom ou mau resultado, um bom ou mau jogo, nós treinamos sempre bem, os jogadores entregam-se sempre muito bem ao trabalho. Obviamente, mais sorrisos e menos caras fechadas, o que é normal, mas uma boa semana de trabalho. Alguns problemas depois do jogo do Sporting, ao nível de algumas pequenas lesões, mas, com exceção do Tomás [Araújo], hoje já treinaram todos, e todos disponíveis para o jogo. O Moreirense obrigou-nos também a treinar bem, porque é uma equipa que tem complexidade na sua organização de jogo, joga bem, tem diferentes modos de ocupação do espaço. É uma equipa que te obriga a defender bem e a contrariar uma equipa que tem condições para nos criar problemas. Faltam 4 jogos, só ganhando os 4 é que podemos ter esperança de melhorar a nossa classificação. Se não ganharmos os 4, não teremos qualquer hipótese, e o Moreirense é o primeiro desses 4 jogos. Temos de ir com tudo e tentar ganhar.
A reentrada de Ivanovic na frente de ataque apanhou muita gente de surpresa, diante do Sporting. Como é que está essa luta entre Ivanovic e Pavlidis? Quem é que sente que está mais à frente? No caso de Pavlidis, como é que está o jogador? Teve alguma conversa com ele? Depois de estar tanto tempo a titular, acredito que não tenha sido muito fácil, se calhar, para ele ir para o banco nesse jogo tão importante contra o Sporting.
Não tive conversa nenhuma porque o Pavlidis é uma pessoa inteligente. Ele é inteligente, ele percebe as coisas, conhece-me bem, consegue ler-me, consegue perceber as coisas que eu vou pedindo, e vou trabalhando durante a semana, à equipa. Cedo percebeu que não ia ser titular contra o Sporting, em função de uma estratégia diferente. O Ivanovic: é natural que, aqui e ali, sinta alguma frustração, para não dizer tristeza, por não ter uma utilização regular, principalmente como titular, mas também agarrou com as duas mãos a oportunidade de jogar em Alvalade e ter uma contribuição importante para uma estratégia. Fê-lo bem, melhora os seus níveis de confiança. Esperemos também que ajude o selecionador Dalic a olhar para ele e a perceber que ele pode ser um jogador de utilidade no Mundial, mas isso são coisas suas, obviamente. Acho que foi uma semana boa para os dois. E depois, a mim, se há coisa da qual eu gosto, mas gosto mesmo muito, é do jogador normalmente titular, que não é titular ocasionalmente e que tem resposta de equipa. A entrada dele, a entrada do Rafa, a entrada do António, jogadores que normalmente são titulares e que não foram, e que aparecem no jogo e que querem ganhar. O Enzo, que estava no banco, e eu andava à procura dele e ele estava dentro do campo a festejar. Este tipo de mensagem de grupo são coisas das quais eu gosto muito. Eu nunca dou justificações aos jogadores porque jogam ou porque não jogam. Parto sempre do princípio que têm de estar disponíveis para 90 minutos, para um minuto ou para irem para a bancada. Como eu não dou justificações, fico ainda duplamente contente por os jogadores, sem explicações, perceberem o porquê das coisas. Por isso, tudo OK.
Tem-se falado muito sobre o seu futuro. José Mourinho já falou muitas vezes sobre isso. O que eu lhe pergunto é: sentiu necessidade no balneário de dizer alguma coisa aos jogadores, até para tranquilizar a equipa, para continuar focada no que tem de fazer no Campeonato?
Não. Como você disse, eu já falei o suficiente, se calhar mais do que o suficiente, para não precisar de falar mais. O que eu disse, disse, e não preciso de repetir. Só isso.
"Faltam 4 jogos, só ganhando os 4 é que podemos ter esperança de melhorar a nossa classificação. [...] Temos de ir com tudo e tentar ganhar" José Mourinho
Já disse que não pode garantir que fica no Benfica, porque isso não depende só de si. Mas há uma coisa que depende só de José Mourinho, que é a vontade e o desejo. E também já disse que quer continuar no Benfica. Mas a minha pergunta é muito concreta: o seu desejo de continuar no Benfica é superior a qualquer convite que possa aparecer? Ou seja, se o Real Madrid, ou se, por exemplo, a Seleção Nacional, lhe baterem à porta agora, ou neste verão, pode taxativamente dizer que não vai aceitar o convite?
Não quero dizer mais nada sobre isso. Eu já disse o que tinha a dizer relativamente ao Benfica, não vou fazer mais nenhum tipo de comentário. Notícias que saíram hoje de que eu estava chateado com o Presidente: o único motivo pelo qual eu estou chateado com ele é porque... não sei porquê, mas não me deram o meu emblema de 25 anos de sócio. Acho que deram a toda a gente menos a mim, esqueceram-se de mim. É o único motivo pelo qual eu estou chateado [sorriso]. De resto, tudo bem, não há problema absolutamente nenhum. Toda a gente sabe qual é a situação. Quando a época acabar, teremos 10 dias para continuar ou para separar. Eu já disse aquilo que tinha de dizer e não tenho mais nada a dizer.
Em setembro, quando chegou ao Benfica, encontrou um plantel que não era o seu, como, aliás, fez questão de lembrar em algumas ocasiões. O que lhe pergunto agora é: tendo a oportunidade de fazer um plantel ao seu gosto, isso já está a acontecer, em sintonia com Mário Branco e com Rui Costa? Ou, por outro lado, a incerteza em relação ao seu futuro no Benfica pode comprometer seriamente esse objetivo de haver um plantel à imagem de José Mourinho?
Quando eu cheguei, o plantel não era o meu, mas agora o plantel é meu. Há uma grande diferença. Uma coisa é um treinador chegar, e o plantel não é seu. Outra coisa é estar 7 meses e qualquer coisa, e agora o plantel é meu. Enquanto treinador do Benfica, este é o meu plantel. Respondendo especificamente à sua pergunta: sim, tenho tido reuniões com a estrutura, com o Presidente e com o diretor. Como sempre – porque gosto de me vincular às minhas responsabilidades e às minhas, não quero dizer decisões, diria mais análises e opiniões –, faço-o por escrito. Ou seja, há documentos meus nas mãos do Presidente e do diretor, e temo-nos reunido com alguma frequência na tentativa de melhorar o meu plantel, porque este plantel é o meu e, no caso de eu continuar na próxima época, este plantel continuará a ser o meu. Terá, objetivamente, alguns ajustamentos para ser mais a minha cara, para ter alguma coisa mais minha – como dizem lá em Inglaterra, o fingerprint. Mas este plantel é meu e gosto dele. Uma coisa é adaptá-lo a um determinado tipo de personalidade e um determinado modo de ver futebol, outra coisa são mudanças radicais. Eu, primeiro que tudo, sou completamente contra mudanças radicais. Em segundo lugar, há muita gente aqui que teve evoluções importantes e que me deixam a expectativa de na próxima época poderem ser melhores do que aquilo que estão a ser nesta época.
"Tenho tido reuniões com a estrutura, com o Presidente e com o diretor. [...] Há documentos meus nas mãos do Presidente e do diretor, e temo-nos reunido com alguma frequência na tentativa de melhorar o meu plantel" Não sei se viu uma notícia do Olé, que diz que o River Plate já está em conversas com Otamendi para o contratar na próxima temporada. Como treinador do Benfica, sabe do futuro de Otamendi, pode dizer alguma coisa em relação a isso? Gostava que ele continuasse? Depende só dele? O que é que nos pode dizer sobre isso?
Eu acho que depende só dele. Há pessoas que têm o direito, entre aspas, de escolher o seu futuro por tudo aquilo que construíram no futebol. O Otamendi é um desses. Acho que ele fez o seu último jogo pela seleção em território argentino por decisão sua. Acho que terminará com a seleção depois do Mundial por decisão sua. Será por decisão sua que vai regressar à Argentina, e ao River, ou continuar no Benfica. Eu acho que está tudo nas suas mãos. O tipo de rendimento que ele tem apresentado ao longo da época, e com pouquíssimas lesões, pouquíssimas ausências, uma presença sempre regular, dá-lhe essa credibilidade de nós também não olharmos para o passaporte, esquecermo-nos da idade, focarmo-nos no rendimento. É um grande jogador. E acho que não muda nada de um ano para o outro, a qualidade que ele tem, o rendimento que ele tem.
O míster disse, no início [da conferência de imprensa], que só ganhando os 4 jogos é que o Benfica pode ambicionar chegar ao 2.º lugar. Acredita que, ganhando os 4 jogos, vai mesmo ficar em 2.º lugar? Ou seja, que o rival direto nesta luta vai perder pontos nestes jogos que lhe faltam. Prometeu isso aos jogadores, que ganhando os 4 jogos vão ficar em 2.º lugar? Não! Não prometi nada, nem posso garantir nada, se o Sporting vai fazer 15 pontos ou vai fazer 13, ou menos. Não! No fundo, a minha desilusão pós-Casa Pia veio exatamente disso, veio exatamente da perda de controlo sobre o nosso destino. Se tivéssemos ganho no Casa Pia, neste momento estávamos a 4 vitórias de ficar em 2.º lugar. Neste momento, não estamos, dependemos dos resultados. Dos nossos, obviamente, mas dependemos também dos resultados do Sporting, e isso está completamente fora do nosso controlo.
Voltando à questão do ponta de lança: normalmente dá justificação entre os dois pontas de lança por questões estratégicas, por questões táticas, sendo que Ivanovic é mais para o ataque à profundidade e Pavlidis mais para o jogo associativo. Mesmo assim, tendo em conta este mau momento de forma de Pavlidis, que em 12 jogos tem apenas 1 golo, não tem a tentação de alterar esse racional e apostar em Ivanovic exatamente por esse mau momento de forma de Pavlidis?
Mas o Pavlidis é daqueles jogadores cujo rendimento não é analisado simplesmente pelos golos que marca e pelos golos que não marca. Há atacantes que só são golos, e que quando não há golos, não há rendimento, não há contribuição. Tudo aquilo que o Pavlidis faz na equipa, inclusive na primeira fase de construção, em que, na maior parte das vezes, os atacantes não estão envolvidos, até aí ele é importante. Portanto, eu não o analiso pelos golos que marca e pelos golos que não marca. Não tem problema absolutamente nenhum. É um jogador da minha total confiança.













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