"Foi coração, foi orgulho, foi desejo de ganhar..."
O empate (2-2) no Benfica -FC Porto, clássico da 25.ª jornada da Liga Betclic , disputado neste domingo, 8 de março, no Estádio da Luz, não foi ao encontro dos desejos encarnados, e o treinador José Mourinho explicou o que esteve na génese da recuperação no marcador, lamentando a "péssima 1.ª parte".
José Mourinho, em conferência de imprensa, começou por explicar o que levou à sua expulsão do banco de suplentes após o golo de Barreiro (88').
Olhando para a forma como o embate decorreu, o técnico apontou falhas à equipa na etapa inicial e lembrou os condicionalismos e as "limitações" que teve nas opções devido a questões físicas dos seus atletas. Porém, enalteceu o desejo de ganhar dos seus jogadores, assim como a abnegação na procura de vencer o clássico.
LANCE NA ÁREA PORTISTA A FECHAR O CLÁSSICO
"O último lance [do jogo] eu não vi. Já não estava no banco e não tive a ocasião de ver na televisão. E não quero cometer o erro que cometi na semana passada [após o Gil Vicente-Benfica] em pedir penálti e depois não era."
A EXPULSÃO E O "TRAIDOR DE QUÊ?" "Eu queria falar de duas coisas diferentes. Gostava de falar do jogo e gostava de falar da minha expulsão. Relativamente à minha expulsão, eu gostava só de... Duas coisas na minha expulsão. O árbitro diz que me expulsou porque eu rematei uma bola para o banco do FC Porto, o que é completamente falso. Não sei se foram 3, se foram 4, se foram 5, mas já fiz, muitas vezes aqui no Estádio da Luz, golo nosso, bola para a bancada, uma maneira de celebrar e dar uma bola ao sortudo do adepto. Nunca, nunca... Eu sei que tecnicamente não sou muito bom, mas não... era para a bancada. Relativamente à expulsão, o elemento [Lucho González] do banco do FC Porto que também foi expulso e que no túnel me chamou 50 vezes traidor. Eu gostava que ele me explicasse traidor de quê? Traidor de quê? Estive no FC Porto, dei a minha alma ao FC Porto. Fui para o Chelsea, dei a minha alma ao Chelsea. Fui para o Inter, fui para o Real Madrid, fui para o Fenerbahçe, dei a volta ao mundo, e dei a minha alma, dei a minha vida, dei 24 horas da minha vida todos os dias. Eu acho que a isto se chama profissionalismo. Uma coisa são os insultos dos adeptos. Os insultos dos adeptos é futebol. São os mesmos adeptos que – há uns anos eu não podia andar na cidade – se ajoelhavam aos meus pés. Agora insultam-me. Não há problema absolutamente nenhum. Mas um colega de profissão chamar-me traidor, porquê? Traidor de quê? Dar tudo ao Benfica? É que eu amanhã, quando sair do Benfica e for para o Estrela da Amadora, quando for para a União de Leiria, quando for para o Moreirense, eu vou dar o mesmo. Traidor de quê? Não gostei. Honestamente, não gostei. A expulsão... Fui mal expulso. O 4.º árbitro fez um trabalho péssimo durante todo o jogo e continuou a fazer um trabalho péssimo quando disse ao árbitro que eu tinha rematado uma bola na direção do banco do FC Porto. Continuou a fazer um trabalho péssimo."
A PROCURA DO EQUILÍBRIO E DO RESULTADO "Relativamente ao jogo, durante uma grande parte do jogo eles estiveram mais perto de ganhar do que nós. Eu acho que eles têm um... pode-se gostar ou não, ou pode-se gostar muito, ou pode-se gostar menos, ou pode-se detestar. Mas eles construíram uma equipa com uma ideia. É aquilo que eles querem. É a maneira como eles jogam. O perfil do jogador que eles foram buscar é para aquele modelo de jogo, é para aquilo que eles querem. É uma equipa de uma fisicalidade tremenda. É muito difícil de jogar contra o FC Porto. Tem quatro alas. Qual deles é o mais rápido? Joga com dois, muda com dois, entram os dois. E, honestamente, são muito superiores a nós na intensidade do jogo. O jogo que nós fizemos se calhar melhor, contra o FC Porto, dos 3, foi o jogo da Taça [de Portugal]. E porquê? Porque jogámos com Aursnes e Barreiro no meio-campo e tivemos muita bola. E perdemos muito pouca bola. Quando tu jogas contra o FC Porto e tu perdes muita bola, vais correr atrás deles, só que eles vão de mota e tu vais de bicicleta. O perigo esteve sempre ali. No 0-2 podia ter aparecido o 0-3, no 1-2 podia ter aparecido o 1-3. Eles fizeram o jogo que queriam fazer. Levam um resultado que eu acho que é bom para eles. Mas eu acho que eles vieram para ganhar. Nem sequer acho que eles vieram aqui para defender. Apanharam-se em vantagem e depois são peritos na gestão do jogo, na gestão dos tempos, nas faltas, nos cartões, na 'protesta'. E depois levam o João Pinheiro atrás. Mas eu acho que eles fizeram o seu jogo e fizeram um grande jogo. Nós fizemos uma péssima 1.ª parte porque permitimos que eles jogassem o jogo que eles queriam jogar. Fizemos uma péssima 1.ª parte. Eu senti-me muito limitado, porque, apesar de não gostar muito de o fazer, é tão óbvio que tenho de o fazer. Uma coisa é jogar com Aursnes e Barreiro e outra coisa é jogar com Enzo [Barrenechea] e com [Richard] Ríos. Não digo que uns são melhores do que os outros. Digo que o perfil é completamente diferente, e o perfil de jogo é completamente diferente. E para o FC Porto foi muito melhor o Benfica que nós fomos. Depois, na 2.ª parte, a minha preocupação ao intervalo, estando muito limitado com as minhas substituições – porque o Barreiro não podia jogar mais do que 10 ou 15 minutos; foi ele próprio que definiu os timings e disse-me 'míster, 10, 15 minutos numa situação limite, não mais do que isto'; o Manu é um jogador muito parecido com o Enzo [Barrenechea] no seu perfil –, onde eu sentia mais necessidade de mexer, eu não tinha como mexer. O Sudakov igual ao Barreiro, uma situação muito parecida com o Barreiro. E o Lukebakio a crescer progressivamente, mas ainda sem condições para eu o ter metido, por exemplo, ao intervalo. Então, ao intervalo, a minha preocupação maior foi equilibrar a equipa do ponto de vista psicológico. Não quis que a equipa, por estar a perder 0-2 e por estar a fazer um jogo horrível, pensasse 'agora vamos chegar ali e vamos partir o jogo e vamos rebentar com eles'. Não vamos rebentar nada com eles. Eles é que rebentavam connosco se nós não fôssemos equilibrados. E mesmo assim, quando eles trocam os dois alas e tiram dois Ferraris para meterem dois McLarens, o risco estava sempre ali. Mas fomos, fizemos o 1-2. Ao intervalo dissemos isso mesmo, que, se fizéssemos o 1-2, o jogo poderia mudar como mudou. E acho que tu [jornalista] tocaste no ponto. Foi coração, foi orgulho, foi desejo de ganhar, foi desejo de, se não ganhares, não perdes. Jogamos por nós e por uma classificação. Também jogamos pelos adeptos e pelo significado do jogo. Mas eu diria que, de acordo com o que eles queriam fazer e de acordo com aquilo que nós queríamos fazer, eles foram mais fortes do que nós."
RENOVAÇÃO: JÁ TEVE CONVERSA COM O PRESIDENTE RUI COSTA?
"Não, não. Não tive. Não tive nenhuma conversa nesse sentido."
CAMINHO DIFÍCIL... MAS TUDO PODE Acontecer "Aconteceu o que aconteceu na 1.ª volta [8.ª jornada]: Sporting-SC Braga empate, FC Porto-Benfica empate. Voltámos a fazer os 4 o mesmo resultado. A classificação não se altera. A única coisa que se altera é que nós já não jogamos com o FC Porto, já não podemos recuperar diretamente pontos com o FC Porto. Faltam 27 pontos em disputa. Ainda está lá, mas eu, honestamente, considero difícil. Considero difícil a recuperação de 7 pontos. Em termos de diferença de golos devemos estar muito parecidos, acho que estamos ali muito parecidos, portanto, nem se pode dizer que um ou outro tem vantagem no confronto direto. Temos de ver, no futuro, quem tem vantagem no confronto direto. Mas 7 pontos não me parece fácil. Eu digo isto desde o princípio da época: é muito fácil identificar como o FC Porto joga; é muito difícil jogar contra eles. Para eles perderem pontos não me parece que seja fácil, mas, no futebol, enquanto matemática é matemática, tudo pode acontecer."
AINDA O INSULTO DE LUCHO GONZÁLEZ
"[Quem o insultou?] O Lucho [González, treinador adjunto do FC Porto]. Mas não me chamou uma vez, chamou 20 ou 30. Traidor de quê? Ele, quando foi para o Marselha, traiu o Porto? Foi traidor quando foi para o Marselha dar tudo da sua vida ao Marselha? Era traidor? Traidor de quê, traidor de quê? Não consigo... Podia-me ter insultado de outra maneira que eu talvez aceitasse melhor, mas acho que é um ataque ao meu profissionalismo, que é uma coisa que eu me prezo tanto, tanto, tanto. E acho que todos nós, profissionais, devíamos ser assim: onde estamos, vamos com tudo. Fiquei um bocadinho desiludido no sentido em que é um profissional como eu, defendeu diferentes camisolas ao longo da sua carreira. Não entendi a do traidor."
UMA QUESTÃO DE PERFIL"Conseguiram marcar uma superioridade, sem dúvida que conseguiram, mas conseguiram também em função daquilo que foi o nosso jogo. Eu acho que já expliquei anteriormente, que o jogo em que nós verdadeiramente sentimos estar a dominar o jogo, dominámos no jogo da Taça [de Portugal], dominámos verdadeiramente o jogo com um controlo muito bom, praticamente sem nenhuma perda de bola em nosso poder, fizemos um grande jogo. Na minha opinião, fizemos um grande jogo no Porto. E hoje, logo desde princípio, muita bola perdida, depois uma intensidade física – e não se trata de condição física, trata-se de DNA. Você vê o perfil dos jogadores do FC Porto, é completamente diferente do nosso. A velocidade dos alas, o poder dos dois médios, não o 6, mas os outros dois. O poder físico deles, as substituições que fazem, sai um, entra o Fofana, saem os dois alas, entram os outros dois alas, sai um atacante poderoso, entra o outro, ainda tem mais dois no departamento médico que ficaram em casa lesionados. É o perfil que eles têm enquanto equipa. Se tu não tens um grande controlo do jogo, e se entras num jogo de, como se diz na gíria, parada e resposta, vai aqui, vai ali – um jogo partido –, não tens hipótese absolutamente nenhuma. E nós fizemos isso na 1.ª parte. O 2.º golo que nós sofremos é absolutamente ridículo, é um golo absolutamente ridículo! Você veja que é o ala esquerdo do FC Porto, no um contra um, com o central esquerdo do Benfica. Onde é que estava o lateral-direito? Onde é que estava o central do lado direito? Onde é que estava o médio do duplo pivô? Onde é que estava o médio do lado direito? Tem de vir o central do lado oposto, fazer uma diagonal para fazer um contra um dentro da área, com um jogador criativo, com um jogador rápido. Cometemos erros, cometemos erros, o FC Porto fez uma ótima 1.ª parte, mas o Benfica cometeu muitos erros e entregou o jogo ao FC Porto, porque jogou da maneira que o FC Porto queria que o Benfica jogasse. Na 2.ª parte, já disse, conseguimos inverter as coisas, também sob o ponto de vista emocional, mas a sentirmos sempre as mesmas dificuldades na transição. Não podes ter muita transição com o FC Porto. Eu estava a ver a flash interview do Farioli, e o Farioli disse 'tivemos 4 ou 5 situações a campo aberto'. É verdade, tiveram 4 ou 5 situações de campo aberto, não foram situações de golo, porque eles não conseguiram ser eficazes como o miúdo Pietuszewski fez no 1.º golo. Eles tiveram mais 4 ou 5 situações a campo aberto. Essas situações a campo aberto, não podes ter, não podes ter, tens de ter controlo do jogo, tens de ter segurança, tens de ter segurança no jogo, e eu não gosto nada de o fazer, mas a coisa é tão óbvia que eu tenho de fazer. Sem Aursnes, a nossa música é diferente."













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