"É fundamental ganhar"
A determinação das águias em vencer foi traduzida nas palavras de José Mourinho, neste sábado, 7 de fevereiro, no Benfica Campus, no decurso da antevisão do Benfica-FC Alverca, partida da 21.ª jornada da Liga Betclic agendada para as 20h30 de domingo, 8 de fevereiro, no Estádio da Luz.
O treinador do Benfica, em jornada de clássico entre o FC Porto e o Sporting, enalteceu a importância de o Glorioso conquistar os 3 pontos, mostrando-se satisfeito pela forma como a sua equipa tem atuado em termos futebolísticos.
José Mourinho fez ainda o ponto de situação dos jogadores que têm vindo a recuperar e a adquirir as condições necessárias para o regresso à competição, nomeadamente Lukebakio e Richard Ríos. A renovação dos contratos dos jovens jogadores campeões do mundo de Sub-17, entre eles Daniel Banjaqui, José Neto e Anísio Cabral, também foi tema, com o treinador a lembrar: "O Benfica não pode assinar contratos com os jogadores! Portanto, o Benfica chegou a ser criticado por não assinar contratos com os jogadores atempadamente, antes de o treinador Mourinho os meter a jogar na equipa principal... Criticado por não fazer uma coisa que é ilegal. Eles só podem assinar quando fazem 18 anos", frisou.
Que Alverca espera amanhã [domingo] na Luz? Por outro lado, tendo em conta o estado do tempo, de que forma é que isso influencia o tipo de jogo?
Espero o Alverca igual a todas as equipas que vêm ao Estádio da Luz no Campeonato. Com a esperança de não perder, a jogar para não perder, muito bem organizado, bem treinado, muito bem organizado, a dificultar o jogo de uma equipa que quer ganhar. Com a tranquilidade dos pontos que têm e que os posicionam na tranquilidade e não na pressão da luta pela permanência. E depois com qualidade: é uma equipa que não constrói muitas oportunidades de golo, mas que faz golos, uma equipa perigosa. Num jogo contra nós em que, obviamente, principalmente depois de um empate no último jogo, a vitória é o único resultado que nos interessa, e é a vitória o único resultado que nos pode deixar, entre aspas, "entusiasmados" com o jogo de segunda-feira. Se nós não ganharmos o jogo amanhã [domingo], o jogo de segunda-feira passa a ter um significado muito reduzido para nós. O estado do campo... eu acho que, com as condições atuais, jogar em casa é muito bom, porque se algum estádio vai estar em condições para se jogar, penso eu, espero eu, mas se algum estádio vai ter condições mínimas para se poder jogar, é o Estádio da Luz. Ainda agora venho dos jogos dos jovens que estão ali a jogar, uns contra o SC Braga e outros contra o FC Porto, em que os campos estão num estado muito difícil, os miúdos não conseguem fazer dois passes seguidos, e transportando isso para os homens, se os homens amanhã jogassem nestes campos, a situação ia ser igual. Portanto, eu acho que jogar no Estádio da Luz, amanhã, será um dos estádios onde, em princípio, se pode jogar.
"A vitória é o único resultado que nos interessa, e é a vitória o único resultado que nos pode deixar, entre aspas, 'entusiasmados' com o jogo de segunda-feira [FC Porto-Sporting]" José Mourinho
Na Liga dos Campeões era dos poucos que ainda acreditavam que poderia conseguir manter-se na competição, tendo em consideração as contas que o Benfica tinha. Transportando isso para o Campeonato: mantém essa confiança e esse espírito naquilo que são as contas, nesta altura muito complicadas, em relação ao título?
É defeito de fabrico. Eu sou assim, no positivo e no negativo. Se quiser rir, pode rir, mas no outro dia, quando fizemos o 3.º golo ao Estrela da Amadora, os meus colegas ao lado disseram "já está", e eu disse "não está nada, porque ainda falta muito". Para o positivo e para o negativo, sou muito objetivo, muito pragmático. Quando estive na frente dos Campeonatos, dizia sempre "só quando matematicamente formos campeões é que somos campeões", e das vezes que fui atrás, fui sempre atrás, à caça, até que matematicamente fosse possível dar a volta, ou não fosse possível dar a volta. Neste momento, é matematicamente possível dar a volta, e, como eu dizia, vamos atrás deles. Agora – como eu dizia também, anteriormente, à sua colega da BTV –, para na segunda-feira podermos esperar o resultado do jogo [FC Porto-Sporting] com alguém a perder pontos, ou os dois, só ganhando amanhã [domingo]. Temos de ganhar amanhã.
Lukebakio regressou aos treinos. Como é que está em termos de poder ser reintegrado nos próximos tempos?
Amanhã [domingo], não, mas na próxima semana, com jogo na sexta-feira [frente ao Santa Clara], talvez. Deve estar no limite entre o sim e o não, e depois, na semana seguinte, se o processo estiver a decorrer normalmente, é um sim. Ele está bem, e agora é uma questão de treinar e de se sentir bem, de sentir confiança.
Sobre Rafa: já está há cerca de duas semanas no Benfica. Como é que o vê nos treinos? Sente-o motivado? Tem condições para ser titular neste jogo?
Aqui, toda a gente treina bem, toda a gente tem motivação para treinar. Uma das coisas que tem sido sempre uma grande preocupação ao longo da minha carreira é a construção de treinos motivadores, interessantes. OK, em busca de objetivos, mas que sejam motivadores, interessantes, que puxem um bocadinho, também, pelos jogadores. Obviamente que ele está motivado como todos, a trabalhar como todos. Vai recuperando do seu tempo de ausência, já fez 2 jogos – 20 minutos num, 30 minutos noutro. Eu diria que, com o tempo a passar, vai tendo mais minutos nas pernas, e amanhã [domingo], seguramente, vai jogar.
Despertou-me a curiosidade em relação à questão do jogo de segunda-feira, se tem alguma preferência, que ganhe uma equipa ou ganhe outra, ou se prefere que percam pontos, como também há essa hipótese.
Não, o meu trabalho é ganhar amanhã [domingo], não é? Eu quero é ganhar ao Alverca, a minha missão é ajudar os meus a ganhar ao Alverca. Acho que o focus de todos nós, e, inclusive, dos Benfiquistas que vão amanhã ao estádio, o focus tem de ser ganhar ao Alverca, que não é seguramente fácil, e todos juntos, todos motivados, a partir daqui, e tentar puxar pelo estádio, e também pedir que o estádio puxe por nós. Ganhar, é fundamental ganhar, 24 horas, números redondos, antes do clássico. Se me perguntar quem é que eu gostava que ganhasse, obviamente aquilo que eu gostava não conta para nada, mas esquecendo o nome dos clubes, eu não quero ir por aí, não quero ir pelo nome dos clubes, eu diria que era melhor para nós que o primeiro classificado perdesse.
"O objetivo principal é sempre, e em qualquer circunstância, tentar ganhar o maior número de jogos possível. Quando faço as minhas escolhas, é nisto que eu penso" Ivanovic deu há poucos dias uma entrevista no país dele, revelando, inclusivamente, uma conversa com o treinador do Benfica, dizendo, entre outras coisas, que Pavlidis tem a prioridade. Como é que vai gerir a situação do jogador, de forma a que não se desvalorize alguém que custou quase 23 milhões de euros ao Benfica?
A minha primeira missão, enquanto treinador do Benfica, até porque é o Benfica e é a cultura do Benfica, é ganhar jogos. Nunca, nunca, nestes meses em que já estou aqui – seja Presidente, seja Conselho de Administração, seja diretor-geral, ou diretor do futebol –, nunca ninguém me disse para ter em atenção a valorização, ou a desvalorização, de algum dos nossos ativos. O objetivo principal é sempre, e em qualquer circunstância, tentar ganhar o maior número de jogos possível. Quando faço as minhas escolhas, é nisto que eu penso. Depois, obviamente que como treinador, gestor – como treinador, líder de homens –, também penso nisso, na individualidade, nas ambições dos jogadores e que há um Mundial daqui por meia dúzia de meses. Sem provocar conflitos entre o que é fundamental e o que é secundário, o secundário também me interessa. É nesse sentido que o Iva [Ivanovic] tem jogado pouco, mas tem estado sempre presente, nunca ficou de fora de uma única convocatória. Utilizei-o quando achei que o devia utilizar, quando foi um jogo em que senti que as características do adversário, a maneira como o adversário jogava – um adversário que eu conhecia muitíssimo bem, como foi o caso do Nápoles... Achei que era o jogo ideal para as suas características e fui capaz de deixar de fora o Pavlidis. Noutros jogos, principalmente no Campeonato Nacional, em que as equipas jogam muito baixas, jogam muito fechadas, acumulam muita gente na frente da área e muitas vezes na área, há determinados perfis de jogador que fazem mais sentido. Por exemplo, o Anísio [Cabral] é um jogador que joga em espaços reduzidos, que joga de costas para o adversário, que serve de referência na área. Eu vou pelas características que nos possam ajudar, no meu entender – algumas vezes posso estar errado –, a ganhar jogos.
"[Dedic] Não podemos dizer que está lesionado e 100 por cento fora da competição, mas é um jogador que arrasta alguns problemas e tem de ser gerido com pinças" Há tempos disse que havia jogadores já com muitos minutos. Dedic é um jogador que lhe causa alguma apreensão? Por outro lado, sobre os miúdos que lançou: pelo menos 2 deles estão perto de renovar. Sente que, de alguma forma, contribuiu para esse desfecho ao lançá-los na equipa principal?
O Dedic não está bem. Não podemos dizer que está lesionado e 100 por cento fora da competição, mas é um jogador que arrasta alguns problemas e tem de ser gerido com pinças. OK, cada jogo é decisivo, cada ponto é decisivo, mas também há jogos em que, se ele não jogar, soluções encontraremos, e há outro tipo de jogos em que, se ele não jogar, soluções não encontraremos. Por exemplo, o jogo com o Real Madrid: sem Dedic, é muito difícil encontrar uma solução de equilíbrio que possa jogar um jogo daquele nível. Até lá, temos de ir gerindo como fizemos com o Tondela, porque, efetivamente, ele tem um pequeno problema. Os jovens jogadores... Eu faço o meu trabalho com toda a naturalidade. As coisas que acontecem aos miúdos também acontecem com naturalidade, acontecem com o trabalho que eles fazem ao longo dos anos. Depois, obviamente, é preciso alguém que os meta lá dentro, há sempre um primeiro passo, mas o importante é que estamos a pensar muito neles. Analisamos ao detalhe a situação individual: cansaço, mudança de equipas, tempos de utilização, treinos com a primeira equipa... Por exemplo, o José Neto treina com a primeira equipa todos os dias. Já jogou com a primeira equipa, já jogou nos Sub-23, já jogou na equipa B, já jogou na Youth League... Estes miúdos também têm de ser geridos com pinças, inclusivamente com apoio científico. Ainda nesta semana fizeram análises, foram "investigados", entre aspas, ao nível médico, da sport science, para termos dados que nos permitam ter algumas decisões com eles, porque estão numa altura importante do seu desenvolvimento, e nós preocupamo-nos imenso com eles. Relativamente a contratos: há coisas que se dizem, às vezes, também com um bocadinho de pouco conhecimento. Obviamente, eles só podem assinar contratos de profissional quando fazem 18 anos. Já há umas semanas se dizia que o Benfica ainda não tinha assinado contratos com os jogadores... O Benfica não pode assinar contratos com os jogadores! Portanto, o Benfica chegou a ser criticado por não assinar contratos com os jogadores atempadamente, antes de o treinador Mourinho os meter a jogar na equipa principal... Criticado por não fazer uma coisa que é ilegal. Eles só podem assinar quando fazem 18 anos. Tanto estes 3, agora mais perto da primeira equipa, como outros de quem nós gostamos e em quem nós acreditamos: o Benfica tem o controlo da situação, e o controlo da situação passa fundamentalmente pelo desejo que os miúdos têm de ficar aqui, pela sensação, mais do que provada, de que aqui vão ter portas abertas para o seu desenvolvimento. Estamos contentes com o processo.
"É matematicamente possível dar a volta, e, como eu dizia, vamos atrás deles. [...] Estou contente com a maneira como a equipa joga" Pergunto-lhe como é que se tem desenvolvido a situação de Richard Ríos, e, nestes jogos em que ele tem estado de fora, se tem sentido falta das características que acrescenta à equipa.
Sinto falta de todos. Uma coisa é ter Prestianni e Schjelderup ou Sudakov, outra coisa é ter Prestianni, Schjelderup, Sudakov, Rafa, Lukebakio, Bruma, para lhe dar o exemplo relativamente aos alas. Outra coisa é ter Ríos, Enzo [Barrenechea], não quero dizer a 100 por cento, mas perto disso, Fredrick [Aursnes] e Barreiro. Outra coisa é ter só Fredrick e Barreiro, e o Manu, que também vai crescendo a pouco e pouco. Eu prefiro ter toda a gente à disposição. Neste caso que você perguntou sobre o Ríos: é um jogador único no nosso plantel, único nas suas características, mas eu acho que quem tem jogado, tem jogado muito bem. Quem tem jogado... temos encontrado uma dinâmica muito adaptada às suas características. E contente. Só não estou contente com os empates que temos tido, principalmente este último com o Tondela, mas estou contente com a maneira como a equipa joga, e a maneira como a equipa joga depende muito ali da "casa das máquinas", que é uma expressão muito utilizada para aquela posição no meio-campo.
A questão de Ríos: como tem evoluído?
Richard Ríos, eu também não me surpreenderia se no segundo jogo contra o Real Madrid estivesse. O primeiro, se calhar, é prematuro, mas ali entre o primeiro e o segundo, ou no segundo, eu acho que está por aí a chegada dele.














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