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Edição de sexta-feira, Edição de sexta-feira, 2 de janeiro 2026

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"Vitória difícil, mas merecida"


 

Olhando para o desfecho do Benfica -Estoril (3-1), jogo da 17.ª jornada da Liga Betclic , disputado neste sábado, 3 de janeiro, no Estádio da Luz, José Mourinho não tem dúvidas em considerar que os encarnados obtiveram uma "vitória difícil, mas merecida".

Antes da conferência de imprensa, na zona de entrevistas rápidas da BTV, o treinador das águias fez uma primeira análise.

"Já estávamos à espera de um adversário difícil e estávamos preparados para isso. Também estávamos preparados para, em alguns momentos, não pressionarmos muito alto, porque eles são uma equipa tecnicamente muito boa e conseguem desmontar muito bem esse tipo de pressão alta. Decidimos esperar um bocadinho mais. Mas não se pode sofrer aquele golo. Não se pode pelo momento do golo, e não se pode pelo desenho do golo. Uma coisa é ir 2-0 para o intervalo, e outra coisa é ir 2-1. E a minha preocupação ao intervalo foi, de facto, tentar que a equipa não sentisse demasiado aquele golo, porque a equipa estava frustrada. Em vez de estar contente por estar a ganhar, a equipa estava frustrada, zangada por ter sofrido o golo no momento em que foi e da maneira que foi. Depois, na 2.ª parte, já estávamos obviamente à espera de que o Estoril tentasse pegar no jogo e ser mais ofensivo. O treinador ainda fez mais alterações para dar outra dinâmica à equipa, mas, honestamente, não houve um único momento em que nós suspirássemos de alívio com uma defesa fantástica do Trubin ou com uma bola muito perigosa", referiu.

Benfica-Estoril-18Reforçando a importância dos 3 pontos frente a um adversário "muito bom", José Mourinho também abordou a situação física de alguns jogadores."Na parte final do jogo, tive de me benzer ao pôr o Aursnes em campo, porque era um risco grande, mas senti que a equipa, naquele momento, precisava da sua tranquilidade. A situação do Aursnes é preocupante, a lesão do Enzo [Barrenechea]... vamos ver quantas semanas é que são, e, quantas semanas no mês de janeiro, significa quantos jogos é que são. Depois, o António [Silva] ia jogar e, no aquecimento, sentiu. Nesta altura em que nós precisamos de todos, e de rodar alguma coisa e retirar alguns minutos a alguns jogadores, entramos nesta fase muito difícil com menos armas. Mas hoje era importante ganhar, e fizemo-lo", frisou.

Por fim, o treinador do Benfica deixou elogios ao impacto do reforço Sidny, que se estreou de águia ao peito no duelo frente ao Estoril.

"Precisávamos da explosão, da intensidade, do ritmo e da profundidade que o Sidny podia dar. Havia sempre aquele receiozinho do primeiro jogo no Estádio da Luz, como é que ele iria reagir. E ele entra, e a primeira coisa que faz é boa. Depois, tem a personalidade de tirar o pontapé de canto com qualidade, e depois participa no 3.º golo, que, aí, sim, acaba com o jogo", disse.

Benfica-Estoril-12VITÓRIA MERECIDA" O Benfica teve dificuldades. Fez muita coisa bem, mas também fez alguma coisa errada. Eu gosto sempre de relativizar as coisas, e às vezes os adversários têm culpa nas tuas dificuldades, nas tuas deficiências. Eles jogam bem, bem treinados, bons jogadores. Criam dificuldades tanto na posse, porque é uma equipa que às vezes mesmo sem te agredir muito, sem criar muitas oportunidades, é uma equipa que esconde bem a bola, é uma equipa que circula muito bem e mete muita gente dentro. Depois tem aqueles dois na frente que procuram atacar a profundidade. É uma equipa que cria dificuldades. Na minha opinião, não é a melhor equipa para ser pressionada alto, porque, quando eles são pressionados alto, têm muita qualidade na primeira fase e desmontam a tua pressão, e depois a equipa fica partida. Isso aconteceu um par de vezes na 1.ª parte, na 2.ª já não aconteceu. São também uma equipa difícil de analisar, difícil de preparar o jogo, porque eles às vezes têm comportamentos diferentes de jogo para jogo. Por exemplo, com o Braga jogaram praticamente ao homem, e no pontapé de baliza via-se muitas vezes centrais fora de posição e médios na posição de central, exatamente por seguirem o seu jogador ao homem. Como eu disse na antevisão do jogo, o Estoril é uma equipa que apresenta dificuldades, tem uma maneira muito interessante de jogar, e nós sabíamos que ia ser difícil. Aquilo que não podemos fazer é sofrer um golo quando sofremos, como e quando sofremos. Depois de fazer 2-0, não se pode sofrer um golo ao minuto 47 ou 48 [45'+2' ou 45'+3']. Não se pode abordar um lance individual – ainda por cima contra um jogador mais criativo e melhor no drible do Estoril – com aquela fragilidade, e com aquela leviandade, quase, ou pouca responsabilidade. Porque uma coisa é chegar ao intervalo 2-0, e outra coisa é chegar ao intervalo 2-1. Ao intervalo, o meu trabalho foi taticamente analisar algumas imagens em vídeo muito rápido, e fundamentalmente foi não deixar a equipa continuar frustrada, porque senti a frustração a entrar no balneário. No final de contas estávamos a ganhar, não estávamos empatados nem a perder, e era tentar aliviar aquela pressão, aquela frustração que se sentia. Portanto, acho que é uma vitória que nós merecemos. Na 2.ª parte soubemos controlar bem o jogo. Quando o tentámos acelerar, tivemos êxito nisso. Havia sempre um bocadinho de dúvida relativamente ao Sidny. Primeiro jogo em casa. A camisola do Benfica, o peso... entrou num momento já crucial do jogo. Havia sempre aquela dúvida. Ele retirou-nos as dúvidas logo no início, e depois assistência para o terceiro golo. E aí, sim, o jogo acaba. Mas um bom Estoril e um bom jogo."

Benfica-Estoril-40AUSÊNCIAS DE BARRENECHEA, ANTÓNIO SILVA E AURSNES FORA DO ONZE "Há diversos problemas. O Enzo [Barrenechea] já se sabe mais ou menos desde ontem [sexta-feira]. O tempo de recuperação depende da abordagem médica à situação. O João Veloso tem uma situação muito parecida com a dele contraída no jogo contra o Académico de Viseu na Segunda Liga. Vamos ver qual é a abordagem médica. Mas, com as semanas de 3 jogos que nós vamos ter agora em janeiro, mesmo que a abordagem seja mais conservadora... perde jogos. E para nós é difícil porque não temos tanta gente assim. O António Silva sentiu o músculo no aquecimento. Era o António quem ia jogar, não era o Tomás [Araújo]. Na prática, não é um problema, não foi um problema jogar o Tomás. Para nós, são um bocadinho diferentes, mas em termos de qualidade não há grande diferença para nós. Depois, o problema era que não tínhamos nenhum central no banco. E também temos o Wynder com uma lesão importante. E por outro lado queremos ajudar a Equipa B a estabilizar-se na classificação, porque é importante para nós, Benfica, termos a Equipa B na Segunda Liga. Esta coisa de querer ajudá-los a terem jogadores com mais experiência, agora entra também um bocadinho ali em conflito. Entre mim e o Veríssimo não há nem nunca haverá conflitos, há só cooperação. [O Aursnes?] Tem um problema que já se arrasta há algum tempo. A acumulação de jogos, obviamente que não ajuda. Quisemos hoje evitar que ele jogasse, mas com o resultado em 2-1, e com poucas opções de estabilizar o jogo – e no momento em que meto o Sidny, que é sempre um ponto de interrogação na estreia –, tinha de tentar equilibrar do outro lado. Se as coisas não estivessem a correr bem pela esquerda, tinha um jogador na direita que me fechava o espaço interior. Acabou por jogar ali 15, 20 minutinhos, sem grande esforço. Por exemplo, o pontapé de canto não foi ele que o foi marcar. É este tipo de proteção que se pode ter, mas neste momento é um jogador de risco."

ELOGIOS DE IAN CATHRO

"[Influência e as portas que José Mourinho abriu enquanto treinador que não foi jogador de profissional] São sempre palavras boas de ouvir. É melhor ouvir isso do que ouvir exatamente o oposto. Mas acho que ele [Ian Cathro] tem uma trajetória muito própria. Quer dizer, se eu, de certa maneira, abri portas a quem não foi um grande jogador, se eu abri portas a alguém que venha mais do lado académico do que propriamente do campo, é natural que isso tenha acontecido quando eu iniciei naqueles anos de impacto súbito, digamos assim. É normal que isso aconteça, mas acho que ele tem uma trajetória... Ele está muito bem formado, se nós quisermos dizer assim. Tem experiência internacional, esteve muitos anos com o Nuno [Espírito Santo], esteve na Arábia [Saudita], esteve em Inglaterra, esteve na Premier League, que é sempre um palco de experiência importante. E em Portugal está a deixar a sua marca, seja do ponto de vista da comunicação, do ponto de vista social, seja do ponto de vista do campo. A equipa tem lá a fingerprint dele. Como eu dizia na conferência de imprensa de ontem [sexta-feira], o Estoril encontrou uma estabilidade onde não precisa de olhar para trás. Não tem de estar a olhar para trás com medo daquilo que está atrás. Não tem aquela responsabilidade de 'nós temos de acabar nos 3 primeiros ou nos 4 primeiros'. Encontraram ali uma plataforma de estabilidade onde eles desenvolvem um jogo que não é só dizer que o jogo é bonito, que às vezes o jogo é bonito, mas é fácil de ganhar. 'Ah, eles jogam muito bem, mas nós ganhamos fácil' – não, eles criaram um jogo em que jogam efetivamente bem, é agradável de ver, mas ao mesmo tempo eles podem conseguir resultados importantes, mesmo com as equipas grandes. Por isso é que eu dizia que, para nós, é uma vitória importante, difícil, mas merecida, eu acho."

Benfica-Estoril-2DESEMPENHO DE Manu "O Manu posicionalmente é muito Enzo [Barrenechea], são dois jogadores muito parecidos sob o ponto de vista posicional, são jogadores que dão equilíbrio à equipa. Acho que o Manu, nesse sentido, fez um bom jogo. A diferença entre o Enzo e o Manu é que o Enzo, se eu não estou enganado, só não jogou 3 jogos desde o início da época. Um por castigo, hoje o terceiro, e o segundo acho que é o Faro, que foi o primeiro jogo que o Manu fez. E enquanto um só não jogou 2, o outro só jogou 2. E isso vê-se claramente no jogo, em que ao Manu ainda lhe falta aquela intensidade, aquele ritmo de jogo. Mas fez o seu papel bem, deu o equilíbrio que a equipa precisava, contra uma equipa difícil, uma equipa que deixa aqueles dois jogadores na frente e depois, no contra-ataque, vem com o terceiro, vem com o quarto homem, ele ajudou-nos ali naquele equilíbrio, fez um jogo positivo para nós."

Benfica-Estoril-33A PERSONALIDADE DE Sidny "O Sidny, a mim, ao Presidente, ao Mário Branco, ao [Simão] Sabrosa, aos meus assistentes, que também participaram na análise do jogador... Para nós, não foi surpresa. Agora, relativamente ao benfiquismo, relativamente àqueles que estiveram hoje no estádio e àqueles que ficaram em casa a ver, só tens uma oportunidade de criar uma boa primeira impressão. E ele conseguiu isso no jogo. Agora, se calhar as responsabilidades aumentam, porque as pessoas começam a esperar mais dele. Ele considera que a sua melhor posição é de lateral, seja à direita, seja à esquerda. Eu acho que para ser lateral, comigo, falta qualquer coisa. Falta o saber muita coisa, falta o trabalhar connosco para aprender como nós defendemos a linha de quatro. Mas como ala tem motor nas pernas, tem velocidade, tem saída para os dois lados, tanto o pé direito quanto o pé esquerdo são iguais. E, fundamentalmente, mostrou uma coisa que é sempre um ponto de interrogação, que é como é que o jogador se adapta, como é que chega, como é que aceita, digamos, o primeiro impacto. Uma coisa é entrar a ganhar 3-0, outra coisa é entrar a ganhar 2-1. Sempre com aquele espectro, aqui no Estádio da Luz, dos pontos perdidos nos últimos minutos. E ele entrou com enorme confiança, chega, bate um canto de perna na esquerda, bate uma falta direta, agarra na bola e leva-a até ao último terço. Depois cria a situação do terceiro golo. E isso demonstra também que, do ponto de vista emocional, apesar de ele ser ainda um miúdo e ter chegado só agora ao nível do Benfica... Parabéns também àqueles que trabalharam com ele, seja na seleção, seja no Estrela [da Amadora], porque ele demonstrou essa maturidade."

"VAMOS A ELES, VAMOS VER"

"[Há uma frase de José Mourinho que muita gente não esquece quando era treinador do FC Porto, que é 'em condições normais vamos ser campeões e em condições anormais também vamos ser campeões'. Numa época atípica como está a ser esta, marcada por alguns escândalos de arbitragem, o Benfica pode ser campeão em condições anormais?] É uma frase antiga, dita em estados de maturidade diferentes. Mais maturidade, mais tranquilidade. Menos maturidade, algumas declarações um bocadinho mais difíceis. Quando cheguei ao FC Porto encontrei uma equipa muito mal treinada, encontrei uma equipa muito fraca, encontrei uma equipa que tinha tanto espaço para melhorar, e eu acreditava tanto no meu trabalho, e que podia influenciar esse espaço que havia de progressão, que nem foi um risco eu dizer aquilo que disse. Eu sabia o trabalho que nós estávamos a fazer também para melhorar a equipa no ano seguinte, e depois os resultados confirmam, o FC Porto era muito forte comigo, e naqueles dois anos não era muito difícil ter afirmações deste tipo. Agora, pela maturidade e também pela situação, não vou obviamente dizer isso. Vou dizer que, começando uma época, com uma pré-época bem organizada, com um trabalho de escritório, digamos assim, com todos imbuídos do mesmo espírito, do mesmo objetivo, eu diria que na próxima época o Benfica tem obrigatoriamente boas possibilidades. Neste ano a tabela classificativa demonstra que somos 3.º a 3 pontos do segundo e a 7, 8 ou 10 do primeiro. Mas como eu disse ontem [sexta-feira], o matematicamente possível alimenta-nos, e o facto de nós ainda não termos perdido para o Campeonato e estarmos a conseguir bastantes vitórias e alguns empates, uns melhores outros piores, dá-nos essa esperança, mas não vamos esconder que o FC Porto está a fazer um Campeonato extraordinário e não vamos também esconder que o Sporting é uma grande equipa, não vamos misturar as coisas. Ter tido aqui e ali objetivamente pontos caídos do céu, para ser simpático, não vamos esconder que é uma grande equipa, com um grande plantel, com grandes jogadores, com um ótimo treinador, não vamos esconder isso. Portanto, é difícil para nós este Sporting e este FC Porto, mas, como nós dizemos lá no balneário, vamos a eles, vamos ver."

Benfica-Estoril-21RICHARD RÍOS: FORÇA DA Natureza "Uma força da natureza, quilómetros percorridos, montes de duelos ganhos, grande fisicalidade, entre aspas, atropela adversários, mas aqui e ali às vezes precisamos ter mais bola, menos ganhar e perder. Recupera bola, perde bola, recupera a bola, um passe, dois passes, bola perdida. Às vezes é preciso um bocadinho mais... no Benfica tem de ser um bocadinho mais... E não estou a falar especificamente só dele, estou a falar, digamos, daquela zona do campo. Ter mais presença de espírito, ter mais Rui Costa, ter mais... Está a entender? Um bocadinho mais de... Mas é um jogador imprescindível para nós. Um jogador que está a crescer, e que está a crescer muito. Acho que ele e o Dahl são provavelmente aqueles dois jogadores que nos últimos dois meses tiveram um impacto maior, um crescimento maior."

Benfica-Estoril-7EVOLUÇÃO DE Prestianni "O Prestianni... nós esquecemo-nos, mas ele tem idade para estar a jogar na Equipa B, e quase a ir à Youth League a meio da semana jogar com os meninos da idade dele. Às vezes esquecemos um bocadinho disso pela exigência que temos com ele. E estou a dizer eu próprio. Eu próprio também às vezes me esqueço e cobro dele coisas que, a miúdos da idade dele, não podemos cobrar. Portanto, ali há sempre o talento, há sempre a expectativa com coisas boas, mas também está ali o espaço aberto para erros. Agora, ele tem aprendido a defender melhor. Numa equipa como a nossa, que fundamentalmente defende zonal, é preciso conhecer o jogo, é preciso analisar o jogo, é preciso analisar o momento, é preciso analisar o posicionamento da bola. E ele está a crescer muito relativamente a isso, sem perder a irreverência dele e a qualidade técnica. Portanto, é como você diz, tem jogado mais nos últimos tempos e vai continuar assim. É um jogador que está a crescer."


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